O Gabinete de Estudos Económicos do Standard Bank considera que as reservas de Moçambique em moeda estrangeira subiram para 3,9 mil milhões de dólares, o valor mais alto de sempre, devido a impostos do gás.

“O recente fluxo financeiro de 880 milhões de dólares em impostos de ganhos de capital, representando o custo da Occidental-Total pela compra dos activos da Anadarko na bacia do Rovuma, ajudou a aumentar as reservas em moeda estrangeira, para o valor mais alto de sempre, 3,9 mil milhões de dólares, o que representa mais de seis meses de importações”, escrevem os analistas.

No relatório mensal sobre os mercados financeiros africanos, enviado aos clients e a que a Lusa teve acesso, os analistas económicos do Standard Bank escrevem, na parte dedicada a Moçambique, que “o actual nível de reservas em moeda estrangeira deve apoiar o metical apesar de a actividade económica continuar abaixo do potencial”.

O Standard Bank prevê uma “recuperação económica lenta”, com o Produto Interno Bruto a crescer 3,7 por cento em 2020 e 2,5 por cento este ano, “não muito acima do que a taxa de crescimento da população, estimada em 3 por cento, mas mais baixo que a previsão do Fundo Monetário Internacional, que aponta para uma expansão de 5,5 por cento em 2020”.

As actividades do sector primário “continuam abaixo do potencial, e os investimentos no sector do gás natural liquefeito só se vão intensificar na segunda metade do próximo ano”, argumentam os analistas, para explicar a diferença sobre as estimativas do Fundo.

Em 2020 é “possível um programa de apoio financeiro do FMI”, agora que o acordo com os credores da dívida soberana foi concluído e que as agências de ‘rating’ tiraram o país do Incumprimento Financeiro, dizem os analistas, concluindo que isso “apoiaria um avanço nas reformas estruturais e um fortalecimento em matéria de governação, em vésperas de uma previsível ‘explosão’ do sector do gás”.

Folha de Maputo