As autoridades do Sri Lanka assumiram que os serviços de inteligência já tinham sido avisadas para a possibilidade do país vir a ser alvo de um ataque terrorista como o que matou pelo menos 290 pessoas, incluindo um português, no domingo.

“Alguns oficiais dos serviços de informação estavam cientes dessa incidência. Portanto, houve um atraso na acção. É preciso tomar medidas sérias, assim como saber o porquê de esses avisos terem sido ignorados”, declarou o ministro das Telecomunicações, Harin Fernando, na sua conta na rede social Twitter.

Fernando disse que o seu pai também tinha ouvido falar da possibilidade de um ataque e advertiu-o para não entrar em igrejas mais populares.

A polícia do Sri Lanka está a examinar os relatórios de agências de informação que tinham avisos de possíveis ataques, segundo as autoridades cingalesas. Mano Ganeshan, ministro da Integração Nacional, disse que os oficiais de segurança do seu ministério foram alertados sobre a possibilidade de dois bombistas atacarem políticos.

O cardeal Malcolm Ranjith, arcebispo de Colombo, disse que os ataques poderiam ter sido evitados. “Colocamos as nossas mãos nas nossas cabeças quando soubemos que essas mortes poderiam ter sido evitadas. Porque é que isso não foi evitado?” declarou o cardeal.

No domingo, a AFP revelara logo que os serviços de inteligência tinham sido avisados há mais de 10 dias para um potencial ataque. “Uma agência de inteligência estrangeira informou que NTJ [National Thowheeth Jama’ath] está a planear avançar com ataques suicidas que têm como alvo igrejas proeminentes bem como a alta representação da Índia em Colombo”, dizia o alerta do principal responsável pela polícia do país, Pujuth Jayasundra. Foi este mesmo grupo radical que o governo do Sri Lanka acusou, na segunda-feira, de ser o responsável pelos atentados.

Segundo o ministro da Saúde, Rajitha Senaratne, em conferência de imprensa, os bombistas suicidas eram cidadãos do Sri Lanka, mas as autoridades suspeitam que tinham ligações ao estrangeiro. A maioria dos ataques foram realizados por um único bombista, com a excepção do hotel Shangri-La, em Colombo, que foi atacado por dois bombistas suicidas.

O governo cingalês já anunciou que vai prestar homenagem na terça-feira aos quase 300 mortos nos ataques do domingo de Páscoa durante um funeral oficial na igreja de Katuwapitya, em Negambo.

CM