O político moçambicano Venâncio Mondlane denunciou o assassinato de 56 membros do seu projeto político, a Aliança Nacional por um Moçambique Livre e Autónomo (Anamola).
Em uma declaração feita em directo na sua página do Facebook, Mondlane convocou um minuto de silêncio, a entoação do hino nacional e apitos como forma de protesto contra estas mortes.
“O total de vítimas já contabiliza 56 membros do Anamola, incluindo Anselmo Vicente, coordenador do partido em Chimoio, brutalmente assassinados pelas Forças de Defesa e Segurança. Temos também 436 casos de violência, incluindo agressões e incêndios de casas, registados no partido”, afirmou Mondlane.
O último assassinato ocorreu na noite de sábado, quando Anselmo Vicente foi mortalmente atingido a tiro ao regressar de uma reunião partidária em Chimoio, acompanhando outro membro do Anamola. A polícia confirmou o crime e esclareceu as circunstâncias da morte do dirigente.
Mondlane afirmou que esses assassinatos refletem a “resistência” e a “aceitação” que o seu partido tem demonstrado, destacando a forte base social do Anamola. O ex-candidato presidencial enfatizou que a sua formação política está determinada a lutar por uma “Moçambique livre, justo e pacífico”.
Em resposta ao assassinato de Vicente, Mondlane convocou três dias de luto pedindo que, no primeiro dia, todos se vistam de preto como forma de protesto. Além disso, ele pediu a todos os simpatizantes do seu partido e aos moçambicanos que participem em um minuto de silêncio às 13:00 horas locais, sublinhando que esta não será uma marcha de rua, mas uma manifestação pacífica e silenciosa.
No decorrer dos três dias de luto, Mondlane propôs que se entoe o hino nacional de mãos dadas e que se utilizem buzinas, apitos e vuvuzelas, insistindo que o protesto deve permanecer pacífico e sem distúrbios.
“Nós, moçambicanos, devemos começar a mostrar e dizer um basta a esta situação, que não pode continuar. Amanhã, iniciamos os três dias de luto nacional, pedindo a todos que expressem o seu repúdio a esta perseguição, a esses assassinatos, e ao Governo que se tornou um regime de opressão”, apelou Mondlane.
Ele concluiu afirmando que esta ação será em memória de todos os moçambicanos que perderam a vida devido à injustiça, à ditadura e aos assassinatos perpetrados pelo regime.
















