O terceiro dia da campanha eleitoral do candidato da Frelimo na Matola voltou a ser marcado por contacto pessoal e distribuição de material de propaganda da Frelimo.
Calisto Cossa visitou a fábrica de mechas Darling, onde diante das reclamações dos funcionários sobre o caos em que a cidade está, distanciou-se, literalmente, das acções e promessas não cumpridas de Arão Nhancale, antigo edil da Matola, pela Frelimo.
Na Darling os funcionários recordaram ao candidato da Frelimo que em 2008, Arão Nhancale prometeu acabar com a lixeira da Darling que está a criar muitas doenças aos funcionários e à população das redondezas. Tal não aconteceu e a situação tende a piorar cada vez mais. Calisto distanciou-se de Nhancale e pediu confiança dos funcionários.
“Peço a vossa confiança, as vossas preocupações são as minhas também, não venho aqui fazer promessas falsas, vim aqui pedir votos. Lixo é um problema de todos nós. Também estive aqui nesta altura, mas vamos olhar para frente”, referiu Calisto Cossa.
Depois de o Canalmoz ter informado, em primeira mão, que as Forças Armadas de Moçambique (FADM) espancaram dois jornalistas da Televisão Independente de Moçambique (TIM) – Alexandre Rosa e Cláudio Timana – e ter publicado a imagem de um deles, inanimado, criou-se um clima de indignação generalizada. Toda a opinião pública condenou a actuação do exército e, mais uma vez, voltou a responsabilizar o Governo e o chefe de Estado pelo caminho do terror e descalabro para o qual o País está a seguir.
Nisso, alguns membros do partido Frelimo (cerca de 10) trajados com camisetas de campanha eleitoral, dirigiram-se, na tarde de ontem, à Clínica da Sommershield, alegadamente para visitar os dois jornalistas internados. Nelson Maquile, do secretariado do Conselho de Ministros foi uma das caras que estava no grupo e apresentou-se, tal como seus acompanhantes, rigorosamente trajado de uma camiseta apelando ao voto à Frelimo e a David Simango.
O Canalmoz apurou que o pessoal médico não deixou que os propagandistas tivessem acesso à sala onde estão internados os dois jornalistas, tendo-os informado que “os doentes não estão em condições de receber visitas”. Sabe-se que outras personalidades da sociedade civil e jornalistas também estiveram no local e foram permitidos ver os dois jornalistas internados.
Visivelmente desprogramados, os propagandistas retiraram-se das instalações da Clínica da Sommershield.
As Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM) espancaram dois jornalistas da Televisão Independente de Moçambique (TIM), até perderem os sentidos. A ocorrência deu-se na Cidade da Matola. Trata-se do Chefe da Redacção da TIM, Alexandre Rosa “Chandó” foi levado ainda inanimado às Urgências da Clínica da Sommershield, em Maputo, e o operador de câmera Cláudio Timana, que está preso no quartel das FADM em Malhanpsene, na cidade da Matola.
FADM espancam jornalistas da TIM até perderem os sentidos
Tudo aconteceu quando os militares estavam a ameaçar a população por causa de um terreno em disputa, no bairro de Malhampsene, no Município da Matola.
A população contactou a TIM e os repórteres desta estação privada de televisão dirigiram-se ao terreno. Chegados lá foram recebidos com tiros e de seguida presos.
Os jornalistas foram brutalmente espancados à coronhada e pontapé por soldados do Exército. Alexandre Rosa acabou perdendo os sentidos nas mãos dos militares, pelo que estes imediatamente o largaram, tendo assim sido possível socorre-lo.
Rosa, foi primeiro levado ao Hospital Privado de Maputo, onde não chegou a dar entrada porque uma ordem da sede da empresa instruiu o motorista da TIM a levar o jornalista para a Clínica da Sommershied.
O Canalmoz esteve no Hospital privado de Maputo, onde registou em exclusivo as imagens da chegada de Alexandre Rosa, inanimado, ainda na viatura.
A TIM já submeteu uma queixa na esquadra do Mussumbuluko contra os militares.
Até publicarmos estes despacho sabia-se apenas que os cuidados médicos já estavam a ser prestados a Alexandre Rosa, mas ainda se desconhecia qualquer prognóstico.
O Partido de Reconciliação Nacional (PARENA) saiu ontem à rua, pelo segundo dia consecutivo, “namorando” o eleitorado do Bairro de Mahlazine, na cidade de Maputo, prometendo, entre outras coisas, lutar para que os munícipes tenham transporte de qualidade, caso tenha maioria na Assembleia Municipal.
Militantes e simpatizantes daquela formação política desfilaram em caravana passando por algumas artérias da capital do país, indo desembocar na Praça da Juventude, de onde brigadas se subdividiram e penetraram no Bairro de Mahlazine adentro, usando como estratégia o contacto porta-a-porta.
Falando à reportagem do “Notícias”, o presidente do partido, André Balate, descreveu o primeiro dia de campanha como tendo se destinado, essencialmente, para apelar aos munícipes para a necessidade de encararem as eleições autárquicas do dia 20 de Novembro corrente como um momento de verdadeira festa de consolidação da democracia no país e não de confrontação política ou violência.
Explicou que esta mensagem foi comum em todos os quatro municípios onde o PARENA concorre, nomeadamente cidade de Maputo, Matola, Beira e Quelimane. O Partido de Reconciliação Nacional, refira-se, concorre somente para as assembleias municipais, movido pelo interesse de influenciar a aprovação de políticas que concorram para melhorar, efectivamente, as condições de vida dos munícipes.
