O Presidente da Rússia, Vladimir Putin, anunciou no domingo (30), que 755 diplomatas dos EUA serão expulsos do país até 1 de Setembro.
Moscovo responde assim às novas sanções aprovadas pelo Congresso norte-americano, uma semana antes, divulgando finalmente o número de representantes diplomáticos dos EUA envolvidos na decisão que, de resto, já havia sido anunciada na sexta-feira.
Numa entrevista transmitida neste domingo, o Presidente russo referiu que poderiam ser estudadas outras medidas adicionais contra os EUA, acrescentou porém que por agora rejeita esse cenário.
“Hoje, sou contra”, disse Putin, citado pela Reuters, nessa entrevista ao canal VestiTV. Segundo o diário nova-iorquino The New York Times, o líder russo terá dito que se tinha esgotado a paciência com que a Rússia aguardou para melhorar as suas relações com os EUA.
“Decidi que é hora de mostrarmos que não fica sem uma resposta nossa“, prosseguiu Putin, citado pelo jornal online Politico. “Aguardamos há bastante tempo que talvez algo pudesse mudar para melhor, tínhamos esperança de que a situação fosse mudar. Mas parece que nada vai mudar nos próximos tempos“, sustentou o Presidente russo, agastado com a lei das novas sanções contra a Rússia aprovadas nas duas câmaras do Congresso dos EUA.
Putin assinou também uma lei que proíbe a tecnologia VPN, que permite o acesso a sites proibidos na Rússia, bem como software que permite aceder à Internet de forma anónima. A proibição entrará em vigor a 1 de Novembro, diz a Reuters.
Segundo o líder russo, os EUA terão mais de 1000 funcionários na Rússia, espalhados por diferentes embaixadas e missões diplomáticas. O objectivo de Putin é que os EUA fiquem na Rússia com o mesmo número de funcionários diplomáticos (455) que os russos têm nos EUA, atingindo assim uma espécie de “paridade diplomática” entre as duas administrações.
Além da expulsão de pessoal, a Rússia vai confiscar duas propriedades que estão nas mãos da diplomacia norte-americana, como medida de retaliação contra as sanções que o Congresso fez passar para castigar a interferência da Rússia nas eleições presidenciais de 2016 nos EUA.
O diploma segue para a secretária de Donald Trump, que pode dar luz verde ao pacote legislativo ou travá-lo, exercendo o poder de veto. Mas, mesmo que o Presidente norte-americano o vete, a lei voltaria ao Congresso, que tem poder para anular a rejeição presidencial, pois a lei foi alvo de um acordo entre republicanos e democratas que possibilitou uma maioria de mais de dois terços, que torna quase impossível o bloqueio de Trump.
De acordo com o documento, as sanções por causa dos ataques informáticos da Rússia só poderão ser alteradas pelo Presidente se a Casa Branca conseguir provar que os russos recuaram nos seus programas de ingerência na política americana por meios informáticos; e as sanções por causa da anexação da Crimeia só poderão ser aligeiradas ou retiradas por Donald Trump se o Presidente conseguir provar que a Rússia cumpriu todas as exigências feitas aquando da aplicação da primeira leva de sanções – duas exigências do Congresso que, na prática, atam as mãos do Presidente Donald Trump para agir sozinho na questão das sanções à Rússia.
Ainda por cima, Trump ficou numa posição muito difícil: se vetar a proposta do Congresso, vai ser soterrado em novas acusações de conluio; se a aprovar (como parece ser o caso, de acordo com a nova porta-voz da Casa Branca), vai perder margem de manobra para lidar com a Rússia da forma que acha mais correcta.
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