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Terça-feira, Abril 28, 2026
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Marcha de saudação ao PR foi um fiasco

É caso para dizer que o tiro saiu pela culatra. A marcha de exaltação ao chefe de Estado, organizada pelo partido Frelimo no último sábado, acabou não sendo o que se esperava. A marcha foi organizada para lavar a imagem de Armando Guebuza que anda bastante desgastada e impopular devido à sua governação, considerada desastrosa e tido como promotor do espectro da guerra civil em que o País se encontra mergulhado.

Esperava-se que estivessem na marcha cerca de 20 mil participantes para exaltar o “querido líder”, e a participação foi muito aquém da previsão. Tal como o Canalmoz avançou em primeira-mão, foram mobilizados e intimidados funcionários públicos a nível dos distritos da província de Maputo para participarem do evento para dar uma errada ideia de popularidade de Armando Guebuza. Só que na hora da verdade, “ninguém” foi à marcha. Em número aproximado, estima-se que tenham estado presente cerca de duas mil pessoas, contra as 20 mil previstas. Estiveram apenas dirigentes e seus familiares entre outras pessoas que tiram benefício directo do partido Frelimo. O povo disse “não à marcha”.

Povo disse “Guebuza não”!
Esperava-se mais de 20 mil pessoas e só estiveram aproximadamente duas mil, entre dirigentes e seus familiares. (Foto: Lusa)

À moda coreana, os participantes da marcha traziam vários dísticos onde se podia ler os seguintes dizeres: “Guebuza amigo, o povo está contigo; A Organização da Juventude Moçambicana (OJM) inspira-se nos feitos do presidente Armando Guebuza; presidente da República, promotor da paz e desenvolvimento”, tudo com vista a branquear a imagem de Armando Guebuza.

A marcha não teve comparação possível com a realizada em Outubro do ano passado, contra o Governo, onde mais de 30 mil pessoas saíram à rua para protestar contra os raptos e o clima de guerra civil. Recorde-se que um dia antes da marcha contra o Governo o porta-voz da Frelimo, Damião José, veio a público apelar as pessoas a não aderirem. Mas as pessoas saíram em massa.

TVM e RM transmitiram em directo

Quando o povo saiu à rua em Outubro passado, nenhum órgão de comunicação social do sector público transmitiu o evento em directo, apesar de ter mobilizado quase que toda a cidade de Maputo e com objectivo de interesse público. Este sábado, a TVM e RM transmitiram em directo a marcha pró-Guebuza, onde os comentadores (o famigerado G 40), tinham instruções para dizer que a marcha foi um sucesso e que Armando Guebuza é o “filho mais querido” de Moçambique. Mas a verdade é que a marcha não teve aderência e ficou claro que Armando Guebuza não tem aceitação no seio povo, muito por culpa da sua (des)governação.

Paúnde lidera culto de louvores a Guebuza

Coube ao secretário-geral do partido Frelimo, Filipe Paúnde, outro contestado dentro da Frelimo, liderar a maratona de louvores a Armando Guebuza num discurso mais virado aos que criticam o PR. Segundo Paúnde, “o presidente da República não merece o tratamento que alguns compatriotas estão a dispensá-lo. Ele e sua esposa têm feito tudo para o bem-estar dos moçambicanos. Priva-se do convívio familiar visitando e trabalhando em todos os 128 distritos e nos postos administrativos”

Paúnde acrescentou ainda que Armando Guebuza tem feito tudo ao seu alcance para a preservação da paz e harmonia social. Portanto, ele é um homem de princípios e não merece os insultos e ataques que algumas pessoas proferem a si e à sua família. A crítica faz parte da democracia. No entanto, a democracia não se compadece com insultos, ataques pessoais e até de desqualificação da figura do presidente” concluiu Paúnde afirmando que todos deviam exaltar Armando Guebuza.
Refira-se que devido à fraca participação a marcha acabou sendo um evento muito rápido, contrariamente ao que estava previsto.

Professora de universidade angolana insulta moçambicanos

Nota: Ana Paula Godinho não é reitora como erroneamente noticiamos, mas sim jurista e professora universitária. As nossas sinceras desculpas por esta gralha que já foi corrigida.

O facto de nenhuma universidade angolana constar entre as cem melhores de África, num ranking internacional publicado recentemente gerou controvérsia entre as analistas da Luanda Antena Comercial.

A jurista e professora universitária Ana Paula Godinho diz ter se indignado quando reparou que até Moçambique conseguiu colocar uma universidade entre as cem melhores de África.

“Eu manifestei a minha preocupação pelo facto de nenhuma universidade angolana estar no ranking das cem melhores de África sobretudo porque vi a Universidade Eduardo Mondlane (Moçambique) que em termos práticos pertence a um país com menos riqueza que o nosso.”

Ana Paula Godinho
Ana Paula Godinho, A jurista e professora universitária.

A economista e Reitora de uma Universidade angolana, Laurinda Hoygard manifestou desagrado pela forma como estes rankings são elaborados. Hoygard diz verificar avanços significativos das nossas universidades que os rankings ignoram.

“Eu tenho opinião que em Angola se tem progredido bastante sob ponto de vista do Ensino Superior.”

A ideia de que as universidades angolanas não são boas é errada na óptica da Reitora da Universidade Privada de Angola.

“Nós não podemos agora considerar que efetivamente nós somos muito maus, de uma maneira geral as universidades angolanas fazem pesquisas interessantes.”

Posição prontamente discordada pela analista política e social Alexandra Simeão.

“Oh Laurinda! Nós não estamos a falar da sua posição como reitora, estamos a falar da posição de indivíduos das universidades e que chegam cá fora e contam tudo, não podemos fingir que não ouvimos.”

E o que se ouve, diz Simeão não abona em nada em favor das universidades angolanas.

“Continuamos a ouvir que as matrículas compram-se, as teses são compradas e encomendadas, as vezes são cópias, professores sem qualificação suficiente para darem determinadas cadeiras, assim dificilmente se obtém a excelência.”

 

EUA propõem fim do impasse no diálogo entre Governo e Renamo

Os Estados Unidos da América (EUA) reiteraram nesta quarta-feira o seu apelo para que haja soluções pacíficas face ao actual espectro de guerra civil que se vive no País.

Através de um comunicado de Imprensa distribuído pela sua representação diplomática em Maputo, os EUA afirmam que “o fim do impasse actual exige a vontade de ambas as partes se sentarem juntas para uma solução pacífica e duradoura”.

O governo americano manifesta-se mais uma vez preocupado com os relatos de confrontos contínuos entre elementos da Renamo e forças governamentais.
“A confirmação por parte da Renamo de que existem elementos da segurança do partido por todo o país é altamente perturbante. Repetimos as nossas declarações anteriores de que o uso da violência não resolvera as diferenças políticas”, refere o documento.

