O principal suspeito de um esquema de corrupção das “dívidas ocultas” de Moçambique, Jean Boustani, pediu na quarta-feira a anulação de toda a acusação do governo dos Estados Unidos da América, alegando que nunca negociou no território norte-americano.

Para além da moção de destituição (“motion to dismiss”), a defesa avançou com uma moção para supressão de provas e pediu ao juiz uma audição, antes do julgamento de 07 de Outubro, a respeito das provas obtidas pelos procuradores fora dos parâmetros dos mandados autorizados pela Justiça federal.

Jean Boustani, cidadão libanês e ex-responsável de vendas da empresa Privinvest, dos Emirados Árabes Unidos, voltou assim a declarar-se inocente das acusações de conspiração de fraude monetária eletrónica, fraude financeira e lavagem de dinheiro.

O juiz William Kuntz, do Tribunal Federal de Brooklyn (Eastern District of New York), concedeu às equipas de defesa e de acusação quatro semanas para reverem a moção de destituição da acusação.

O negociador Jean Boustani é suspeito de montar um esquema de corrupção de venda de navios da Privinvest a preços inflacionados a três empresas estatais moçambicanas e conspirar para acumulação de investimento estrangeiro fraudulento, em empréstimos ilegais no valor de mais de dois mil milhões de dólares que ficaram na dívida pública Moçambique, daí chamadas dívidas ocultas.

A audição de quarta-feira centrou-se numa moção da defesa para descartar todas as acusações dos procuradores norte-americanos, alegando que “não é preciso perder tempo com as acusações de fraude” porque os factos ocorreram na Europa, não nos Estados Unidos e não pode ser aplicado o código penal americano.

A defesa disse também que os procuradores federais americanos fazem falsas acusações de Jean Boustani estar ligado a transferências de dinheiro internacionais que, na verdade, não tiveram intermediários.

CM