A campanha de tratamento iniciada semana passada tem por objectivo controlar uma doença com elevada prevalência no nosso país, que é schistosomiase ou bilharziose, mais conhecida por doença em que a criança urina sangue que é grave.
Falando numa conferência de imprensa para esclarecer a desinformação passada por alguns órgãos de comunicação social, o director nacional de Saúde Pública, Mouzinho Saíde disse que o MISAU fez um estudo em 2007, nos 128 distritos do país onde se constatou uma elevada prevalência que rondava, nalguns casos, aos 100 por cento.
“Nalguns distritos do país cem por cento das crianças tinha bilharziose e dos 128 distritos, 63 destes com prevalência superior a 50 por cento, o que nós chamamos distritos hiperendémicos. Por isso estamos perante uma situação grave que afecta as nossas crianças e que tem implicação grave no rendimento escolar e na fase adulta”, alertou.
A bilharziose contrai-se brincando em águas onde existe o caracol causador dessa doença. A criança afectada, manifesta passado algum tempo sintomas como urina com sangue, dor ao urinar, complicações na bexiga que podem levar ao cancro, para além da bilharziose intestinal que pode levar à diarreia, a dor abdominal, a hipertensão dentro do abdómen, varizes esofágicas (vómitos com sangue), aumento do fígado, o que afecta mais as crianças.
Como recomendação da Organização Mundial da Saúde, OMS, o MISAU tem levado a cabo campanhas de tratamento massivo do grupo-alvo há mais de cinco anos, numa actividade que tem sido feita nas escolas, em coordenação com o Ministério da Educação.
Lamenta o facto de haver desinformação à volta da desparasitação da bilharziose. O nosso grupo-alvo é de 1500 crianças e temos ouvido determinada imprensa a dizer que em Boane morreu uma criança por causa da desparasitação.
“É uma notícia falsa. O medicamento que é utilizado é chamado praziquantel e damos 40 mg por kg de peso e fazemos a medição de altura. Para isso usamos um altímetro, sendo que crianças com menos de 94 centímetros não fazem a medicação. O medicamento é tolerado. Ocasionalmente, contudo e sobretudo em situações massivas pode causar desconforto abdominal, náuseas, cefaleias, vertigens e sonolência, raramente febre e urticária e no caso da schistosomiase intestinal ritorragias”, disse.
Deplora o facto de aparecerem pessoas não credenciadas para determinar as causas da morte de um indivíduo e publicamente associarem a morte de uma determinada pessoa a um determinado medicamento.
Sobre a morte registada em Boane, província de Maputo, cuja vítima tinha tomado praziquantel dias antes, Saíde explicou citando informação de colegas daquele hospital que a criança tinha sido acometida por uma anemia grave e malária e não morreu por efeito do medicamento”, enfatizou.
A ocorrência de vómitos é normal e está prevista, sobretudo se a criança estiver com fome ou algum outro problema mas reiterou que se trata de um medicamento seguro.
Para fazer face a esta desinformação, o MISAU vai recorrer a uma prática antiga em que cada pai passa a assumir o compromisso no caderno do seu filho, autorizando ou não que esta tome a medicação ou então, a criança passará a levar o medicamento para casa.
O MISAU fez de 22 a 26 de Abril uma campanha de desparasitação nas províncias de Zambézia, Tete, Maputo cidade e Maputo província, bem como iremos também à província de Manica com o objectivo de atingir um milhão e meio de crianças entre os cinco e 15 anos.
Jornal Noticias