André Balate disse, a este propósito, que o seu partido preconiza a aprovação de políticas que melhorem o transporte nos quatro municípios, as vias de acesso e respectiva ampliação, de forma a permitir maior fluidez à circulação rodoviária e reduzir os actuais engarrafamentos que se verificam, por exemplo, na cidade de Maputo, água para todos os munícipes, electrificação de todos os bairros, planeamento urbano, meio ambiente, desporto e lazer, entre outras áreas.
“Por exemplo, no domínio dos transportes, sobretudo, é triste o actual cenário que se assiste na cidade de Maputo, a capital do país. Devido à escassez de meios de transporte, tanto públicos como privados, as pessoas são obrigadas a se fazerem transportar em condições desumanas, em carrinhas, como se de mercadorias se tratassem”, disse.
No que diz respeito às vias de acesso, afirmou que as estradas existentes nos quatro municípios onde o partido concorre não foram concebidas para tanto fluxo. Defendeu que com os impostos que os munícipes pagam é possível pôr as estradas em boas condições de transitabilidade.
André Balate disse que em todos os bairros já escalados na cidade de Maputo o apelo que os munícipes lançam é que a paz deve ser preservada.
No seu segundo dia de campanha eleitoral rumo às eleições de 20 de Novembro próximo, a Frelimo, o MDM e respectivos candidatos saíram à rua para namorar o eleitorado, através de contactos nos mercados, estabelecimentos comerciais e interpelação dos operadores informais.
No Bairro Coca-Missava, na capital provincial de Gaza, a Frelimo e seu candidato, Ernesto Chambisse, voltou a manifestar o seu total comprometimento em consolidar o trabalho da actual edil, Rita Muianga, na melhoria das vias de acesso, extensão de energia eléctrica aos bairros periféricos, combate à erosão, massificação desportiva e cultural, entre outras realizações.
Enquanto isso, em Chibuto, Francisco Soares Mandlate, do partido dos “camaradas”, recebeu reforço na sua campanha de caça ao voto no Bairro Chimundo, com a chegada de Castigo Langa, membro da brigada central da Frelimo, destacado para aquela autarquia. Langa apelou à afluência às mesas de votação, de modo a que a popularidade da Frelimo e do seu candidato sejam legitimados no sufrágio de 20 de Novembro, “para que se possa dar prosseguimento às conquistas alcançadas no mandato prestes a terminar”.
Reforçada foi igualmente a campanha de Lídia Cossa, na cidade do Chókwè, que ontem teve apoio de Carmelita Namachulua, que foi à capital económica de Gaza apelar aos citadinos locais para que se unam em torno do partido da maioria e da sua candidata, para se prosseguir com a modernização daquela urbe, nos capítulos da indústria, comércio, agricultura e melhorias na vida dos seus habitantes.
Por seu turno, o MDM e a sua candidata em Xai-Xai, Judite Sitoe, foram ao Bairro Patrice Lumumba levar a mensagem de uma vida melhor através da busca de alternativas para a criação de mais empregos, particularmente para a camada juvenil, para além de promessas de acesso à terra para a construção de residências e ensino para todos.
Promessas similares foram igualmente feitas pelo MDM em Chibuto, através do seu candidato Tornado Paiva, que fala de mudanças radicais na autarquia caso vença, e que incluem a liberdade e alegria de viver.
Na cidade do Chókwè, o candidato do MDM, Elêutero Mapsanganhe, fez ontem uma incursão pelo Segundo Bairro, pedindo votos ao eleitorado em campanha portaa-porta, prometendo mudanças na vida dos seus habitantes, por ser filho da terra e com um conhecimento real das necessidades do que deve ser feito para a melhoria dos seus concidadãos.
Enquanto isso, a comunidade religiosa local voltou a renovar os seus apelos para a tolerância, coexistência pacífica entre os concorrentes para o pleito de 20 de Novembro, recordando que a campanha eleitoral deve ser assumida apenas como um momento de festa em que cada um dos concorrentes deve de forma democrática e com civismo apresentar as suas ideias ao eleitorado e aguardar pela decisão no dia do sufrágio.
Por seu turno, a Polícia da República de Moçambique, “PRM”, em Gaza, através do seu porta-voz Jeremias Langa, advertiu que a corporação não irá tolerar qualquer tipo de alteração da ordem, assegurando entretanto a totalidade disponibilidade da PRM, para fazer o necessário acompanhamento de todos os concorrentes durante a campanha de caça ao voto.
Ismael Mussa, suportado pelo movimento Juntos Pela Cidade (JPC), escalou hoje os bairros de Polana Caniço, Maxaquene e Mahotas, todos na periferia da cidade de Maputo, onde, em contacto com os eleitores, prometeu acabar com o crónico problema de transporte urbano e do tráfego rodoviário.
Mussa diz que vai, caso seja eleito, substituir gradualmente os “chapas”, no centro da cidade, por autocarros dos Transportes Públicos de Maputo (TPM) nas principais avenidas, criando faixas de rodagem exclusivas para autocarros, táxis, bombeiros e ambulâncias e aumentar a frota de autocarros dos TPM e integrar os “chapas” nas zonas periféricas da cidade. Assim, o manifesto de Mussa fala de aquisição de entre 400 e 600 autocarros para assumirem em pleno o transporte colectivo de passageiros em Maputo. Em relação ao saneamento do meio, Mussa promete a reabilitação das estradas, incluindo sistemas de drenagem para o escoamento das águas de chuva;
Por seu turno, o candidato do MDM à presidente do Município de Maputo, Venâncio Mondlane, promete transporte seguro e eficiente aos munícipes, caso vença as eleições autárquicas. Para a materialização da promessa, Mondlane diz que vai criar a nível do município o “Fundo dos Transportes.”
