O Presidente da República de Moçambique, Daniel Chapo, afirmou a intenção de aprofundar a colaboração com o Uganda no enfrentamento ao terrorismo, destacando a experiência deste país no combate a grupos extremistas como um recurso valioso para os esforços de estabilização na província de Cabo Delgado.
A declaração foi feita em Kampala, durante a avaliação da participação de Chapo na cerimónia de investidura do Presidente ugandês, Yoweri Museveni. O chefe de Estado moçambicano sublinhou que as relações entre Moçambique e Uganda são fundamentadas em laços históricos, forjados durante as lutas de libertação africanas.
“Histórica é a nossa relação com o Uganda. Os primeiros 80 combatentes da luta de libertação do Uganda foram treinados em Moçambique, incluindo o próprio Presidente Yoweri Museveni”, destacou Chapo.
Chapo também notou o conhecimento profundo de Museveni em relação à província de Cabo Delgado, especialmente no distrito de Montepuez, onde o presidente ugandense recebeu formação militar durante a luta armada no seu país. “Ele possui um conhecimento significativo de Montepuez e da província de Cabo Delgado, mantendo até hoje a capacidade de se expressar em português”, afirmou o estadista moçambicano.
A presença moçambicana na cerimónia em Kampala teve como principal objectivo reafirmar os laços históricos e políticos entre os dois países, heranças do período de independências africanas. “Tendo em conta essa relação histórica, considerámos de extrema importância estar presentes nesta tomada de posse”, reiterou.
Durante o seu discurso de investidura, Yoweri Museveni fez referência ao papel desempenhado por Moçambique, Tanzânia e Uganda nos movimentos de libertação do continente, destacando que “O Uganda praticamente nasceu na Tanzânia”, uma alusão à luta pela liberdade que também resultou na independência de Moçambique, onde a Frelimo foi formada em 1962.
Chapo mencionou também a presença da Presidente da Tanzânia, Samia Suluhu Hassan, no evento realizado na capital ugandesa. Em comunicado, o Presidente da República enfatizou a importância de intensificar a colaboração económica entre Moçambique e Uganda, visando a melhoria das condições de vida das populações dos dois países.
“O nosso objetivo é fortalecer constantemente as relações de amizade e de cooperação, criando condições para o desenvolvimento económico e melhoria das condições de vida dos nossos povos”, concluiu.
Questionado sobre a possibilidade de Moçambique beneficiar da experiência ugandense no combate ao extremismo violento, Chapo reconheceu a sólida trajetória de Uganda neste contexto. “O Uganda tem vasta experiência no combate ao terrorismo. O Presidente Museveni entende profundamente a situação em Cabo Delgado, e Moçambique considera Uganda um parceiro estratégico na luta contra o terrorismo que afeta a província”, asseverou.
Desde Outubro de 2017, Cabo Delgado tem enfrentado ataques terroristas relacionados a grupos extremistas, resultando em mais de três mil mortes e cerca de um milhão de deslocados.















