Internacional Incursão de caças americanos provoca tensão nas águas venezuelanas

Incursão de caças americanos provoca tensão nas águas venezuelanas

Dois caças americanos F-18 Super Hornet realizaram uma incursão em águas da Venezuela, infringindo a linha de 12 milhas náuticas que delimita o território marítimo nacional. Este ato surge como um novo sinal de pressão ao regime do presidente Nicolás Maduro.

As informações sobre a incursão foram divulgadas pela imprensa venezuelana e colombiana, com registos obtidos de plataformas de monitorização aérea, como o Flightradar24. Os caças voaram sobre as águas entre Zulia e Falcón, nas proximidades de Maracaibo, situadas entre a península de Paraguaná e a península de La Guajira.

Segundo o canal NTN24, os caças permaneceram na área realizando várias voltas antes de se dirigirem para o norte, desligando posteriormente os seus transponders. Os registos ADS-B identificaram as aeronaves pelos códigos hexadecimais AE53C1 e AE1AE7.

Os F-18 partiram do porta-aviões USS Gerald R. Ford (CVN-78), que retomou operações na região como parte de uma mobilização norte-americana voltada para reforçar as operações de combate ao narcotráfico e a vigilância estratégica no hemisfério. Anteriormente, os voos dos Estados Unidos tinham respeitado o espaço marítimo territorial venezuelano, mantendo-se em águas internacionais. Contudo, a incursão desta terça-feira ultrapassou essa delimitação, incluindo as águas interiores da Venezuela, consideradas parte do território nacional.

A área de voo dos F-18 localiza-se nas proximidades da base naval Rafael Urdaneta em Maracaibo, a principal base naval do estado de Zúlia, e do Comando da Região Estratégica de Defesa Integral Ocidental, um local de grande importância estratégica devido à presença de unidades de vigilância costeira e fluvial, centros de comando e baterias defensivas.

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Além dos caças, um drone militar norte-americano MQ-4C Triton, identificado pelo código 169804 BLKCAT6, também entrou no espaço aéreo da Região de Informação de Voo (FIR) de Maiquetía, realizando manobras de reconhecimento frente à costa central da Venezuela. O MQ-4C Triton é considerado um dos sistemas não tripulados mais avançados dos Estados Unidos, destinado principalmente a operações de Inteligência, Vigilância e Reconhecimento (ISR).

Na véspera, o ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino López, declarou que as Forças Armadas estão “mais do que preparadas” para proteger o país contra potenciais agressões provenientes de Washington, que é acusado de buscar provocar uma mudança de regime.

Padrino López afirmou que as forças armadas estão unidas e mais profissionais do que nunca, prontas para responder a qualquer provocação que ameace a integridade nacional. Por sua vez, o Ministro do Interior, Diosdado Cabello, mencionou que a Venezuela atravessa uma “revolução pacífica” e possui capacidade para uma “resistência ativa prolongada”.

Washington tem acusado Nicolás Maduro de liderar o Cartel de Los Soles, oferecendo uma recompensa de 50 milhões de dólares por informações que conduzam à sua captura, uma alegação que Caracas refuta categoricamente. A Administração Federal de Aviação (FAA) dos EUA já havia alertado as companhias aéreas sobre os riscos ao sobrevoarem a Venezuela e o sul do Caribe.

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