O fundo, segundo o candidato, vai consistir na integração de empresas públicas e privadas, “contribuindo para o fundo no que as mesmas passariam a poupar em custos administrativos e operacionais de gestão das suas frotas particulares de transportes.”
Fazer da limpeza a fonte de trabalho
Para tornar a cidade limpa, Mondlane fala de incentivar a criação de microempresas para recolha primária de lixo nos bairros periféricos da cidade de Maputo, bem como criar comités de salubridade nos bairros.
Mondlane falava na tarde de ontem durante a campanha nos bairros Triunfo, Minguene e Laulane no distrito municipal KaMavota.
É um autêntico festival de ilegalidades. Tal como tem acontecido nas campanhas eleitorais anteriores, o partido Frelimo não abandonou o legal hábito de usar meios do Estado para a campanha eleitoral. Quase que em todos os municípios a Frelimo mobilizou viaturas do Estado para acompanhar os seus candidatos. O Boletim do Centro de Integridade Pública e AWEPA denuncia “uso generalizado de viaturas do Estado por candidatos da Frelimo”.
Segundo escrevem, foi visto e anotada a utilização em Nacala Porto em que a chapa da matrícula ABF 657 MP de um carro dupla cabine que estava a ser conduzido por um motorista do Ministério das Obras Públicas e Habitação de Nampula. A viatura estava condecorada com panfletos a favor do candidato da Frelimo em Nacala, Rui Chong Saw. O carro e o respectivo motorista são do Estado e a viatura percorreu mais de 200 km para o efeito. No interior da mesma, encontravam-se figuras proeminentes do partido Frelimo provindas de Nampula.
O administrador de Nacala-Velha, Daniel Chato, está a apoiar o partido Frelimo em Nacala Porto usando a viatura protocolar do Governo, Toyota Hilux D4D, com a matrícula ADD 362 MP.
No município de Mueda (Cabo Delgado), a Frelimo usa carros das direcções provinciais das Águas em Mueda cuja matrícula foi coberta com papel. Na autarquia de Nhamatanda (Sofala) alguns directores dos serviços técnicos usaram viaturas do Estado para a cerimónia do lançamento da campanha eleitoral da Frelimo, com matrículas cobertas de panfletos.
De acordo com o CIP, em Gondola (Manica) a Frelimo está a usar viaturas do Estado com as matrículas AAH-418-MP e AAZ-056-MP, pertencentes às direcções provinciais da Agricultura e Obras Públicas. Outras várias viaturas estavam com timbres institucionais e matrículas coladas com cartazes da Frelimo.
Em Chiúre (Cabo Delgado) a Frelimo usou as seguintes viaturas: Ford Ranger do administrador de Chiure com a matrícula que termina 158 MP, ADI 106 MP e Land Cruiser, com chapa de inscrição ACD 055 MP.
No município da Beira, o partido no poder está a usar viatura da direcção provincial da Agricultura de marca Toyota Hilux 3000 dupla cabine cuja matrícula está coberta com panfletos. Outra viatura é da empresa Transportes Públicos da Beira (TPB) de marca Ford Ranger, cor branca, que está a ser conduzida pelo presidente do Conselho de Administração, João Andrade.
Quatro agentes da PRM estão indiciados num recente caso de rapto falhado do proprietário da Barsa Motores, uma empresa dedicada à venda de viaturas na cidade de Maputo.
O cabecilha do grupo, identificado por I. Cândido, está detido desde a passada segunda-feira no Comando da Força de Intervenção Rápida na cidade de Maputo juntamente com um agente da Polícia de Trânsito cujo nome ficou-se por saber, estando a corporação à procura de outros dois colegas agora foragidos.
Segundo dados a que tivemos acesso, I. Cândido terá chefiado o grupo de polícias que por engano raptou o motorista do proprietário da Basra Motors confundindo-o com o patrão daquela empresa de venda de viaturas. Na altura o motorista fazia-se transportar numa viatura da sua empresa. A ocorrência registou-se na passada sexta-feira algures no distrito de Boane, província de Maputo.
Quando o grupo de agentes da Polícia se apercebeu que o indivíduo sequestrado não era o patrão que procurava, frustrado, largou em seguida a vítima num determinado ponto daquela zona.
De acordo com os dados colhidos de fontes seguras, os dois polícias em fuga, identificados apenas pelos seus apelidos, nomeadamente Macuácua e Novela, depois do engano na pessoa visada trataram de se desmembrar do bando para parte incerta, tendo o agente de Trânsito sido detido em conexão com o caso. Num interrogatório preliminar a que foi submetido, este polícia terá confessado o seu envolvimento no crime bem como dos seus comparsas, entre o co-detido e os foragidos.
Como resultado das diligências que terão sido já efectuadas pela Polícia para esclarecer o caso, este agente de Trânsito terá indicado I. Cândido como cabecilha do grupo. Refira-se que colocado à frente do seu colega I. Cândido, ele confirmou tratar-se dele a pessoa que comandou o rapto falhado em Boane.
As nossas fontes contaram-nos que o polícia Macuácua havia sido suspenso há algum tempo da corporação por ter baleado um indivíduo numa das lojas do Supermercado Shoprite.
