Enquanto as armas ecoam no troço Muxúnguè-Save, as delegações do Governo e da Renamo, reunidas em Maputo na segunda-feira, na 61ª ronda das negociações, não chegaram a nenhuma conclusão sobre termos de referência relativos aos observadores militares internacionais.

O ministro dos Transportes e Comunicações, Gabriel Muthisse, que nesta segunda-feira encabeçou a delegação governamental às negociações, descreveu a ronda como tendo decorrido num ambiente de “cordialidade, consensualidade e menos agressiva em relação à ronda da semana passada”.

O ministro disse, por outro lado, que na sessão os observadores nacionais trouxeram uma proposta reformulada, que “as partes consideram boa, mas que na discussão houve diferenças fundamentais”.

Muthisse acrescentou que a Renamo considera que os observadores internacionais devem verificar o processo da sua integração nas Forças de Defesa e Segurança, e “que a sua desmilitarização seria mais tarde”.

“A separação do processo (integração e desmilitarização) que a Renamo faz, pode-nos submeter a uma situação nova, que seria incorporar seus elementos nas Forças de Defesa e Segurança e ela continuar militarizada”, disse o ministro dos Transportes e Comunicações.

Outra exigência que a Renamo voltou a colocar, ainda segundo o governante, tem a ver com a retirada das FDS nas zonas de conflito (cerco feito a Dhlakama), “o que o Governo considera não ter cabimento”.

“A Renamo deve perceber que não pode exigir a retirada das FDS das zonas de conflito, enquanto ela não cessar com as hostilidades e continuar militarizada”, declarou Gabriel Muthisse em conferência de imprensa.

O Governo, segundo a mesma fonte, exige que este aspecto seja incorporado nos termos de referência sobre a missão dos observadores internacionais.

O Governo moçambicano voltou a considerar irrealistas algumas exigências às quais cedeu, como, por exemplo, a integração massiva de partidos políticos na Comissão Nacional de Eleições e no Secretariado Técnico de Administração Eleitoral.

“A cada cedência que fazíamos, vinham mais exigências irracionais da Renamo”, declarou o chefe da delegação governamental na 61a sessão das negociações.

Segundo representante do Governo, o entendimento a que se chegou, entre as partes, é que o encontro entre o presidente da República, Armando Guebuza e o presidente da Renamo, Afonso Dhlakama, só deverá realizar-se depois de estarem harmonizados os pontos em discussão, que poderão dar por encerrados os termos de referência sobre a missão dos observadores militares internacionais.

Entretanto, a Renamo não compareceu na conferência de imprensa, por razões que, segundo fontes protocolares, se prendem com contactos que estavam a manter telefonicamente com a direcção do seu partido sobre o ponto da situação em que terminou a ronda, o que obrigou, 40 minutos depois, ao abandono da sala pelos jornalistas e observadores nacionais.

Segundo apurou o Canalmoz de fontes que pediram o anonimato, Afonso Dhlakama, havia instruído a sua delegação para perguntar ao Governo se havia ou não interesse em continuar a dialogar e, caso não houvesse nenhum resultado, devia informar a contraparte que “não vale a pena contar mais connosco”.