Está instalado o braço-de-ferro entre os Caminhos-de-Ferro de Moçambique e a empresa de transporte MetroBus. Os gestores desta última acusam os CFM de dificultarem as suas operações, o que está a causar prejuízos no negócio. Os CFM rebatem e ameaçam interditar a circulação de comboios daquela empresa.

Tudo começou no passado dia 1 de Novembro quando a empresa Metrobus, através do seu director-geral, Amade Camal emitiu um comunicado extenso através da rede social facebook, em que expunha a situação complicada em que a transportadora se encontra, facto originado supostamente pelo incumprimento de uma promessa do Governo.  “Quando iniciamos esta operação o Governo prometeu-nos que iria financiar os passageiros, desde que houvesse um modelo transparente. Apresentamos esse requisito através da bilhética, em que cada tipo de passageiro estaria identificado se é trabalhador, estudante ou de terceira idade. Neste modelo, o Governo determinaria através do contrato social com cada grupo, qual a percentagem que iria subsidiar, e quando e quantas vezes em que estes poderiam beneficiar. Verdade porém, é que até a data “ninguém” se manifesta acerca deste assunto”, lê-se no comunicado.

A Metrobus aponta ainda a falta de facilidades por parte dos Caminhos-de-Ferro de Moçambique – proprietária da linha – como outra razão para as dificuldades nas suas operações. “Para agravar a situação, temos 75% da nossa capacidade útil inoperante, porque não temos acesso às linhas férreas”, queixa-se a empresa para depois avançar que: “Não compreendemos. É que no período de ponta da manhã poderíamos introduzir mais um comboio Maputo-Machava-Beluluane  e não acontece porque a linha está ocupada com um comboio de carga vazio. No período de ponta à tarde o cenário repete-se na linha de Ressano Garcia”, critica a gestão da Metrobus.

As lamentações não terminam por aí. “Colocar dificuldades por parte de quem deveria servir de facilitador é surrealista. Em quase todo mundo os passageiros têm prioridade em relação à carga. Esperar sucesso quando se usa 25% do potencial do equipamento, autocarros e comboios seria, no mínimo, um milagre. Quem anda a trabalhar e a arriscar o seu pouco capital seguramente não o faz à espera de milagres”, sustentou.

A empresa avança que dadas as circunstâncias está a gerir o negócio longe do equilíbrio financeiro. Sendo que está a financiar o custo dos bilhetes em 80%, uma situação que tem provocado prejuízos no seu negócio, razão pela qual tem vindo a reduzir a sua mão-de-obra, bem como viagens nocturnas e aos sábados.

Metrobus aumenta tarifas para suprir prejuízos

Face à essa conjuntura, a empresa Metrobus anuncia, no mesmo comunicado, o agravamento das tarifas a partir do próximo dia de 1 de Dezembro. Sendo assim, o preço do comboio passará de 29 para 38 meticais e autocarro de 14 para 18 meticais.

CFM denuncia irregularidades e ameaça impedir circulação de Metro

A empresa Caminhos de Ferro de Moçambique viu, não gostou e respondeu através de um comunicado datado de 8 de Novembro. Nele, os CFM distanciam-se das alegacões da Metrobus e rebatem. “Ficamos perplexos com a veiculação de que o CFM está a “fechar-se” perante o projecto do “parceiro” Metrobus. Volvido um ano, constatámos que a MetroBus está com enormes dificuldades de cumprir com o que foi acordado, designadamente a questão do pagamento pelo uso da Linha, sobretudo, ao cumprimento das Normas de Sistema de Gestão de Segurança Ferroviária, e outras obrigações contratuais”, avança

Os CFM dizem ainda ter notificado a gestão da MetroBus sobre questões de segurança, mas esta tem feito ouvidos de mercador. Perante esta situação, a empresa ameaça interditar a circulação dos comboios da Metrobus.“Os CFM têm estado a notificar a MetroBus (sem sucesso), sobre a necessidade de observância dos requisitos de segurança para o transporte ferroviário de passageiros, acto que até ao momento, ainda não o fez, o que nos poderá, a qualquer momento, obrigar a interditar a circulação dos seus comboios”, avisa.

O País