Em resposta às incursões cada vez mais frequentes das tropas governamentais no interior da Gorongosa, com o objectivo de assassinar Afonso Dhlakama, a Renamo proclamou, na tarde de segunda-feira, o fim da trégua anunciada no passado dia 7 de Maio.

Em conferência de imprensa dada em Maputo, o porta-voz António Muchanga anunciou: “Os comandantes da Renamo entendem que só se voltará ao cessar-fogo depois dum entendimento pelas duas delegações nas negociações e com a chegada da mediação internacional, que possa garantir o respeito pelo compromisso entre as duas partes”.

“Enquanto o entendimento não for alcançado, o cessar-fogo decretado no dia 7 de Maio pela Renamo considera-se suspenso, porque os confrontos no terreno são uma realidade” disse António Muchanga, alertando os utentes do troço Muxúnguè-Save de que “a Renamo não se responsabilizará por nada do que vier a acontecer daqui em diante.”

A Renamo acusa o Governo de não assumir as suas responsabilidades perante o gesto de boa vontade que havia sido unilateralmente manifestado por si, ao decretar o cessar-fogo em todas as regiões do país.

“Queremos chamar a atenção ao povo moçambicano e à comunidade internacional que o Governo da Frelimo pretende perpetuar o sofrimento dos utentes da rodovia Muxúnguè-Save para usar na propaganda eleitoral”, disse Muchanga.

O partido Renamo diz que é pela paz e que está ciente dos retrocessos que esta sua atitude representa para o país e lamenta: “Perante a arrogância e prepotência das forças do Governo no terreno, não há outra escolha que não seja as forças da Renamo defenderem-se com todos os meios de que dispõem”.

Baixas nos efectivos militares do Governo

Enquanto isso, pelo menos 20 vinte elementos pertencentes às forças combinadas das FADM/FIR são dados como tendo sido mortos em combates com as forças da Renamo nos últimos três dias na região da Gorongosa.

A Renamo, na conferência de imprensa na tarde de segunda-feira em Maputo, reivindicou igualmente o ferimento de mais de 30 homens das forças governamentais, enquanto 29 teriam sido desarmados.

António Muchanga, porta-voz do presidente da Renamo, disse a jornalista que os últimos dias do mês de Maio deste ano foram caracterizados pelo retorno aos combates militares na região da Gorongosa, na sequência de confrontos registados na zona de Mazembe.

A Renamo, pela voz de António Muchanga, deu a conhecer que os combates resultaram em baixas, com mortos e feridos, incluindo do comandante das forças governamentais que dirigia uma das operações.

Segundo Muchanga, nestes confrontos, cerca de duas dezenas de soldados do Governo perderam a vida, mais de três dezenas ficaram feridos, enquanto 29 perderam-se pela mata dentro, tendo sido desarmados sem resistência pelos homens da Renamo.

A Renamo afirma que outros efectivos do Governo entraram no Parque Nacional da Gorongosa, durante a fuga em direcção à cidade de Dondo.
“Chegados ao quartel, porque se manifestaram contra os combates, foram presos, acusados de serem agitadores. Estes militares, embora presos, garantem que, logo que saírem, vão abandonar as Forças Armadas, porque já perceberam que não há razões para serem usados neste conflito”, disse Muchanga.

Ainda na Gorongosa, segundo a Renamo, concretamente em Sandjundjira, 53 militares que estavam num posto abandonaram a zona no dia 31 de Maio.
“Esta era a maior operação militar planificada pelo Estado-Maior General do Governo este ano, que visava dar o golpe fatal à Renamo, com o assalto final e a consequente captura e morte do presidente Afonso Dhlakama e de elementos da sua segurança”, disse o porta-voz do presidente da Renamo.

A Renamo diz que a operação falhou por ter havido colaboração das próprias FADM/FIR, que alertaram as forças da Renamo sobre o que estava para acontecer, permitindo que estas se preparassem para a “recepção dos atacantes”.

Segundo António Muchanga, as forças governamentais foram enfrentadas em Mucodzi, Canda, Phiro, junto ao rio Nhadue, local onde se recenseou Afonso Dhlakama no dia 7 de Maio.

Acrescentou que foram realizadas operações similares na noite do passado domingo, em Magomone, onde as forças governamentais atacaram uma base da Renamo, culminando com a perseguição às tropas do Governo até à Estrada Nacional Número 1 (EN1), no troço Muxúnguè-Save.

“Os confrontos registados na zona da estrada resultaram na destruição de quatro viaturas militares, mortes e ferimentos”, disse Muchanga.