Politica Beatriz Buchili defende agravamento de penas por estupro

Beatriz Buchili defende agravamento de penas por estupro

A Procuradoria-Geral da República (PGR) considera que o abuso sexual, que tem afectado em grande medidas as crianças e adolescentes em Moçambique, já não é apenas um problema de natureza criminal, mas, sobretudo, de saúde pública. Por isso, “urge o estabelecimento de penas mais severas” para alguns tipos desta atrocidade.

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A guardiã da legalidade, Beatriz Buchili, que semana passada apresentou o informe anual (2016) sobre o acesso ao direito e à justiça, à Assembleia da República (AR), recordou aos mandatários do povo que os crimes contra a liberdade sexual, não só afectam a integridade física as vítimas, o seu desenvolvimento da personalidade, como também abalam a sua sociabilidade.

A procuradora defendeu a necessidade de se fortalecer as medidas individuais e conjuntas de prevenção e combate do estupro, bem como a introdução de reformas legislativas sobre esta matéria.

Segundo explicou e argumentou Beatriz Buchili, actualmente, a protecção das vítimas de violação sexual abrange os menores de 12 anos de idade e impõe-se que a faixa etária seja alargada para 18 anos, “de modo a conformar a legislação interna aos compromissos internacionais assumidos pelo nosso país”. Ela referiu ainda, neste contexto, que a introdução de “penas mais severas” deve incidir sobre crimes relativos a “utilização de menores em pornografia, lenocínio e corrupção de menores, actualmente puníveis com penas correcionais”.

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Num outro desenvolvimento, a guardiã da legalidade exortou aos Serviços de Medicina Legal a realizarem e apresentar, “em tempo útil”, os relatórios atinentes aos abusos sexuais, com vista a garantir que o cumprimento dos prazos processuais e rápido esclarecimento dos casos.

Todavia, de acordo com o informe de Beatriz Buchili, nenhuma acção tomada no sentido de travar este mal social poderá surtir efeito se os pais e encarregados de educação não assumirem que os potenciais agressores são familiares directos das vítimas, ou seja, os pais, tios, sobrinhos, vizinhos, entre outros.

A denúncia tardia destes tipos legais de crime e a tendência de ocultá-los, quer por medo ou receio de expor a vítima ou família, quer para proteger o agressor, ou mesmo por promessas de recompensa, compromete a recolha de provas” para a reconstituição do crime e responsabilização dos estupradores.

Os serviços hospitalares de atendimentos a quem tenha sido sujeito ao abuso sexual têm vindo a melhorar e já é possível assegurar um atendimento único, completo, multissectorial e psicológico, mas o desafio de expansão dessas mesmas unidades sanitárias mantém-se, disse Beatriz Buchili.

Em 2016, foram instaurados 577 processos de abuso sexual de crianças de 12 anos de idade, contra 346, em 2015. O grosso das vítimas vive em situação de vulnerabilidade social e familiar, lê-se no relatório da PGR.

@Verdade

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