Doagente I. Cândido recaem ainda outras graves acusações sobre este assunto dos sequestros. É suspeito como sendo um dos indivíduo que no seio da corporação vinha passando informações de carácter sigiloso da Polícia às diferentes redes de sequestradores que rapidamente se constituíram nas principais cidades do país, além de fornecer ilicitamente fardamento policial e armas de fogo aos bandidos.
Refira-se que do grupo de sequestradores condenados recentemente nas cidades de Maputo e Matola constam três agentes da PRM. Trata-se de Arsénio Chitsotso, Luís Chitsotso e Albino Primeiro, sentenciados a 16 anos de prisão por terem participado no sequestro de um agente comercial e de terem fornecido arma de fogo para a prática do mesmo crime.
As autoridades policiais garantem que tudo farão no sentido de purificar as fileiras, uma vez constatar-se que alguns elementos em exercício na corporação estão ao serviço do crime organizado.
A campanha eleitoral para a eleição do edil do município da Matola entra hoje no seu terceiro dia. Esta quarta-feira, segundo dia, o candidato do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), Silvério Ronguane, trabalhou no mercado T-3 e no bairro Infulene “D”, onde prometeu que se for eleito vai resolver o problema de saneamento no mercado T-3, atribuição de títulos e de Direito de Uso e Aproveitamento de Terra. Por seu turno, o candidato da Frelimo, Calisto Cossa, trabalhou na manhã de ontem no bairro 1º de Maio e à tarde no Infulene “D”. No primeiro bairro, Cossa prometeu acabar com carinhas de caixa aberta que transportam passageiros, melhorar as condições dos vendedores do mercado local.
Ainda no Infulene, orientou um comício que contou com a afluência de jovens e senhoras. A palavra-chave foi “o melhoramento do sistema de transportes para os munícipes e a criação de emprego para os jovens daquele bairro”.
As promessas de Ronguane
O candidato do MDM na Matola, Silvério Ronguane, começou a sua campanha com uma oração. Depois entrou num estaleiro no mercado T-3, ajudando o proprietário a arrumar barrotes. Sob lema “A mudança é do jovem. MDM em cima”, Ronguane percorreu todo o mercado T-3, com um discurso centrado em três pontos: Imundice, reformas nos vendedores e o crónico problema de transporte.
No que toca à imundice no mercado, disse que todo o lado do mercado é lamacento. Os sanitários públicos estão sob gestão de privados. Os vendedores pagam taxas diárias ao conselho municipal, mas para usar sanitários públicos, cobra-se outro valor.
Falando sobre a situação dos vendedores, disse que nos mercados das cidades, os exploradores de tabacarias têm licenças, mas no mercado T-3 não há licenças.
Já sobre as reformas, disse que se for eleito vai resolver o problema de protecção dos vendedores que estão abandonados do ponto de vista físico e protecção social.
Sobre o sector dos transportes, disse que noutros países quem providencia o sistema de transporte é o Estado. O utente entra com uma pequena parte, mas se ganhar o Estado deverá comparticipar da seguinte maneira: Organizar os transportadores em pequenas associações e o Estado deverá entrar com 10 por cento em todas as despesas.
Falando sobre a imundice, disse que naquele mercado há pessoas que confeccionam refeições para vender. “Estou preocupado com vendedores como pessoas que vendem comida. A limpeza nos locais é da obrigação do Estado”, disse.
O candidato do MDM na Matola trabalha amanhã, quinta-feira, nos bairros Patrice Lumumba, Singatela e São Dâmaso.
Calisto Cossa fala pouco e oferece mais
O candidato da Frelimo, Calisto Cossa, durante a campanha que fez porta a porta, nos bairros 1º de Maio e Infulene “D”, falou pouco e distribuiu muito material de campanha às populações.
O candidato, acompanhado por membros do seu partido em cada casa ou barraca que passava, deixava um kit composto por camiseta, chapéu, sacola e calendário e pedia que os munícipes não se esquecessem dele no dia da votação.
Prometeu mudar as condições de vida dos moradores daqueles bairros, melhorando o sistema de transportes e segurança e emprego dos jovens.
No mercado do bairro de Infulene “D”, os vendedores pediram um novo mercado, porque, segundo eles, por causa do estado das bancas, quando chove não conseguem trabalhar porque as mesmas são de construção precária. O candidato da Frelimo para o município da Matola ouviu as reclamações e prometeu construir barracas melhoradas para as senhoras caso elas votem nele e no seu partido.
No fim do dia, Calisto Cossa orientou um comício no bairro Acordos de Lusaca, que contou com a presença, na sua maioria, de senhoras e jovens, em que o candidato do partido Frelimo voltou a pedir votos e prometeu dias melhores aos matolenses.
Hoje, terceiro dia da campanha, o candidato da Frelimo na Matola começa a sua jornada de caça ao voto no bairro de Malhampsene.
O secretário-geral do partido Frelimo, Filipe Chimoio Paúnde, diz que fica “muito triste” quando um cidadão diz que “não gosta do partido Frelimo”. Paúnde manifestou tal indignação quando conversava com um vendedor no mercado Janete na cidade de Maputo, onde o partido Frelimo estava a caçar voto a seu favor e para o seu candidato, David Simango.
Exaltando as insígnias de partido libertador, Paúnde disse que nenhum outro partido tem capacidade para dirigir os moçambicanos. “O partido Frelimo é um partido que libertou os moçambicanos do colonialismo para poderes vender aqui, porque em 1972 você não estaria aqui a vender”, disse o SG da Frelimo.
