A juíza Berta Salomé Zita, que julga os quatro indivíduos acusados de rapto do proprietário da empresa Incopal, Ibrahim Gani, marcou para a próxima terça-feira a apresentação das alegações finais por parte dos intervenientes processuais.
O Ministério Público, na pessoa da procuradora Glória Adamo, irá apresentar os seus argumentos de prova colhidos desde o dia 20 de Agosto, data em que iniciou o julgamento de Arlindo Timane, Manoa Valói, Inácio Mirasse e Edson Vombe, todos acusados de serem os autores do crime.
Por seu turno, segundo escreve hoje o Noticias, os advogados Boavida Zandamela (do réu Edson Vombe), Jeremias Mondlane (dos arguidos Manoa Valói e Inácio Mirasse) e Ângelo Nkutumula (de Arlindo Timane), apresentarão as suas posições no sentido de tentar provar a inocência dos seus clientes.
Ouvido na terça-feira, na condição de declarante, Issufo Momed negou em Tribunal ter sido pago qualquer valor para a libertação do seu irmão e dono da empresa Incopal, Ibrahim Momed Gani, uma ocorrência de 19 de Maio do ano passado.
Na semana passada, a vítima, quando ouvida pelo Tribunal, também como declarante, disse que teria sido o seu irmão Issufo Momed que negociou directamente com os raptores e, por essa via, este estava em melhores condições de falar sobre o valor do resgate.
Questionado pela juíza sobre tudo o que sabe em relação ao valor do resgate para libertar o seu irmão, Issufo Momed disse simplesmente que não foi pago nada porque a família não tinha dinheiro para satisfazer qualquer exigência dos sequestradores.
A Procuradoria- Geral da Republica (PGR) avançou no seu informe anual que foi pago um milhão de meticais (cerca de 34 mil dólares norte-americanos) pela família da vítima para o libertar, o que está a ser rejeitado pelos parentes do empresário.
“Não pagamos nenhum valor pelo resgate. O meu irmão foi raptado num sábado e no dia seguinte os raptores ligaram para confirmar que estavam com ele. Na quarta-feira recebi várias chamadas dizendo para eu preparar muito dinheiro. Disse-lhes que não tinha dinheiro e sugeriram que vendesse alguns bens. Expliquei que não podia vende-los sem a assinatura do meu irmão, pois somos sócios. Na quinta-feira voltaram a ligar e a pressionar, mas foi na sexta-feira que as chamadas tinham uma tonalidade ameaçadora, uma vez que diziam que eu tinha avisado a Polícia e que por isso ameaçavam matá-lo. No sábado, soltaram-no sem termos pago nada” – assim se pronunciou Issufo Momed, citado pelo Noticias.
Após a soltura, segundo explicou Issufo Momed, o seu irmão ligou-lhe a dizer que estava livre algures em Mahlampsene. Contou ainda que as primeiras chamadas dos raptores vinham com os números de telemóveis visíveis mas que as outras estavam privatizadas.
O Tribunal ouviu na condição de declarante Luís Carlos Manuel da Silva, detido numa cela do Comando da PRM na cidade de Maputo suspeito de envolvimento em outros casos de sequestros. Chamado pelo Ministério Público a dizer se reconhecia alguns dos co-réus, ele disse que apenas conhece e de vista Arlindo Timane e Edson Vombe. O primeiro porque viviam juntos e o segundo porque a irmã era amiga de um primo seu.

