O governo norte-americano diz também estar “bastante alarmado” com os relatos de movimentos de populações vulneráveis na zona da Gorongosa, na província central de Sofala e na província sulista de Inhambane.

“Estas populações foram forçadas a fugir da violência durante esta época de essencial de cultivo. Imploramos a cessação de todas as acções que causem danos ou coloquem as populações em risco”, lê-se na mesma nota que tivemos acesso.

Em relação ao agente da Polícia da República de Moçambique (PRM) morto na última terça-feira no distrito de Funhalouro, província de Inhambane, na troca de tiros com supostos homens da Renamo durante um ataque ao Posto da Polícia local os EUA apresentam as suas condolências à família, apelando, por outro lado, a “todos os intervenientes na arena política para condenarem este e outros actos de violência similares.

“Esta morte representa o último numa série de eventos trágicos e preocupantes causados pela violência política constante”, lamentam os EUA que dizem continuarem a ser garante e defensores da permanecia da paz e prosperidade em Moçambique.

União Europeia

Por sua vez, a alta Representante da União Europeia em Maputo, através da sua porta-voz, Catherine Ashton, manifestou “preocupação” com o eclodir do conflito armado.

“A Alta Representante manifesta a sua preocupação com o eclodir de violência causada pelo destacamento de homens armados, suspeitos de pertencerem à Renamo, na província de Inhambane. Este desenvolvimento representa um alargamento da insegurança do centro de Moçambique a áreas do sul do País”, disse a senhora Catherine Ashton.

Acrescentou que a Alta Representante condena o uso da força como meio de atingir fins políticos. “Lamenta a perda de vidas e o deslocamento de populações locais devido à continuação do clima de insegurança”, referiu a mesma porta-voz apelando à Renamo para um fim imediato dos ataques armados a civis e a forças de segurança governamentais.

Apelou também à Renamo e ao Governo de Moçambique para que estabeleçam, sem demora, um processo de diálogo político genuíno e construtivo com vista a resultados concretos no sentido da reconciliação pacífica.

“O que precede é particularmente importante, dado que se iniciará brevemente o processo de registo de eleitores para as eleições presidenciais, parlamentares e provinciais, marcadas para 2014. A este respeito é também importante que as lições extraídas de eleições anteriores contribuam para a consolidação da via da democracia, conduzindo ao desenvolvimento sustentável e à criação de um país pacífico, próspero, seguro e estável para todos os seus cidadãos”, disse a porta-voz da Alta Representante da União Europeia, garantindo, por outro lado, que “a UE mantém-se disponível para continuar a apoiar Moçambique a promover estes fins.”

MINED vai distribuir 56 mil carteiras antes do arranque do ano lectivo de 2014

O Ministério da Educação (MINED) vai alocar em diversas escolas primárias e secundárias pelo menos 56 mil carteiras, isso antes do arranque do presente ano lectivo de 2014.

A informação foi avançada pelo porta-voz do MINED, Eurico Banze, que disse tratar-se de estabelecimentos do ensino do nível primário e secundário espalhados em diversos pontos de Moçambique onde os alunos estudam sentados no chão.

A falta de carteiras na maioria dos estabelecimentos do ensino no País tem provocada debates acesos na sociedade moçambicana, tendo em conta que Moçambique é um grande produtor da madeira que é exportada ilegalmente para Ásia com conivência dos próprios dirigentes. Uma agência inglesa do meio ambiente publicou no ano passado um estudo que denunciava o envolvimento do actual ministro do Interior, José Pacheco, e do antigo ministro da Agricultura, Tomás Mandlate, no negócio ilegal de madeira com seus “irmãos chineses”.

“Reconhecemos que as 56 mil carteiras continuam longe de satisfazer as necessidades, dado que neste momento são necessário um milhão de carteiras para cobrir quase todas as escolas com problema de mobiliário escolar”, disse Eurico Banze.

Gaza: Exames especiais da 3.ª época marcados para este sábado

A Direcção Provincial de Gaza decidiu que os exames especiais da 3.ª época, que os alunos se recusaram a realizar na última segunda-feira em quatro escolas secundárias daquela província, deverão ter lugar neste sábado, apurou o Canalmoz de fontes dos alunos.

Não se sabe se desta vez os alunos aceitarão fazer os referidos exames, mas a Polícia foi colocada em estado de prontidão para evitar uma possível manifestação dos alunos como aconteceu na última segunda-feira.

Os alunos da 10.ª e 12.ª classes das escolas secundárias de Xai-Xai, Tavene, Inhamissa, na cidade de Chókwè e da Escola Secundária de Chókwè, tudo na província de Gaza, recusara-se na tarde da última segunda-feira participar dos terceiros exames, provocando uma confusão, segundo deram a conhecer fontes daquela escola. Na sequência da greve, os exames não foram realizados, tendo sido adiados para este sábado.

Escola Primária Completa de Boquisso está a ruir

A Escola Primária Completa de Boquisso, no distrito de Marracuene, na província de Maputo, em encontra-se em avançado estado de degradação e está a ruir aos poucos, sofre roubos de material didáctico, há cinco anos sem corrente eléctrica e há um ano sem água canalizada.

Erguida há 17 anos, o estabelecimento de ensino do primeiro grau é composta por sete salas de aula, das quais cinco sem mobiliário devido à vandalização e roubos protagonizados por desconhecidos à noite. Mas suspeita-se que os mentores dessas acções que prejudicam sobremaneira as crianças e o corpo docente sejam indivíduos da comunidade.

O edifício em causa está num terreno sem vedação, uma vez que a degradação se encarregou de deitar o muro abaixo, além que acções humanas que concorreram para tal facto. O capim cresce à volta das mesmas instalações como se estivesse a ser cuidado por alguém para algum fim. Aliás, o mesmo capim, bastante esverdeado, por causa da chuva que tem estado a cair, cresce a um ritmo tal como se fosse adubado para alimentar gado.

Além das pessoas da comunidade onde a escola está instalada, os miúdos defecam e urinam de forma desregrada no recinto escolar. A comunidade parece, também, contribuir negativamente para a sua degradação. Os lavabos estão praticamente inutilizados por causa das suas condições precárias de higiene.

A poucos metros entre as casas de banho e o estabelecimento de ensino a que nos referimos as poças de água das chuvas servem de um testemunho incontestável do drama que as crianças passam quando precisam usar os mesmos lavabos no momwnto em que não podem fazer necessidades ao relento por impedimento da direcção, até porque as normas de hiegiene desencorajam este tipo de atitudes que podem degenerar em doenças.

De acordo com António Mate, director da Escola Primária Completa de Boquisso, ali só existe um contínuo. Nesta altura em que os alunos estão de férias, o capim tomou conta do pátio a limpeza deverá ser feita pelos alunos nos primeiros dias de aulas. Tem sido assim todos os anos.

