Politica Assembleia da República volta a “engavetar” Lei de Acesso à Informação

Assembleia da República volta a “engavetar” Lei de Acesso à Informação


É o triunfo da falta de vontade política por parte do partido Frelimo. A Comissão Permanente da Assembleia da República reuniu-se esta quinta-feira e marcou para 16 de Outubro a 20 de Dezembro a próxima sessão ordinária do parlamento moçambicano, por sinal a última do ano e penúltima da legislatura.

Curiosamente, a Comissão Permanente, dominada por uma maioria esmagadora da Frelimo, aprovou um rol de matérias rotineiro composto por pontos como o Orçamento do Estado para 2014, o Informe Anual do Chefe de Estado, a Revisão do Código Penal e Informações do Governo. Não consta do rol de matérias a tão esperada Lei de Acesso à informação que “vegeta” nas gavetas do parlamento há 8 anos.

Segundo o porta-voz da Comissão Permanente, a Lei de Acesso à Informação ainda “está em processo de consensualização”. O projecto está há mais de oito anos no parlamento. É caso para dizer que está em “consensualização” quase que infinita.

A verdadeira razão do não agendamento da Lei de Acesso à Informação

O roteiro que está a seguir o projecto da Lei de Acesso à Informação tem todos os condimentos para uma longa-metragem. Estava previsto que a sessão extraordinária da Assembleia da República, agendada em Julho, debatesse o Projecto de Lei de Acesso à Informação. Só que à última hora a Comissão Permanente viu-se obrigada a retirar o ponto do rol de matérias, alegadamente para fazer “últimos acertos com demais legislações”.

Segundo o presidente da Comissão da Administração Pública, Poder Local e Comunicação Social, que assumiu o projecto do MISA (o MISA não é órgão competente e com iniciativa de Lei), Alfredo Gamito, o projecto de Lei de Acesso à Informação foi retirado da agenda porque precisava de estar harmonizado com demais legislações. No rol da referida legislação, ainda segundo Alfredo Gamito, consta a Lei de Imprensa e a Lei de Segredo do Estado.

Recomendado para si:  Daniel Chapo promulga Lei do Banco de Desenvolvimento de Moçambique

“É para evitar que certas disposições preconizadas pela Lei de Imprensa não entrem em contradição com estas demais leis”, disse.

Mas o Canalmoz soube de fonte sénior da Assembleia da República que a relevante razão que levou a que fosse retirado o Projecto de Lei de Acesso à Informação da agenda desta sessão extraordinária prende-se com o facto de o Governo ainda não ter dado o seu “parecer” em relação ao projecto em si. “O Governo está com muitos receios em relação à Lei de Acesso à Informação. Aliás, quer parecer-me que ninguém do Governo já compulsou o projecto na sua totalidade, daí que houve ordens para que se retirasse a matéria da agenda, para dar tempo ao Governo para comentar e dizer o que pode avançar e o que deve ser retirado”, disse a fonte.

Recorde-se que o projecto de Lei de Acesso à Informação está há oito anos nas gavetas da Assembleia da República e nunca houve vontade política por parte da Frelimo para debater o assunto. Uma das grandes inovações do ante-projecto de Lei sobre o Direito de Acesso à Informação é a obrigatoriedade de disponibilização por parte das entidades públicas de todo o tipo de informação que pelo seu carácter seja de interesse público. É, na verdade, um grande contributo que a Lei vem prestar aos órgãos de comunicação social, pesquisadores, académicos e ao público em geral. E dentre essas obrigatoriedades, figuram a necessidade de os órgãos públicos disponibilizarem para o consumo público os rendimentos dos titulares dos cargos públicos e a publicação, sem prejuízo do segredo do Estado, de contratos que o Estado tem com outras entidades.

Destaques da semana