Retorquindo, o vendedor disse ao SG da Frelimo que se fosse um outro partido na altura também teria libertado o País e “hoje também estaria a vender”. O vendedor informou ao SG da Frelimo que as pessoas não gostam do partido Frelimo por causa de “duas ou três pessoas”. O vendedor de roupa usada não revelou quem são as tais “duas ou três pessoas” que fazem com que o partido não reúna simpatia junto dos populares. Em resposta, o SG da Frelimo disse que “fica muito triste quando ouve alguém a dizer que não gosta do partido Frelimo”. “Fico muito triste sabe. Isso significa que essa pessoa não conhece a história. É preciso ler a história que está nos livros”.
Refira-se que Filipe Paúnde esteve a fazer campanha no mercado Janete, juntamente com a antiga primeira-ministra, Luísa Diogo, que se desdobrou de banca em banca a tentar convencer os vendedores a votarem mais uma vez em David Simango. Para além da zona do cimento, a Frelimo na cidade de Maputo escalou os bairros de Albazine e Chamanculo, onde David Simango prometeu dar continuidade ao trabalho que vinha desenvolvendo nos últimos cinco anos.
Uma brigada da campanha eleitoral do partido Frelimo esteve na manhã desta quarta-feira no bairro de Maxaquene “B”, na cidade de Maputo, a recolher os números de cartões de eleitores para fins até aqui desconhecidos.
A brigada andava de porta em porta a pedir cartão de eleitor às pessoas recenseadas. Os números e nomes eram passados numa folha do tipo A 4 concebido para o efeito. A referida brigada composta por 11 pessoas, sendo 06 mulheres, e restantes homens estiveram a trabalhar no quarteirão 51, onde de casa em casa exigiam cartão de eleitor para extrair o número e o nome.
“Eu não dei o número do cartão de eleitor e menti que não me tinha recenseado. Mas achei muito estranho que um partido exija cartão de eleitor às pessoas”, disse-nos um dos cidadãos de Maxaquene “B” que foi contactado para o efeito, que deliberadamente omitimos a sua identificação.
Uma outra cidadã, vizinha do primeiro cidadão, também denunciou o caso e diz que entregou o número de cartão de eleitor. “Não sei para que era. Eles disseram que só estavam a registar e não era nada de mal”.
O Canalmoz contactou o director de campanha do candidato da Frelimo na cidade de Maputo, Narciso Faduco, que desmentiu a informação tendo dito que “são mentiras típicas do processo. São fofocas, porque a Frelimo não precisa disso”, disse Faduco.
O Ministério da Educação (MINED) manifestou a sua preocupação face ao crescente número de alunos que corre o risco de perder o ano por violarem o regulamento que proíbe o porte de telemóveis nas salas de exames, em curso no país desde segunda-feira.
Mesmo sem especificar o número exacto de alunos que transgrediram esta norma, o porta-voz do MINED, Eurico Banze, disse que só na cidade de Maputo foram ontem registados sete casos do género num mesmo centro de exames.
Banze afirmou que estes casos estão a inquietar os directores das escolas, em particular e o ministério, em geral, porque é crescente a ocorrência destas situações nos centros de exames e as consequências do acto recaem sobre os alunos.
“O nosso apelo vai para os estudantes, pais e encarregados de educação para que cumpram rigorosamente este regulamento, sob o risco de seus exames ficarem anulados e estes terem que repetir o ano lectivo”, explicou Banze.
Acrescentou que a persistência destes actos tem implicações para os alunos e isso deve ser levado em conta pelos pais e encarregados de educação no sentido destes sensibilizarem os seus educandos a não portarem os telemóveis às salas de exame.
Com excepção destas infracções, o porta-voz do MINED explicou que o processo de exames está a decorrer com toda a normalidade e tende a reduzir os casos de atrasos que ocorreram no primeiro dia das provas.
Situação de tranquilidade foi igualmente confirmada pelos directores de algumas escolas da cidade e província de Maputo, onde estão a decorrer os exames da 10ª, 12ª classes e Ensino e Alfabetização de Adultos.
A directora da Escola Secundária Noroeste 1, Beatriz Vicente Ubisse, disse que com excepção dos atrasos verificados na segunda-feira, os exames estão a decorrer sem sobressaltos.
“As provas estão a ser tranquilas, não temos casos de fraude e os atrasos dos alunos reduziram. Estamos a registar algumas ausências, mas os alunos têm a possibilidade de efectuar as provas da segunda chamada”, explicou.
Tranquilidade foi igualmente confirmada pelos directores das Escolas Secundárias Francisco Manyanga e Zona Verde, nomeadamente Orlando Dima e Custódio Simões, ao afirmarem que nestes centros de exame também escasseiam casos de ausências.
Ontem foram efectuadas as provas de Inglês e Química e hoje decorreram os de Física e Geografia, para a 10ª classe e Francês e Física para a 12ª classe.
Um novo plano de estrutura urbana da cidade de Inhambane deverá ser submetido até finais do presente ano à discussão e aprovação da Assembleia Municipal, de modo a dar início à requalificação da urbe que nos dias que correm se apresenta saturada, uma situação agravada pela ocupação desordenada do solo urbano.
Com efeito, na apresentação pública da proposta do novo instrumento para a organização e gestão, uso e aproveitamento da terra naquela cidade, que caminha para 300 anos da sua implantação, a equipa técnica da edilidade local envolvida na elaboração do referido plano defendeu a requalificação das áreas urbanas e semi-urbanas com graves problemas de infra-estruturas como sendo uma das saídas à actual situação que caracteriza a cidade que está a registar um crescimento económico assinalável.