António Mate disse que não podia dizer com precisão quantos alunos estão inscritos. Todavia, indicou que houve sabotagem nas instalações eléctricas, “o que nos deixou às escuras e a nossa escola está à sua sorte”. Nos dias de sol, as sombras a volta da escola servem de salas de aula e na época chuvosa os petizes perdem as lições.

Boquisso não tem escola do segundo grau e os moradores dependem das escolas de Kongolote e Mahulana. “Os alunos não prestam atenção no que os professores ensinam porque a escola é usada como corredor”, segundo António Mate.

Devido à falta de água, os pais e encarregados de educação foram sensibilizados no sentido de aconselharem sempre as crianças a transportarem água para a escola para o consumo. “Nós não temos alunos que frequentam o curso nocturno por falta de iluminação. Temos apenas uma turma de alfabetização que estuda à tarde.”

Vítimas de fuzilamento em Murrupula exumadas

Na sequência da execução sumária perpetrada pelos agentes da Força de Intervenção Rápida (FIR) contra quatro supostos homens armados da Renamo, que se saldou em três mortos e um sobrevivente com ferimentos graves, nas matas do povoado de Nthipuehi, posto administrativo de Gazuzo, em Murrupula, a Liga dos Direitos Humanos de Moçambique moveu um processo-crime contra o Estado moçambicano. Face a esta situação, a Procuradoria Provincial de Nampula ordenou a exumação dos restos mortais enterrados numa vala comum daquele ponto do país.

Apesar de ter sido uma ordem da Procuradoria Provincial de Nampula, não foi fácil convencer os moradores do povoado de Nthipuehi a exumar os três corpos que jaziam numa vala comum, vítimas de uma acção bárbara protagonizada por homens da FIR, alegadamente por aqueles indivíduos pertencerem às fileiras da Renamo. Tudo porque os populares afirmaram tratar-se de uma situação que foge à normalidade naquele ponto do país.

Para a concretização do acto, a Procuradoria Provincial de Nampula teve de criar uma comissão multissectorial encabeçada pelo magistrado do Ministério Público, Cristóvão Mondlane, e o seu assistente, dois juristas da Liga Moçambicana dos Direitos Humanos (LDH) – delegação regional norte, uma médica legista e um enfermeiro.

Segundo informações em nosso poder, chegados a Gazuzo, a equipa dirigiu-se ao gabinete do chefe da localidade, tendo para o efeito apresentado a agenda de trabalho, cujo objectivo principal era a deslocação ao povoado de Nthipuehi, onde foram sepultadas as vítimas de fuzilamento. Estranhamente, o chefe da localidade distanciou-se das execuções sumárias, alegando desconhecer o registo daquele acto macabro na sua área de jurisdição.

“Solicitámos a presença da Polícia e da chefia da localidade, mas estes recusaram-se alegando não terem recebido autorização da administradora do distrito de Murrupula. Apesar disso, tivemos de avançar para o local sem a presença deles”, disse um dos integrantes da equipa multissectorial que pediu para não ser identificado.

No povoado de Nthipuehi, a equipa confrontou-se com uma série de dificuldades impostas pela população local, supostamente por questões relacionadas com os hábitos e costumes da região. “Tivemos que dar gorjeta que, segundo a cultura local, é apelidada xirove, no valor de dois mil meticais a quatro homens. Com a ajuda do assistente da médica legista, foram exumados os restos mortais da vala comum”, contou a fonte. A presença da equipa multissectorial naquele local não foi bem-vinda para a população do Nthipuehi, porque guarda más recordações do passado dia 5 de Dezembro.

Não foi possível avançar detalhes sobre o processo de investigação em curso, alegadamente por se encontrar ainda em instrução preparatória mas, na devida altura, serão divulgados todos os contornos do macabro assassinato. @Verdade soube ainda que no processo de exumação dos três corpos foram convidados os familiares de uma das vítimas, mas devido a questões financeiras não foi possível estarem presentes no local, uma vez que residem no distrito de Mogovolas.

Domingos Talapua, um dos sobreviventes da operação macabra que, presentemente, se encontra fora de perigo depois de várias intervenções cirúrgicas, contou que, dos três homens fuzilados pela FIR em Dezembro último, um era seu cunhado, desconhecendo-se a origem das outras duas vítimas. Talapua confirmou ainda que eram indivíduos que se dedicavam à caça furtiva no distrito de Mogovolas.

LDH exige à Polícia os nomes das vítimas para identificação pelos familiares
Tarcísio Abibo, delegado regional norte da Liga dos Direitos Humanos, disse que, uma vez identificados os familiares de um dos finados, a sua instituição vai nos próximos dias persuadir o governo a autorizar a Polícia da República de Moçambique (PRM) em Nampula a facultar os nomes das outras duas vítimas, com vista a localizar a família. Por outro lado, o nosso interlocutor disse que, mesmo que ainda seja prematuro, a LDH vai intentar outro processo civil e administrativo contra o Estado para que possa indemnizar os familiares das vítimas.

“Tratando-se de homens adultos, estes eram chefes de famílias e deixaram filhos, esposas e outros dependentes à deriva. O Estado moçambicano, além de ter violado o n°1 do artigo 56 da Constituição da República em vigor no país, deve-se responsabilizar na criação de condições para que estes dependentes tenham uma vida melhor”, disse Abibo.

Mais homens da Renamo poderão ter sido fuzilados

No ano passado, a PRM recusou a visita da LDH em carta com a referência 273/CPRM/NPL/2013, com as seguintes transcrições: “Estamos sensibilizados da missão e o trabalho que a LDH tem levado a cabo, para que o homem seja digno, respeitado, garantido os seus direitos e liberdades fundamentais à luz da Constituição da República, as celas pelas quais se pretende visitar, estão detidos os antigos guerrilheiros da Renamo e outros participantes nos crimes militares de assassinato a populações indefesas, saques de bens, na estrada Rapale–Cuamba.

Como se pode notar, estes actos macabros deixam de ser classificados como crimes de natureza comum para militares, aconselhamos que a LDH aguarde a melhor oportunidade tendo em conta as investigações e buscas em curso”.

@Verdade soube ainda que, em Dezembro último, depois do encontro entre a delegação da Renamo chefiada pelo respectivo secretário-geral, Manuel Bissopo, com o comandante provincial da PRM e Procurador-chefe em Nampula, pelo menos 21 indivíduos viram a sua prisão legalizada, pese embora ainda estejam detidos nas celas do comando da PRM, e sete foram soltos por insuficiência de provas, de um total de 45 supostos homens armados detidos. Refira-se que se desconhece o paradeiro de outras 17 pessoas, aventando-se a hipótese de estas terem sido fuziladas.

Renamo não se pronuncia sobre presença de guerrilheiros na Matola

O porta-voz do gabinete do presidente da Renamo, António Muchanga, não quis pronunciar-se esta quinta-feira (16) acerca das informações segundo as quais os seus antigos guerrilheiros estão a concentrar-se na localidade de Matsequenhe, posto administrativo de Beleluane, província de Maputo, alegadamente porque não tem nenhum contacto com eles.

