O representante da Repórteres Sem Fronteiras (RSF) na Turquia, Erol Önderoglu, acusado de “propaganda terrorista” por colaborar com um jornal pró-curdo, foi absolvido por um tribunal turco.

A decisão do juiz de absolver Önderoglu, que não estava presente no tribunal, foi recebida com aplausos, refere a agência de notícias francesa AFP.

Erol Önderoglu enfrentava mais de 14 anos de prisão por ter participado numa campanha de solidariedade com o jornal Özgür Gündem, associado à rebelião curda.

Também o escritor e jornalista Ahmet Nesin e o presidente da Fundação dos Direitos Humanos, Sebnem Korur Fincanci, foram absolvidos da mesma acusação.

Os três ativistas estiveram detidos durante 10 dias, em Junho de 2016, tendo ficado em liberdade condicional durante o julgamento, acusados de propaganda terrorista, apologia ao crime e incitação ao crime.

O tribunal também decidiu que todos podem pedir compensações financeiras pelos dias que passaram na prisão.

“Estamos profundamente aliviados com a absolvição de Erol Önderoglu e dos seus colegas, mas um processo absurdo que dura três anos já é uma forma de punição”, reagiu a RSF numa mensagem hoje divulgada na rede social Twitter.

Önderoglu, que não vive actualmente na Turquia, ainda terá de enfrentar outro processo com a mesma acusação, marcado para começar em 07 de Novembro, por apoiar estudantes que assinaram uma petição a pedir o fim das operações de segurança no Sudeste do país, onde a maioria da população é curda.

“Essas acusações devem ser abandonadas”, defendeu a organização no mesmo “tweet”.

“A absolvição de Erol Önderoglu, representante da RSF na Turquia, acusado há três anos de propaganda terrorista, é uma vitória excelente da justiça e da liberdade de imprensa num país onde as duas coisas são violadas todos os dias”, afirmou o secretário-geral da RSF, Christophe Deloire.

A prisão e o julgamento de Önderoglu provocaram uma onda de protestos na Turquia e no estrangeiro.

O regime islâmico-conservador do Presidente Recep Tayyip Erdogan, cujo partido está no poder desde 2002, é acusado de amordaçar a imprensa independente na Turquia, especialmente desde a tentativa de golpe de Estado, em 15 de Julho, a que se seguiram várias perseguições.

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