O plano de estrutura a ser submetido à discussão e aprovação da Assembleia Municipal aponta os bairros Chalambe 1 e 2 como sendo zonas propensas a inundações sazonais, marés astronómicas e com deficiente saneamento do meio, devendo, por isso, se mobilizar e sensibilizar os seus habitantes a abandonar o local e fixarem-se nos novos assentamentos a serem criados pela edilidade no âmbito da implementação daquele instrumento.
Aliás, no quadro da implementação do referido plano está prevista a abertura das novas vias de acesso, principalmente nos bairros Liberdade 1, 2 e 3, onde, actualmente, a circulação de viaturas e outros meios de locomoção é quase impossível.
O presidente do Conselho Municipal da Cidade de Inhambane, Benedito Guimino, disse que a abertura das novas ruas vai implicar a transferência de algumas famílias para novos bairros de reassentamento cujo processo deverá arrancar no primeiro trimestre do próximo ano, abrangendo os bairros de Chalambe e Liberdade.
Falando sobre o plano de estrutura urbana da cidade de Inhambane, o qual foi objecto de 16 encontros de debate público, o chefe da edilidade local disse que as comunidades jogam um papel fundamental na viabilização daquele instrumento, daí que apelou a uma maior colaboração dos munícipes na sua concretização.
Dados divulgados durante a apresentação do documento que para muitos está a demorar na sua implementação, dada a conflitualidade que se vive na cidade de Inhambane, derivada da ocupação desordenada do espaço físico e da explosão demográfica, indicam que grande parte dos residentes do bairro Aeroporto deverá ser transferida daquela zona. Tal transferência é ditada pela existência de um plano de ampliação da pista de aterragem de aeronaves do autódromo local que deverá passar dos actuais 1200 metros para 1700 metros.
Sobre o facto, o director do aeródromo de Inhambane, Jorge Tembe, disse ser urgente que as autoridades administrativas locais comecem a mobilizar os residentes para abandonarem a área quanto cedo, visto que, segundo suas explicações, o projecto da ampliação da pista contempla a ocupação da estrada que estabelece ligação entre a cidade e as praias de Tofo, Barra, Tofinho e Rocha.
“A aproximação de aviões à pista de aterragem é feita com muitas dificuldades, por causa das construções que circundam a zona. Até a pista secundária está fechada por causa dessas edificações. Devido ao facto é urgente que as autoridades municipais esbocem também um plano para reassentar esta população nos novos bairros”, disse Jorge Tembe, para quem a ocupação da área do aeroporto constitui também um perigo para as próprias comunidades que estão expostas a acidentes que podem ocorrer naquele local.
A proposta do novo plano de estrutura urbana consagra a zona considerada logística, no bairro Marrambone, arredores do aeroporto, onde vão ser instaladas diversas infra-estruturas, nomeadamente armazéns, parques de estacionamento de viaturas pesadas, bem assim mercados grossistas, entre outras.
O plano contempla também a criação de uma área de reserva do Estado, onde deverão ser instaladas infra-estruturas de serviços públicos, ao mesmo tempo que define uma zona habitacional, mais concretamente no bairro Chamane, enquanto em Guitambatuno será montada uma terminal rodoviária de passageiros, para além de uma zona industrial.
O Ferroviário de Maputo derrotou, na última sexta-feira (01) em casa, o Maxaquene por 69 a 61, em partida da quinta jornada do Campeonato da Cidade de Basquetebol sénior masculino de Maputo.
A turma locomotiva da capital continua a invicta da prova, depois de somar mais uma vitória rumo à revalidação do título, desta vez diante do Maxaquene por apenas oito pontos de diferença, ou seja, 61 a 69.
Os primeiros dois períodos do jogo foram fracos em termos de produtividade e os dois conjuntos foram bastante tímidos no frente a frente. Ainda assim, a turma locomotiva saiu a vencer por 12 pontos de diferença, 32 a 20.
Nos dois últimos quartos, as duas equipas ressalvaram a rivalidade existente entre ambas, com jogadas bem elaboradas para o interior. Os tricolores agigantaram-se e souberam vencer os dois parciais por 16 a 19 e 21 a 22, porém não suficiente para anular a vantagem do Ferroviário no marcador final.
Nas outras partidas, o Costa do Sol derrotou a A Politécnica por 78 a 75 e a Universidade Pedagógica (UP) venceu a formação do Aeroporto por 91 a 43. O jogo entre o Desportivo de Maputo e o Núcleo da Bela Rosa não se realizou em virtude da forte chuva que se registou na noite de última sexta-feira (01) em Maputo.
Os árbitros filiados à Associação de Basquetebol da Cidade de Maputo boicotaram, na última sexta-feira (01), os jogos da prova máxima desta modalidade a nível da capital do país. Tudo porque a Associação responsável pela competição não suspendeu o treinador principal do Costa do Sol, Milagre Macome.
Não foram disputadas as partidas referente à sexta jornada do Campeonato de Basquetebol da Cidade de Maputo em seniores masculinos e à quarta do mesmo escalão em femininos, em virtude dos árbitros reivindicarem a suspensão de Milagre Macome depois de, na semana passada, ter contestado a actuação dos árbitros o que lhe valeu a expulsão do jogo.
Contudo, os “homens do apito” esperavam por uma medida dura por parte da Associação de Basquetebol da Cidade de Maputo (ABCM). Segundo um comunicado enviado à nossa redacção nesta terça-feira (05), o treinador canarinho está suspenso das actividades enquanto o Conselho de Disciplina dá continuidade ao inquérito para aprofundar o caso.