“Eu não tenho contacto com os guerrilheiros, tenho contacto com os políticos”, disse e seguidamente acrescentou que “se estão em Matsequenhe ou noutro lugar não sei”. Esta quarta-feira (15) informações postas a circular por cidadãos residente no município da Matola, província de Maputo, davam como certa a presença de homens armados da Renamo, na localidade de Matsequenhe.

Entretanto, numa conferência de imprensa realizada na sua sede, na cidade de Maputo, a Renamo, na voz de António Muchanga, voltou a atirar a culpa ao Governo moçambicano pelo arrastamento do conflito armado não declarado entre ambos. “Lamenta-se, de facto, o arrastar do tempo, porque esta situação poderia ter sido resolvida de forma pacífica se o Governo não tivesse enveredado pelo caminho belicista, atacando os desmobilizados da Renamo em Gondola e Muxúnguè”, disse Muchanga.

Em Novembro passado, o presidente de Renamo, Afonso Dhlakama, ora em parte incerta, numa entrevista concedida ao semanário Canal de Moçambique, disse que o país poderia voltar à normalidade até Fevereiro deste ano, contudo, António Muchanga fez saber que a promessa afinal não passava de simples desejo, pois quem deve mexer os paus para que haja alguma solução é o Governo, que no entender desta foi quem fez eclodir essa tensão político-militar. “A declaração de Dhlakama é apenas um desejo a solução do actual conflito depende do Governo”, disse.

Assaltantes aterrorizam operadores comerciais em Nampula

Devido à onda de assaltos à mão armada, perto de uma dezena de proprietários de armazéns e estabelecimentos comerciais localizados no bairro de Muahivire-Expansão, na cidade de Nampula, pondera a hipótese de encerrar as portas. Em menos de um mês, foram registados pelo menos quatros casos e a Polícia tem-se mostrado inoperante naquela circunscrição.

Desde o passado mês de Novembro, o comércio ao longo do prolongamento da Avenida das FPLM, no bairro de Muhavire- Expansão, na unidade comunal de Mutotope, passou a ser tomado por uma tensão velada, especialmente depois das 17h00. O clima de insegurança instalou-se quando um grupo de malfeitores se introduziu num dos armazéns, tendo- se apropriado de alguns produtos alimentares.

Primeiramente, os meliantes dedicavam-se ao assalto a residências e indivíduos na via pública durante o período nocturno. Nos últimos dias, o grupo virou as suas atenções para os estabelecimentos comerciais. Todas as semanas, há relatos de incursões dos malfeitores. A inoperância e a falta de patrulha por parte dos agentes da Polícia são apontadas pelos moradores e os comerciantes como sendo um dos aspectos que encoraja a acção ousada dos gatunos. O caso mais recente deu-se no passado dia 29 de Dezembro, quando dois indivíduos encapuzados assaltaram os armazéns Issufo Ali Ibraimo (ISAI).

“De Dezembro para cá, a criminalidade dobrou”, afirma ao @Verdade uma fonte ligada a uma das vítimas do assalto aos armazéns ISAI, que testemunhou o ocorrido. O indivíduo, que não quis ser identificado, explicou que o caso se deu por volta das 17h00, quando se preparava o encerramento do estabelecimento. Porém, de súbito, um homem fazendo-se passar por um cliente entrou no armazém, tendo apontado uma arma de fogo para o guarda e um dos filhos do proprietário.

“Quando o gatuno chegou, encontrou o guarda no portão principal, tendo de seguida o ameaçado com recurso a uma arma de fogo. Nessa altura, o filho do proprietário quis inteirar- se do que se estava a passar e acabou por ser uma das vítimas dos assaltantes”, conta fonte.

Volvidos alguns minutos, o segundo integrante da quadrilha fez-se ao local. Numa primeira fase, os malfeitores apoderaram-se de telemóveis. Após apropriarem-se de aparelhos celulares dos clientes, dos trabalhadores e dos proprietários do armazém, os meliantes dirigiram-se à caixa do estabelecimento comercial. Eles procuravam pela receita do dia, mas os funcionários disseram que não havia dinheiro guardado ali, uma vez que o movimento registado ao longo do dia foi bastante fraco, facto que deixou irritados os bandidos. Como forma de amedrontá-los, dispararam alguns tiros para o tecto, porém, não lograram os seus intentos.

Um dos meliantes introduziu-se no escritório no fundo do armazém, onde o proprietário se encontrava a fazer o balanço das actividades do dia. Depois de afirmar por diversas vezes que não havia dinheiro naquele estabelecimento, o empresário Issufo Ali foi alvejado no braço esquerdo. Depois de levarem uma quantia não especificada que se encontrava no cofre principal, os malfeitores abandonaram o local. O assalto durou apenas 10 minutos.

Abalada com a situação, a esposa do proprietário dos armazéns ISAI questionou se os agentes da Polícia da República de Moçambique (PRM), afectos no posto policial de Mutotope, não teriam ouvido os disparos, uma vez que os armazéns se encontram a escassos metros das instalações da Polícia. “É impressionante! Não é possível que a Polícia não tenha ouvido o barulho dos disparos. O posto policial fica aqui ao lado”, comenta. Num outro pronunciamento, ela afirma que a família pretende desfazer-se de todos os bens e encerrar as actividades.

Armazenistas ameaçam encerrar as portas

Pela forma como ocorreram os últimos assaltos, sob o olhar impávido das autoridades policiais, aliados ao facto de os armazéns se localizarem nas proximidades do posto policial, pelo menos perto de uma dezena de proprietários dos estabelecimentos pretendem paralisar as suas actividades comerciais. Os armazenistas alegam que a zona em que operam não oferece condições de segurança, quer para os clientes, quer para os empresários. Refira-se que, devido aos sistemáticos assaltos, alguns dos proprietários dos estabelecimentos optaram por um novo horário de trabalho. Até às 15h30, grande parte das lojas e armazéns já tem as portas encerradas.

“A Polícia é cúmplice”

Visivelmente revoltada com o ocorrido e com a crescente onda de assaltos que vem ganhando terreno nos últimos dias, a fonte que temos vindo a citar conta que, logo após a inauguração daqueles empreendimentos naquela parcela da cidade de Nampula, os proprietários, ora vítimas dos criminosos, já haviam manifestado, junto à PRM, a necessidade de patrulha policial, sobretudo nas horas de ponta.

O chefe do posto garantiu que a zona era tranquila e não havia riscos de ocorrerem assaltos, principalmente no período da tarde. “Não há dúvidas sobre a cumplicidade da Polícia nesses assaltos, uma vez que ela só se faz ao local do crime depois de passarem pelo menos cinco horas”, diz o interlocutor que acrescenta que as autoridades policiais de Mutotope teriam ordenado que o assunto não chegasse aos órgãos de informação.

