O líder do partido sul-africano EFF (Economic Freedom Fighters), Julius Malema, acusou na quinta-feira (15) os agricultores sul-africanos de serem “racistas” e “terroristas”, ameaçando “defender” a democracia na pequena cidade rural onde um agricultor branco foi brutalmente morto alegadamente por dois negros.

“Não vamos permitir que os brancos nos tratem assim, julgam que damos atenção ao que ele [ex-Presidente Kgalema Mothlante] diz, julgam que ouvimos Mbeki, Zuma e Mandela, nunca iremos tolerar este estado de coisas, isto tem de acabar”, disse quinta-feira Julius Malema em entrevista ao canal de televisão por cabo sul-africano Newsroom Afrika.

O líder da esquerda radical referiu que planeia protestar na sexta-feira em Sekendal, mais de 200 quilómetros a sudoeste de Joanesburgo, salientando: “Estes brancos devem saber que não somos crianças, este é o nosso país, também pertencemos a esta terra”.

“E se ir a Senekal vai originar uma guerra civil, se por um homem exercer os seus direitos constitucionais vai haver uma guerra civil, então que assim seja”, adiantou.

Questionado pelo canal se os membros do partido irão também estar armados durante o protesto, o político de esquerda radical declarou: “Nós vamos defender o tribunal de justiça com os nossos próprios corpos, se alguém morrer por defendermos a justiça e a polícia, então que assim seja, se alguém disparar [uma arma de fogo], nós disparamos também”.

Na entrevista, Julius Malema, antigo líder da Liga da Juventude do ANC, o partido no poder desde 1994 na África do Sul, acusou a polícia de ser “incapaz de se defender apesar de ter a proteção da lei”, frisando ainda que a sua organização política não defenderá os dois suspeitos negros do homicídio do jovem agricultor branco Brendin Horner, 22 anos.

“Os criminosos devem apodrecer na prisão quando condenados, não temos interesse naqueles que matam pessoas inocentes, particularmente civis que estão a tentar fazer uma vida honesta”, salientou.

Malema, que em setembro liderou uma ação de vandalização de 40 farmácias em cinco províncias do país, adiantou: “Vamos a Senekal para defender a nossa democracia, a nossa Constituição que está a ser ameaçada por agricultores racistas e terroristas que atacam um tribunal de justiça, uma esquadra da polícia, e perseguem agentes policiais, isso é uma declaração de guerra contra o Estado”, declarou.

Segundo um porta-voz policial, os dois homens acusados do homicídio do jovem agricultor, que devem comparecer pela segunda vez na sexta-feira no tribunal de Senekal, foram detidos a 3 de outubro, um dia depois de o corpo de Brendin Horner ter sido encontrado pela polícia pendurado num poste num terreno próximo da fazenda agrícola onde trabalhava como gerente.