O Banco de Moçambique vendeu, no terceiro trimestre de 2013, as divisas líquidas aos bancos comercias, avaliadas em 122.6 milhões de dólares, dos quais 102.2 milhões, foram para satisfazer às necessidades de importação de combustíveis.
O administrador do Banco de Moçambique Waldemar de Sousa disse que no fim do período em referência, o saldo das reservas internacionais líquidas foi de 2.877.5 milhões de dólares, o correspondente a um incremento de 581.3 milhões e cerca de 256.5 milhões acima da meta fixada.
Segundo o economista, este saldo representa uma cobertura de 6.5 meses de importações de bens e serviços não factoriais. Num outro desenvolvimento, ele referiu que a depreciação do metical face ao dólar foi nula, o que contribuiu para a depreciação anual de 3,82 porcento, devido à disponibilidade de divisas no mercado cambial doméstico.
Dados das contas monetárias indicam que de Maio a Agosto de 2013, a massa monetária agregada aumentou em 11.046 milhões de meticais (5.9 porcento), o que gerou um crescimento anual de 36.027 milhões de meticais, equivalentes a 22.4 porcento, o correspondente a uma aceleração de 2.8 pontos percentuais face ao período homólogo de 2012.
Esta situação, de acordo com Waldemar Sousa, não foi acompanhada pelo saldo de endividamento privado, que passou de 9.133 milhões (sete porcento), para 34.234 milhões de meticais (32.2 porcento), cerca de 22 pontos percentuais acima do incremento ocorrido no período homólogo.
A economia moçambicana estabilizou-se no segundo e terceiro trimestres graças ao desempenho positivo da indústria extractiva, dos transportes e das comunicação, facto que esteve associado ao aumento dos níveis de produção agrícola, dentre outros factores, segundo os dados divulgados pelo Banco de Moçambique (BM), nesta terça-feira (05), em Maputo.
O administrador do BM, Waldemar de Sousa, disse que o volume de produção dos sectores da electricidade e águas continuou a registar uma queda no segundo trimestre, o que contribuiu para o registo de avarias de equipamento de transporte de energia da Hidroeléctrica da Cahora Bassa para o mercado externo, principalmente para a África do Sul.
No que tange ao indicador de preços, Waldemar de Sousa recordou que, apesar da aceleração ocorrida nos primeiros meses do ano em curso, de Maio a Setembro, os preços desaceleraram e passaram de 4.9 para 4.52 porcentos devido à recuperação da produção local de frutas, vegetais e leguminosas, bem como por causa do fortalecimento do metical face às moedas estrangeiras, o que resultou, também, na queda dos preços dos bens importados.
O economista sublinhou que, pese embora esses factores favoráveis, na economia nacional ainda persistem problemas na transacção, visto que a poupança interna ainda é insuficiente para responder às necessidades de consumo e de investimento público e privado, que se traduziram em défices constantes da conta corrente.
Segundo Waldemar de Sousa, concorreram para essa situação o efeito combinado da melhoria nas transferências monetárias unilaterais do Governo e a queda da conta parcial de serviços, atenuados pelo agravamento do défice da conta parcial de bens.
No dia em que Moçambique comemora a Legalidade, e alguns dias após as marchas de cidadãos contra a onda de sequestros em Moçambique, três cidadãos foram sequestrados nesta terça-feira(5): duas mulheres e ainda um menor.
A primeira vítima, uma cidadã de nacionalidade portuguesa, foi raptada nas primeiras horas do dia, no interior da empresa onde trabalha, no município da Matola, por três homens armados. Os raptores entraram nas instalações, intimidaram os colegas da vítimas e saíram com a vítima arrastada pelos cabelos até à viatura dos malfeitores, que desapareceu. Há indicação que a cidadã é uma imigrante e não tem família em Moçambique.
Na história dos sequestros, este é o segundo caso que envolve portugueses: o primeiro aconteceu em meados de Julho passado, em que um empresário terá sido sequestrado e posteriormente restituído à liberdade.
O cônsul geral de Portugal em Maputo, Gonçalo Teles Gomes, disse à Lusa que os familiares da cidadã já foram informados sobre a ocorrência. Neste momento, os portugueses são aconselhados a “não frequentar locais isolados, evitar as rotinas, incluindo não efectuar diariamente os mesmos percursos, não exibir bens com valor monetário significativo e manter sempre a família ou pessoas de confiança informadas sobre as deslocações”.
Segunda vítima
Ainda durante a manhã desta terça-feira, uma outra cidadão adulta que se encontrava sozinha em casa foi surpreendida por quatro criminosos que ardilosamente conseguiram entrar na residência, onde furtaram vários bens, e depois saíram com a vítima.
Entretanto, uma criança de três anos de idade também sequestrada em Maputo, numa altura em que se encontrava a brincar com o seu irmão de sete anos de idade.
Apesar dos dois grupos de sequestradores que foram detidos, julgados e condenados em tribunal os sequestros não páram e os criminosos estão cada vez mais audaciosos, agindo em plena luz do dia, e não se intimidam com a presença dos seguranças privados ou testemunhas civis.
Presidente confia na Polícia
Apesar do medo que cresce todos os dias entre sociedade moçambicana o Chefe de Estado, Armando Guebuza, manifestou a sua confiança nas autoridades policiais e disse que não haverá nenhuma reforma.
“Eu tenho confiança na Casa Militar e no Comandante Geral da Polícia. Que me apresentem o que está errado para poder corrigir?”, disse Guebuza, falando em Chimoio, na conferência de imprensa.