Polícia acusa os empresários de não fazerem denúncias

De acordo com o porta-voz do Comando Provincial da PRM em Nampula, Miguel Bartolomeu, a solução do problema de assaltos naquela zona residencial depende das denúncias das vítimas. Bartolomeu não confirmou o envolvimento de alguns agentes da corporação nos assaltos, tendo salientando que o sucesso do trabalho que a sua instituição tem vindo a desenvolver dependente das queixas apresentadas pelos lesados.

“A Polícia reage a casos denunciados ou então em flagrante delito’’, afirma. Contudo, há um trabalho em curso com vista a esclarecer os casos de assaltos a armazéns na unidade comunal de Mutotope de que a PRM tomou conhecimento através da reportagem do @Verdade.

Polícia não confirma presença de guerrilheiros da Renamo na Matola

A Polícia República de Moçambique, a nível da província de Maputo, diz não estar em condições de dizer se as informações que dão conta da concentração e circulação de homens da Renamo na localidade de Matsequenha, posto administrativo de Beleluane, são ou não verdadeiras uma vez que ainda está à espera do relatório da equipa de inteligência destacada para o local.

Segundo Emídio Mabunda, porta-voz do Comando Provincial da PRM em Maputo, a corporação teve conhecimento deste facto através da imprensa e, para efeitos de averiguação, destacou uma equipa de inteligência para o terreno, daí que é prematuro pronunciar-se sobre o assunto.

“Acompanhámos na imprensa que havia uma movimentação de homens da Renamo e de imediato mandámos a nossa equipa de inteligência, que agora está a trabalhar. Aguardamos os resultados e só depois é que nos podemos pronunciar”, disse Mabunda.

Refira-se que na última quarta-feira (15) circularam informações dando conta da movimentação de homens da Renamo no posto administrativo de Matsequenha, localidade de Beleluane, província de Maputo, onde funcionava uma base deste partido durante a guerra dos 16 anos.

Renamo estranha posição da União Europeia sobre ataques armados

A Renamo diz ser descabida a posição da porta-voz da Alta Representante da União Europeia em Moçambique, Catherine Ashton, que condena o uso da força para fins políticos, e estranha que a mensagem seja dirigida apenas a si, apesar de o Governo estar também a usar armas.

No entender da Renamo, a porta-voz da Alta Representante da UE em Moçambique, Catherine Ashton, devia “indicar com precisão e clareza, onde e quando é que a Renamo planificou o ataque a civis”.

A Renamo refere ainda que nunca sentou para planificar ataques a alvos civis porque estes constituem a fonte mais importante das suas aspirações. “Os civis são como matéria-prima para o funcionamento desta organização (Renamo)”, disse António Muchanga, porta-voz do gabinete do presidente da “Perdiz”.

Na passada segunda-feira (13), a Alta Representante da UE manifestou a sua preocupação com o eclodir de violência causada pelo destacamento de homens armados, suspeitos de pertencerem à Renamo, na província de Inhambane e apelou a um fim imediato dos ataques a civis e às Forças de Defesa e Segurança.

O porta-voz do gabinete do presidente da Renamo, António Muchanga, depreende que esse pronunciamento revela que aquele organismo atribui os ataques a civis à Renamo, “como se das armas das Forças govermentais estivesse a sair pastilhas e rebuçados sempre que disparam”. “Lamentos que a porta-voz da Alta Representante da União Europeia tenha feito apelos só e apenas à Renamo como se este fosse a única força que tem armas que disparam e semeiam luto pais”.

Prosseguindo, a fonte explicou que as forças governamentais perseguem, maltratam e matam os desmobilizados da Renamo, usam viaturas dos civis para se fazerem confundir com a população e a partir destas disparam indiscriminadamente contra qualquer ser humano que se encontre nos troços Muxúnguè-Rio Save, Gorongosa-Vandúzi, Casa Banana entre outras zonas. “A resposta a esses actos não deve ser confundida com actos propositadamente planificados para atingir civis durante os confrontos”, esclareceu.

Muchanga disse na altura que “as armas usadas no dia 21 de Outubro de 2013 para assassinar o presidente Dhlakama e populares em Sathudjira, Marínguè e Chibabava, foram desalfandegadas no porto de Maputo e transportadas para aqueles locais à luz do dia pela Estrada Nacional Número 1 e ninguém condenou esse facto.

Casa do Gaiato pondera fechar as portas por falta de apoios

A Casa do Gaiato, que acolhe 152 crianças e jovens órfãs e abandonadas pelas suas famílias, no distrito da Namaacha, poderá encerrar as portas caso persista a falta de ajuda, uma vez que os seus parceiros, tais como a União Europeia, já não canalizam fundos devido à crise financeira mundial. Entretanto, o Instituto de Ciências de Computação e Administração (ICCA) vai oferecer oito bolsas de estudo semestrais a igual número de estudantes da Casa do Gaiato, durante dois anos, à luz de um memorando de entendimento assinado esta quarta-feira (15), em Maputo, entres duas instituições.

Márcia Bachita, directora executiva do ICCA disse que os beneficiários serão munidos de conhecimentos que lhes permitam se inserir no mercado de trabalho e criar auto-emprego. Neste contexto, Quitéria Torres, directora executiva da Casa do Gaiato, considerou que iniciativas como essas ajudam a minimizar as dificuldades por que passam as 152 pessoas crianças e jovens do centro. E mais apoios podem garantir um futuro seguro para as pessoas acolhidas no local, as quais, neste momento, não têm meios para materializar os teus anseios.

Quitéria Torres contou ao @Verdade que há novas propostas de pedido de financiamento submetidas à União Europeia (UE), mas caso não sejam aprovadas será reduzido número de indivíduos acolhidos no centro, de 152, em 2013, para 130, em 2014, com vista a conter as despesas. A medida poderá culminar com o encerramento da Casa do Gaiato por falta de meios para continuar a exercer as suas actividades de caridade e ajuda aos necessitados.

Segundo Quitéria Torres, as áreas de educação da infância e cuidados de saúde são suportadas pelos parceiros, tais como a Cooperação Portuguesa, a Fundação Moçambique Sul e a Cooperação Espanhola.

A Casa do Gaiato, que desenvolve acções de caridade desde 1991, dispõe de potencialidades agrícolas em Namaacha mas não são exploradas por falta de um sistema de armazenamento de água para irrigação, manutenção e aquisição de novas matérias-primas, além de limitações na formação profissional nas áreas de carpintaria, serralharia, fabrico de blocos, dentre outras.

“Neste momento, a única actividade que esta a suportar as necessidades básicas do centro, em cerca de 10 porcento, é o artesanato que nos permite ainda produzir meios de prevenção de riscos de incêndio e cheia”, enfatizou a nossa interlocutora, que esclareceu que a Instituição necessita mensalmente 10 mil dólares, um valor que actualmente não existe.

