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ONU considera “crítica” a área de emprego em Moçambique

As Nações Unidas consideraram “crítica” a área de emprego em Moçambique e apelaram às autoridades moçambicanas para “redobrarem” os esforços visando melhorar o desempenho do sector, de modo a contribuir para redução da pobreza no país.

Falando esta semana na 14.ª sessão do Observatório de Desenvolvimento, uma plataforma da sociedade civil moçambicana, o representante interino da ONU em Moçambique, Koenraad Vanormelingen, considerou “necessário que os esforços nesta frente sejam realmente alcançados e redobrados”.

“Embora tenham sido criados mais de 106 mil empregos, chegam, em cada ano, quase 300 mil jovens ao mercado, então apoiamos os esforços do governo nesta área critica. É necessário que os esforços nesta frente sejam realmente alcançados e redobrados, com uma atenção muito especial ao aumento da produção agrícola e pesqueira”, disse Koenraad Vanormelingen, que é igualmente representante do Fundo da ONU para a Infância (UNICEF) em Moçambique.

Nos últimos anos, Moçambique tem sido palco de descoberta de recursos naturais que têm atraído multinacionais e contribuído para criação de empresas nacionais, mas ainda persistem problemas de promoção de crescimento e desenvolvimento de uma economia pró-emprego.

De acordo com a Estratégia Governamental de Emprego e Formação Profissional em Moçambique (2006-2015), “anualmente ingressam no mercado de trabalho cerca de 300.000 jovens, os quais exercem uma grande pressão sobre o mercado de emprego, que é incapaz de gerar postos de trabalho suficientes para os absorver”.

O documento reconhece que devido ao considerável peso do trabalho infantil, sobretudo no meio rural, onde crianças a partir dos sete anos de idade realizam trabalho agrícola, a procura de emprego tem sido prematura, face ao impacto do VIH/SIDA.

Koenraad Vanormelingen felicitou o executivo moçambicano por ter alcançado a quarta meta dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio da ONU, a redução da mortalidade infantil, contudo, considerou haver ainda desafios nas áreas de subnutrição crónica e na educação.

Segundo dados governamentais, a População Economicamente Activa, em Moçambique é de 5,9 milhões de pessoas, constituída maioritariamente por trabalhadores por conta própria (52%) e trabalhadores familiares não remunerados (33,7%).

Apenas 11,1% são assalariados, dos quais 4,1% são absorvidos pelo governo e sector público e 6,9% pelo sector privado, refere a Estratégia de Emprego e Formação Profissional em Moçambique (2006-2015).

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