Um atentado perpetrado por um homem-bomba que conduzia um triciclo carregado de explosivos resultou na morte de ao menos nove pessoas e deixou outras 34 feridas, na terça-feira (12), no noroeste do Paquistão. As informações foram confirmadas pela polícia local.
O ataque ocorreu poucos dias após um atentado suicida com carro-bomba contra um posto de controle da polícia em Bannu, na mesma região, que culminou com a morte de 15 policiais durante um subsequente tiroteio com as forças de segurança. “Segundo os primeiros relatos, o suposto homem-bomba se aproximou de dois agentes da polícia rodoviária que estavam em um posto de controle antes de se explodir”, declarou Muhammad Sajjad Khan, um alto responsável da polícia.
Após o atentado em Bannu, o Ministério das Relações Exteriores do Paquistão convocou o principal diplomata afegão em missão no país, afirmando que o ataque foi “orquestrado por terroristas que residem no Afeganistão”.
A província de Khyber Pakhtunkhwa, situada no noroeste do Paquistão e na fronteira com o Afeganistão, é frequentemente alvo de atentados suicidas e episódios de violência atribuídos a grupos que se opõem ao governo paquistanês. O Paquistão tem acusado Cabul de abrigar esses grupos insurgentes, uma alegação que o governo afegão nega.
O conflito entre Paquistão e Afeganistão se arrasta há anos, especialmente em torno da fronteira comum, cuja delimitação não é reconhecida por Cabul. A tensão se intensificou desde o retorno do governo talibã ao poder em 2021, com confrontos esporádicos se transformando em uma guerra aberta no final de Fevereiro, quando o Paquistão realizou bombardeios aéreos, inclusive sobre Cabul.
Um relatório da ONU, publicado na terça-feira, revelou que o conflito resultou na morte de 372 civis afegãos e deixou outros 397 feridos entre 1º de Janeiro e 31 de Março de 2026. Entre as vítimas, estavam 13 mulheres, 46 crianças (31 meninos e 15 meninas) e 313 homens. A predominância de vítimas do sexo masculino deve-se em parte ao elevado número de mortos no ataque de 16 de Março contra um hospital em Cabul que atendia exclusivamente pacientes homens em tratamento contra dependência química.
Em resposta por escrito, o Paquistão afirmou que “nenhum hospital ou centro de reabilitação para dependentes químicos foi alvo” de seus bombardeios e que suas ações “foram direcionadas apenas contra infraestruturas terroristas e militares”.

















