A Comissão foi boicotada pela Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) e conta apenas com deputados da maioria da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo) e uma única representante do Movimento Democrático de Moçambique (MDM).
Sílvia Cheia, deputada do MDM, afirmou, citada pelo jornal O País, que “a forma como os restos mortais foram tratados mostra estar-se em presença de uma vala comum, sendo que, para já, não interessa se é de 120 corpos ou não“.
Apesar de as autoridades apenas terem visitado o local dos onze corpos debaixo da ponte, existem pelo menos mais nove cadáveres documentados por jornalistas, numa zona próxima, entre os distritos de Macossa e Gorongosa.
Esta é a segunda fase das investigações depois das audições da comissão parlamentar em Maputo e na cidade da Beira e de na terça-feira a comissão ter negado a existência de uma vala comum em Canda, distrito de Gorongosa, denunciada por camponeses no final de Abril à Lusa.
“O resultado [das investigações] permite-nos afirmar de forma categórica, inequívoca e definitiva que não há uma vala comum em Canda“, afirmou na terça-feira Edson Macuacua.
A 30 de Abril, jornalistas de vários órgãos de comunicação social, incluindo a Lusa, testemunharam e fotografaram 15 corpos espalhados no mato, entre os distritos da Gorongosa, província de Sofala, e Macossa, Manica.
Estes corpos foram posteriormente observados por vários órgãos de comunicação social moçambicanos e pela cadeia de televisão Al-Jazeera, que mostrou restos humanos ainda visíveis três semanas depois de terem sido descobertos.
Mais cinco corpos foram encontrados por um grupo de jornalistas da France Presse (AFP) e Deutsche Welle (DW) em Macossa, centro de Moçambique, aumentando para vinte o número de cadáveres descobertos na região, informou na quarta-feira a agência noticiosa francesa.
Os corpos foram abandonados nas proximidades do local onde camponeses alegaram à Lusa ter observado uma vala comum com mais de cem cadáveres, até ao momento desmentida pelas autoridades, e sem que os jornalistas tenham conseguido ter acesso ao local, numa zona de forte presença militar, no quadro do conflito que se vive no centro do país.
Quer a Comissão Nacional de Direitos Humanos, vinculada ao Estado, como a ONU e organizações não-governamentais não se pronunciaram entretanto sobre se tentaram ou conseguiram ter acesso ao local.
A região da Gorongosa, onde se presume encontrar-se o líder da Renamo, Afonso Dhlakama, tem sido marcada por confrontos entre o seu braço armado e as forças governamentais.