“Há uma opinião que as coisas não estão bem, mas não dizem o que não está bem. Não dizem quem faz o quê e querem que eu aja. Não, eu tenho plena confiança na Casa Militar e também tenho confiança no meu Comandante-geral da Polícia?”, acrescentou o Presidente moçambicano.
Contudo, Guebuza considerou justa a preocupação da sociedade em relação a este tipo de crimes e ao funcionamento dos órgãos de administração da justiça no geral. O Presidente da República disse que os moçambicanos não estão habituados a este tipo de crime que considerou de transfronteiriço e ?não aceitável?. “?Eu sei que a nossa polícia está a fazer tudo que está ao seu alcance para resolver estes problemas e alguns dos raptores foram levados à barra do tribunal e estão mesmo em julgamento, mas isso não é suficiente e temos que fazer ainda muito mais?”, admitiu Guebuza.
“Aparentemente, ainda não alcançamos essa consciência colectiva sobre a gravidade destas questões?, disse ele. ?Em segundo lugar concordo que o Código Penal poderá ajudar a resolver o problema, mas, como eu digo, não é a condição, por isso nós ? a bancada e o governo – estamos a insistir para que haja, pelo menos, um agravamento maior e isso seja posto ainda nesta sessão da Assembleia da Republica porque não pode esperar?” enfatizou o Presidente Guebuza para quem a moldura penal actualmente usada para este tipo de crimes não penaliza de forma justa os criminosos. ?”Então vamos corrigir já. Façamos uma moldura penal que mais tarde vai ser integrada no Código Penal?”, concluiu.
Bento Kangamba, o auto intitulado empresário da juventude e genro da família do presidente angolano José Eduardo dos Santos, está mesmo, em maus lençóis, dado o seu envolvimento em rede de tráfico de mulheres para a prostituição entre Moçambique, Angola e Brasil. A Interpol recebeu formalmente o pedido da justiça federal brasileira para detenção dos angolanos Bento dos Santos Kangamba e Fernando Vasco Inácio Republicano para dar cumprimento a uma sentença respeitante a “operação garina”, desencadeada pelo delegado da Polícia Federal de São Paulo, Luis Tempestini.
No seu website, a Interpol, colocou os dados pessoais dos dois angolanos citando que são acusados de tráfico de seres humanos para exploração sexual.
Em declarações à imprensa estrangeira, o delegado da Polícia Federal de São Paulo, Luis Tempestini, coordenador da Operação Garina, que desbaratou o grupo confirmou que os cinco brasileiros envolvidos na organização já foram presos.
Quanto ao general Bento dos Santos Kangamba e o empresário de eventos Fernando Vasco Republicano as autoridades brasileiras esperam agora pela intervenção da Interpol em virtude de não existir um acordo de extradição entre Angola e Brasil, que obrigue Luanda a enviá-los para serem julgados nos tribunais brasileiros. Ou seja, em Outubro de 2011, o Parlamento de Angola aprovou um acordo de transferência de presos e auxílio judicial mútuo com o Brasil, pelo qual ambas as nações são obrigadas a entregar pessoas procuradas pela justiça do outro país que se encontre em seu território. Mas o mesmo ficou sem efeito por não ter sido ratificado pelo Presidente da República, José Eduardo dos Santos.
Pelos passos que estão a ser dados, o consultor jurídico angolano, Albano Pedro suspeita que os dois cidadãos angolanos poderão ser julgados a revelia que já tenham havido algum um julgamento sem que as autoridades brasileiras tenham em algum momento assumido ou revelado algum dado.
O doutor Albano Pedro explicou que “o julgamento a revelia acontece sempre que o autor do crime não é localizado ou não pode comparecer diante do tribunal. É o que se passa no caso. Serão julgados a revelia. Isso é se ainda não foram julgados porque via de regra o mandato de captura acontece depois do julgamento. É para cumprir prisão e não para ser ouvido em processo”.
O especialista angolano nota que já havia culpa formada para os cúmplices brasileiros e segundo o seu entendimento o julgamento não ocorre em separado tratando-se de um mesmo caso. “Se já foram julgados então Bento Kangamba e Fernando Republicano já estão condenados”.
Respeitante ao mesmo mandato e caso tenha havido um alegado julgamento consumado, o jurista Albano Pedro levanta a hipótese de Kangamba e Republicano “Poderem ter sido notificados pela justiça brasileira e não terem comparecido voluntariamente perante a mesma. isto legitima uma mandato de captura contando que o crime admita prisão sem excepção. Resta saber se foram notificado e se furtaram. De qualquer modo era necessário ter uma ideia completa da situação judicial para uma melhor opinião.
Pela segunda semana consecutiva, o executivo não reuniu em Conselho de Ministros, como ordinariamente vem acontecendo às terças-feiras.
A situação acontece numa altura em que é cada vez mais evidente o espectro de guerra civil no País, com mortes de civis e militares os raptos tendem a atingir níveis assustadores semeando um clima de medo generalizado. O Governo está simplesmente ausente.
O Canalmoz contactou na tarde de ontem o director do Gabinete de Informação (GABINFO), Ezequiel Mavota, entidade que tem coordenado com os jornalistas a cobertura das reuniões do executivo, para perceber as razões da não realização das sessões.
Em contacto com o Canalmoz, Mavota sugeriu que: “fale como o porta-voz do Conselho de Ministros”, referindo-se a Alberto Nkutumula. Tentámos, sem sucesso, contactar Nkutumula.
O Povo Optimista para o Desenvolvimento de Moçambique (PODEMOS), o maior partido da oposição no país, solicita à Procuradoria-Geral da República (PGR) que forneça...