Motoristas de camiões de longo e médio curso amotinaram-se na cidade de Nampula, ao longo da Estrada Nacional Nr. 1, próximo à Fabrica de Cervejas, embaraçando o trânsito rodoviário em manifestação contra a alegada falta de consideração do patronato.

Atitude que segundo eles se traduz na ausência de contratos de trabalho e consequente inscrição no sistema de previdência social, bem como salários baixos e responsabilização arbitrária dos avisos de multas emitidos pela Polícia de Trânsito, por conta das transgressões do Código de Estrada.

Para conter os ânimos, a PRM foi chamada a intervir, trabalho que culminou com a detenção de vários camionistas, cujo número não apurámos, uma vez que alguns dos grevistas chegaram a pôr a ordem pública em causa, impedindo a normal circulação rodoviária e forçando que outros motoristas aderissem à manifestação.

Gerson Luís, um dos grevistas abordado pelo nosso jornal, defendeu que a greve era legal porque todas as autoridades foram comunicadas e não via razões para as detenções que aconteceram, exigindo a libertação dos colegas.

Elísio Francisco, outro motorista manifestante explicouque a maioria dos proprietários dos camiões trata aquela classe profissional “como se fosse lixo”, uma vez que até o salário não corresponde ao esforço e responsabilidade empreendidos.

“Nós também precisamos de um valor porque somos pessoas como as outras. Viajamos longas distâncias durante dias sem dinheiro para nos alimentarmos…”, disse Francisco.

Aliás, Associação Moçambicana de Motoristas (AMMO), emitiu um comunicado na terça-feira, avisando que iria paralisar as actividades dos seus membros, por via duma greve pacifica, de âmbito nacional, a partir das 6.00horas de ontem (quarta-feira), por tempo indeterminado, indicando alguns pontos onde a manifestação se faria sentir, nas zonas Sul, Centro e Norte.

O presidente da Associação dos Transportadores de Nampula (ASTRA), Luís Vasconcelos, disse que a greve em alusão devia ser direccionada às empresas para as quais os camionistas trabalham e não afectar a livre circulação de pessoas e bens. “Com isto, queremos pedir a intervenção das autoridades no sentido de não compactuar com estadecisão dos camionistas”, disse na altura Vasconcelos.

O porta-voz da PRM em Nampula, Zacarias Nacute contactado para se pronunciar quanto ao número de camionistas detidos, prometeu pronunciar-se sobre o assunto, nos próximos dias.