Amélia Buque, responsável daquela unidade hospitalar recentemente implantada no país, disse estar para breve o início da cirurgia à retina, que até agora não era feita nos hospitais moçambicanos.
Com a sua equipa já reforçada em termos de recursos humanos, Amélia Buque assegura que aquele hospital preencherá uma lacuna no tratamento e seguimento pós-operatório de pacientes que recorriam ao exterior para o efeito ou que, nalguns casos, terminavam na condição de deficientes visuais e eternos dependentes.
São vários os casos tratados por aquele hospital, dos quais se destacam a cirurgia de catarata a “laser” realizada com sucesso em Maputo, o transplante da córnea e descolamento da retina, com a parceria indiana. Os dois últimos casos foram tratados com sucesso na Índia, numa altura em que em Maputo estavam ainda a ser criadas as condições técnicas para a sua efectivação.
Ivo Arnaça pode-se dar hoje por um pai feliz, depois de viver momentos de desespero com a informação médica de que a sua filha, recém-nascida, jamais teria a visão.
A notícia foi um autêntico “balde de água fria” para os pais da menina, que, inconformados, procuraram outras soluções na vizinha África do Sul. Lá, os preços para tal tratamento eram para além das suas capacidades financeiras e eles tiveram de regressar a Maputo, sem submeter a criança aos cuidados médicos.
Foi na tentativa de reunir o dinheiro para tentar a sorte que receberam a proposta de experimentar os serviços do Hospital de Olho Dr. Agarwal. Depois de reexaminada, antevia-se uma solução encorajadora mas, porque ainda não havia condições criadas em Maputo, a operação só podia acontecer na Índia.
Hoje, com a menina já tratada e a um preço mais baixo, aos pais resta fazer o seguimento do tratamento por um período de um ano. A pequena Kaylane está agora com oito meses de idade e antes nunca tinha visto o rosto dos seus pais, o que já é possível depois da intervenção cirúrgica.
O pai lembra-se que o primeiro diagnóstico feito no HCM foi logo nos primeiros dias de vida da pequena Kaylane. A recomendação foi aplicar gotas, mas passadas algumas semanas não melhorou. A decisão foi de os pais se prepararem porque não havia outra solução senão a filha ficar cega, esgotada que era a possibilidade de cura.
Armando Manjate tem agora 73 anos de idade, dos quais 25 passados com sérios problemas de visão, que já o obrigavam a depender de terceiros para ir a certos locais. Feliz por poder ver as cores que a natureza proporciona, Mandlate considera aquele hospital uma autêntica progenitora que veio completar uma parte do seu organismo, antes em falta, ao devolver-lhe a vista.
O Hospital Agarwal, implantado no nosso país desde o ano passado, foi fundado em 1957 pelo Dr. Agarwal, e hoje conta com uma rede de 62 hospitais espalhados pela Índia e sete no continente africano.
O patrono daquela unidade hospitalar faz parte da academia americana de oftalmologistas.