“O futuro das crianças está comprometido e refém das doações de parceiros de cooperação. Caso não se aprove o projecto submetido à União Europeia até ao final da primeira quinzena de Fevereiro, as dificuldades vão agravar-se, sobretudo a aquisição de alimentos, matéria-prima para a produção artesanal, dentre outros serviços”, concluiu Quitéria Torres.

Chuvas destroem centenas de hectares de culturas alimentares no Búzi

Uma pessoa morreu em consequência do desabamento de um celeiro, na localidade de Grudja, devido às chuvas, as quais destruíram igualmente 724 hectares de milho, 777 hectares de arroz e 27 hectares de batata-doce, nos últimos 15 dias, no distrito de Búzi, na província de Sofala.

Segundo o administrador daquele distrito, Tomé José, nas regiões de Chicumbua e Move, na vila sede, Inharongue, Mada, Matire, Patarucue, Cherimónio, Bunha e Fumo, na localidade de Inharongue, Guara-Guara, Chindo e Manheche, na localidade de Guara Guara, Macua, Bawa, Inhamita e Munamicua, na localidade de Bândua, e nas regiões de Estaquinha Sede, Chibumo e Begaja, no posto administrativo de Estaquinha, um total de 1.528 hectares de culturas alimentares foram afectadas, além de 10 casas de construção precária devastadas, na Localidade de Inharongue, cinco habitações, também de construção precária, na zona de Mandire, ficaram parcialmente destruídas e um celeiro.

Tomé José fez saber que há igualmente 401 hectares de milho destruídos por uma lagarta invasora na localidade de Inharongue, a qual está a ser combatida com insecticida. Sobre a cultura de arroz, o nosso entrevistado indicou que, neste momento, os camponeses da zona alta, que também foi fustigada pelas chuvas, mas sem grandes perdas, já estão a semear novamente. O governo do distrito do Búzi diz que precisa de sete toneladas de semente de milho e 46 toneladas de semente de Arroz a sementeira na presente campanha agrícola.

Com uma “mão” dos árbitros, Moçambique é eliminado prematuramente!

A uma jornada do término da fase de grupos do Campeonato Africano de Futebol para jogadores internos, o CHAN, a selecção nacional de Moçambique apressou a sua despedida. Depois da derrota por 3 a 1 diante da África do Sul, os nigerianos precisaram da ajuda dos árbitros para eliminar os “Mambas” da corrida para os quartos-de-final.

No confronto de estreia reinou uma relativa ansiedade no seio dos jogadores da selecção nacional que, diga-se, em abono da verdade, começaram com os exercícios de aquecimento às 17h32, cerca de quinze minutos depois do conjunto sul-africano ter “descido” ao relvado. Durante os referidos treinos, Josimar lesionou-se, pisado por um colega, e só a oito minutos do jogo é que se confirmou que estava apto para defrontar a África do Sul.

Nas quatro linhas, o conjunto nacional assumiu muito cedo uma atitude defensiva e na única jogada de perigo que criou, culminando com um remate à baliza do guarda-redes Khune, chegou ao golo. Haviam decorrido onze minutos e Diogo Alberto entrava para a história, ao marcar o primeiro golo da terceira edição do CHAN.

O primeiro sinal de que os donos da casa não estavam conformados com a ligeira vantagem dos moçambicanos deu-se no décimo terceiro minuto, quando Soarito foi obrigado a defender, de forma incompleta, um remate de Parker após um belíssimo centro de Mashego.

E foi de grande penalidade, a castigar uma falta de Miro sobre Sibusiso Vilakazi no interior da grande área, que os sul-africanos chegaram ao empate, por intermédio de Parker. Minutos antes do intervalo, Kekana rematou contra o poste esquerdo de Soarito.

No reatamento, os “Bafana-Bafana” voltaram na mó de cima e precisaram de 13 minutos para dar corpo à reviravolta. Hlompho Kekana apontou um espectacular golo, mercê da desatenção de Soarito que não viu o jogador sul-africano a desferir o portentoso remate de fora da grande área.

Sem muitas opções no banco técnico para responder aos donos da casa, no Cape Town Stadium, João Chissano tentou imprimir uma nova dinâmica no meio-campo moçambicano e na zona mais avançada ao chamar Mário e Manuelito para jogarem nos lugares de Lanito e Alvarito, respectivamente.

Mas quem saiu a ganhar foram os “Bafana-Bafana” que, a oito minutos dos 90 chegaram ao terceiro golo, novamente por Parker, para a euforia completa dos adeptos sul-africanos que presenciaram o espectáculo.

Os “Mambas” de João Chissano perdiam no jogo de estreia do CHAN e complicavam as contas de apuramento aos quartos-de-final, o principal objectivo traçado para esta competição.

Os “Mambas” foram eliminados pela Nigéria

Os nigerianos entraram assustadores e aos três minutos “destaparam” os problemas defensivos da selecção nacional, sobretudo de marcação. Salami, isolado, não conseguiu ultrapassar o guarda-redes Soarito que teve de abandonar a grande área para impedir um golo certo.

Porque “quem não marca arrisca a sofrer”, no minuto 10, o central moçambicano, Dário Khan, pouco depois do grande círculo, desferiu um forte remate para o fundo das malhas de Agbim. Um espectacular golo para ser revisto.

Porém, a felicidade de João Chissano durou poucos segundos. É que Ede empatou para os nigerianos e, dois minutos mais tarde, Ali, mercê de um erro monumental de Chico, colocou a sua equipa em vantagem.

Os “Mambas” não cruzaram os braços e correram atrás do resultado. Mário, no primeiro quarto de hora, recebeu a bola dos pés de Diogo mas viu o seu “tiro” ser defendido por Agbim.

Quem não falhou foi Diogo Alberto que, isolado por Maninho e com o guardião nigeriano estatelado no chão, teve a baliza totalmente escancarada para colocar o marcador novamente empatado. O extremo do Ferroviário de Maputo marcava o seu segundo golo na competição, o mesmo número de tentos de Moçambique na partida.

No minuto 53, o árbitro do encontro entendeu que o capitão da equipa cortou o esférico com o braço, no interior da grande área e, por isso, apontou para a marca de grande penalidade. Um erro tremendo pois, segundo as imagens, Dário Khan travou o esférico com a cabeça e, sempre com as mãos coladas ao corpo, usou o joelho para colocá-lo longe da zona de perigo. Ali, chamado a cobrar, marcou o seu segundo golo e colocou a Nigéria novamente na dianteira.

Passados 19 minutos deste “fatídico” acontecimento, Miro foi protagonista de um corte surpreendente em cima da linha de golo e, tempo depois, Soarito defendeu um remate de Salami. Já perto do fim, Dário Khan perdeu uma oportunidade soberana para empatar o jogo ao falhar no desvio da boln sequência dum violento cruzamento de Miro.

Antes dos noventa minutos, o estreante Imenger, que acabava de substituir Salami, apontou o quarto golo da Nigéria e encerrou as contas da partida em 4 a 2. Com este resultado, a selecção nacional de Moçambique despediu-se prematuramente do CHAN, a uma jornada do término da fase de grupos.

Uma ronda sem muitas surpresas

Ainda no grupo de Moçambique, a África do Sul empatou diante do Mali a um golo, numa partida também marcada por uma polémica arbitragem. Decorrido o minuto 23, o árbitro entendeu que Konate cometeu uma falta dentro da grande área sobre Mbatha, apesar de as imagens televisivas provarem que foi fora. Parker foi quem converteu o castigo máximo.

Nove minutos após o reatamento, a injustiçada selecção do Mali empatou por intermédio de Ibourahima Sidibe, um resultado com que terminou a partida.

No próximo domingo (19), os “Bafana-Bafana” defrontam a Nigéria no jogo decisivo que vai apurar uma das selecções, ou as duas dependendo do resultado entre Moçambique e os malianos.

No grupo B, o Zimbabwe empatou sem abertura de contagem diante da selecção de Marrocos e os ugandeses surpreenderam a selecção de Burkina Faso, vencendo por 2 a 1. No grupo C, os conjuntos de Gana e de Marrocos foram vitoriosos nos embates diante do Congo-Brazavile e da Etiópia, respectivamente.

A República Democrática de Congo, que venceu uma edição desta competição, derrotou a Mauritânia, por 1 a 0, e beneficiou do empate entre o Gabão e o Burundi para começar a pensar nos quartos-de-final.

Ancião morto à machadada pelos seus próprios filhos

Dois jovens irmãos foram detidos na última segunda-feira, dia 13 de Janeiro, em Kambanhane, Posto Administrativo de Godide-Chipadja, no distrito de Chibuto, província de Gaza, acusados de terem assassinado o próprio pai com recurso a um machado.

Segundo apurou o Canalmoz junto do porta-voz da Polícia da República de Moçambique (PRM) em Gaza, Jeremias Langa, os dois irmãos, nomeadamente, Moisés Macuácua, de 30 anos de idade, e Richete Macuácua, de 37 anos, esquartejaram o pai até à morte. A vítima em vida respondia pelo nome de André Ntsondzo Macuácua, de 77 anos de idade. Foi morto pelos filhos com recurso a um machado por acusações de feitiçarias.

Para além de terem morto o pai, os dois homens, agora presos, queimaram a residência do malogrado, logo depois do assassinato.

Cidadão zimbabweano baleado pela Polícia por não pagar “taxa de suborno”

Um cidadão de nacionalidade zimbabwena, residente na cidade de Chimoio, província central de Manica, agora internado no hospital provincial de Chimoio, acusa um agente policial afecto ao Comando local de o ter baleado por não lhe ter pago “taxa de suborno”. A Polícia não revela aos jornalistas o nome do suposto agente.

Tudo começou num esquema corrupto de favores, onde o cidadão zimbabweano, Jevous Sibiya, em situação ilegal, devia pagar uma “taxa fixa” ao agente para que este garantisse a sua circulação e desenvolvimento das suas actividades.

Segundo Jevous Sibiya, quando foi baleado fazia-se acompanhar por quatro amigos que juntamente com ele se dedicam à venda de sapatos usados.

“Nós já sabemos que devemos pagar ‘algum’ à Polícia, e eu não tinha dinheiro para pagar naquele momento porque tinha gasto na compra de sapatos que precisava levar para Zimbabwe e só tinha duzentos meticais para transporte de regresso à Mutare. E quando apareceu a Polícia eu disse que não tinha dinheiro. Não corri e nem fugi. Ele decidiu alvejar-me e cai. Meus companheiros levaram-me ao hospital distrital de Manica e depois fui transferido para o Hospital Provincial de Chimoio”, disse.
O cidadão diz que os seus companheiros subornaram o agente, por isso não passaram por “complicações”.

Polícia diz que está a investigar

O porta-voz do Comando Provincial da PRM em Manica, Belmiro Mutandiua, confirmou o caso e diz ser um assunto que a PRM está a investigar.

” O agente está a ser acusado pela população de ter baleado um estrangeiro por não ter pago dinheiro, mas nós também não podemos deduzir que isto seja verdade ou mentira, é por isso que até hoje o caso está a ser investigado.

Extra-parlamentares responsabilizam Guebuza pelo cenário de guerra

Os partidos políticos sem assentos na Assembleia da República acusam o presidente da República, Armando Guebuza, de ser o promotor e instigador do actual cenário de guerra civil que se vive no País.

Numa conferência de Imprensa convocada esta quarta-feira, para mostrarem o seu posicionamento em torno da tensão político-militar que para além de Sofala, Nampula agora escalou Inhambane, os extra-parlamentares chegam mesmo a acusar o chefe de Estado de ser o responsável por tudo quando está a acontecer.

Aquele grupo de partidos políticos não poupa críticas. Acusa o chefe de Estado, Armando Guebuza, de “casmurrice” que, segundo dizem, mergulhou o País num cenário de guerra civil com consequências na vida económica e social do País.

“A guerra foi reinstalada por casmurrice de quem de direito que pautou pela via armada e demonstração de musculatura, ordenando o assalto a Sadjundjira”, disse Paulino Micopola.

Para Micopola, o ataque à base da Renamo, a Sadjundjira, foi a causa imediata para alastramento do conflito entre as Forças Armadas de Defesa de Moçambique e os homens de Afonso Dhlakama.

Os extra-parlamentares apelam ao chefe de Estado para parar de “perseguir” o líder da Renamo, pois, segundo eles, as diferenças entre o Governo e a Renamo só podem ser ultrapassadas através do diálogo entre Guebuza e Dhlakama.

Marcha pró-Guebuza agendada para sábado

A marcha pró-Guebuza, noticiada pelo Canalmoz na sua edição de segunda-feira passada, está agendada para este sábado, 18 de Janeiro – dois dias antes do 71º aniversário de Guebuza.

Conforme noticiou o jornal, a marcha é da iniciativa do Governo e ao longo da semana passada funcionários do Estado ao nível dos distritos da província de Maputo estavam a ser mobilizados para se deslocarem à capital a fim de participarem da mesma. Entretanto, quem vai dar a cara como organizador da marcha é o comité do partido Frelimo na cidade de Maputo.

Quando o Canalmoz noticiou no início desta semana que estava a ser organizada uma marcha de exaltação a Guebuza e de condenação aos seus críticos, por iniciativa do Governo central, a informação foi recebida com muitas críticas e o Governo, então, decidiu transferir a responsabilidade nominal da organização da marcha para o partido Frelimo. Porém, na prática, será o Estado a suportar todos os custos logísticos que serão avolumados quando se considerar que dos distritos da província de Maputo serão transportados funcionários locais para a capital a fim de engrossarem a marcha.
O Estado irá pagar a deslocação e alimentação dos funcionários mobilizados.

“GUEBUZA amigo, o POVO está contigo”

Na convocatória que circula ainda de forma restrita entre os membros e patrocinadores do partido Frelimo (o anúncio público deverá acontecer hoje), em forma de SMS, lê-se que a marcha deve acontecer para “saudar” os feitos do “melhor filho do povo moçambicano” e termina recordando ao chefe de Estado que “o povo está” com ele!

“Caro camarada, como sabe, este ano é o último de mandato do nosso Presidente Armando Guebuza como chefe de Estado e ele, no dia 20/01/2014, completa o seu 71º aniversário natalício.

O Comité da FRELIMO, na cidade e província de Maputo, está a organizar uma marcha em saudação dos feitos deste que foi e é o melhor filho do povo moçambicano, por isso vamos participar na referida marcha que partirá da Estátua do Dr. Eduardo Mondlane, no próximo sábado dia 18 de Janeiro de 2014 e vai desaguar na Praça da Independência, com início às 08h00.
GUEBUZA amigo, o POVO está contigo”.

Recorde-se que a notícia publicada pelo Canalmoz baseada em informação fidedigna colhida em diversos distritos da província de Maputo foi apelidada de “boato” pelos propagandistas do Governo e do partido Frelimo.

À moda angolana

Neste momento, o Governo e o seu líder máximo (chefe de Estado) enfrentam grande impopularidade, com destaque para as áreas urbanas. Em Outubro passado, milhares de moçambicanos saíram às ruas para se manifestarem contra os sequestros, conflito armado, criminalidade, arrogância do Governo. O partido Frelimo apelou, na altura, para que as pessoas não aderissem à manifestação pacífica, mas não só aderiram tal como houve réplica em Nampula, Chimoio, Quelimane, Beira, da grande marcha que teve lugar em Maputo.

A marcha agora organizada pelo Governo (sob capa do partido no poder) pode ser vista como uma contra-marcha que pretende mostrar, como diz a convocatória, que “o povo está com Guebuza”.

Será, portanto, a primeira vez que se organiza marcha de apoio ao chefe de Estado em Moçambique, mas a prática é tão recorrente em países como Angola, país onde governa desde a independência o MPLA, “partido irmão” da Frelimo.

Hoje (quinta-feira) a Frelimo deverá anunciar oficialmente a marcha de apoio a Guebuza e a quem o critica.

Novo ataque a coluna faz cinco feridos graves em Muxúnguè

Um autocarro de passageiros da empresa Etrago foi “fortemente metralhado”, quando a coluna de viaturas foi parada a tiros na zona de Chimutanda, a 15 quilómetros da vila de Muxúnguè, uma área pouco habitual para este tipo de ataques, e não distante de uma posição do exército.

“Hoje de manhã, houve um massacre na zona de Chimutanda, onde houve um ataque ou emboscada com ferimentos de passageiros inocentes”, disse à Lusa, por telefone, um morador local.

“Foi atacada a coluna de carros e um machimbombo (autocarro de passageiros) onde saíram cinco feridos graves”, precisou José Luís, pároco de Muxúnguè, manifestando-se “preocupado com a situação” na região.

Uma fonte médica confirmou à Lusa a entrada de feridos graves, atingidos por projéteis, no hospital Rural de Muxúnguè, o que assiste o maior número de vítimas, supostamente de homens armados da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo).

A Agência de Informação de Moçambique (AIM), citando populares, noticiou que o ataque causou um morto e cinco feridos.

Este é o terceiro ataque reportado este ano na região, depois dos dois terem feito um morto e 13 feridos, a 01 e 07 de janeiro corrente, quando o exército e homens armados, que abriram uma segunda trincheira na estrada nacional um (N1), a principal do pais, se confrontaram no rio Ripembe.

Já esta semana, a sul na província de Inhambane homens armados e identificados com a Renamo atacaram no distrito de Funhalouro, tendo matado um agente da polícia.

Os ataques iniciados em abril, em protesto contra a “ditadura implantada” pelo Governo e a falta de consenso sobre a lei eleitoral, levaram o país a viver o pior momento de tensão político-militar após a assinatura do Acordo de Paz, em 1992, que pôs fim a guerra civil dos 16 anos, entre o governo e a Renamo.

FADM criam equipa de futebol

Uma nova colectividade pertencente às Forças Armadas de Defesa Moçambique (FADM) vai lutar, na presente temporada, para ascender ao Moçambola, edição 2015. Trata-se do Clube de Desportos Sargentos de Boane, da província de Maputo.

Há quem diga que não se trata, necessariamente, de uma nova colectividade. Que a mesma já disputava torneios entre os militares. Todavia não deixa de ser verdade que se vai estrear na segunda divisão futebolística do país, com vista o apuramento ao Moçambola.

Trata-se do Clube de Desportos Sargentos de Boane, pertencente à Escola de Formação de Sargentos das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM), no distrito com o mesmo, província de Maputo.

O clube, que pelo ou menos dispõe de um campo de futebol e uma infra-estrutura própria para albergar os seus jogadores e os respectivos estágios, curiosamente a mesma que era utilizada pelo Matchedje de Maputo na Escola de Sargentos de Boane, inscreveu-se na Associação de Futebol da Província de Maputo (AFPM) de modo a disputar o “provincial” que vai arrancar já no próximo mês de Fevereiro.

“Está a ser seguida toda a burocracia necessária para tramitar o processo de inscrição dos ‘Sargentos’. Mas é um facto que vai competir e estamos felizes porque, tratando-se de um novo clube, haverá maior competitividade no campeonato”, revelou Vasco Manguele, secretário-geral da AFPM.

“Isto é produto do divisionismo no seio do Matchedje”

Uma fonte anónima, mas que pertenceu, no passado, a direcção do Clube de Desportos Matchedje de Maputo, disse ao @Verdade que o surgimento do “Sargentos de Boane” se deve ao descontentamento de alguns militares, sobretudo daquela escola militar, pela forma como foi e está a ser gerido o Matchedje, despromovido do escalão principal do futebol moçambicano na temporada finda.

“O clube está entregue. Veja a campanha que fez no ano passado e o número de treinadores que contratou mas sem sucesso. Foi por isso que nós decidimos criar este emblema para mostrar que os militares são uma potência do futebol moçambicano. Queremos recuperar a nossa mística”, disse.

Contudo, uma fonte da direcção do Matchedje distanciou-se da polémica questionando, portanto, a existência de uma lei que proíba a criação de mais de um clube por uma determinada entidade. “Os militares são tradicionalmente desportistas, assim como os Caminhos de Ferro de Moçambique e a Autoridade Tributária. Até onde sei, só no Moçambola deste ano teremos cinco Ferroviários, sem contar com as dezenas que andam por ai nos ‘provinciais’. Vocês não questionam porquê?”, completou.

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