O governo da Bolívia confirmou a identificação de quatro casos positivos de hantavírus em cidades que fazem fronteira com a Argentina, conforme divulgado na segunda-feira (11), pelo Serviço Departamental de Saúde de Tarija (SEDES).
As infecções foram detectadas nas cidades de Bermejo, Yacuiba e Padcaya, levando à emissão de um alerta epidemiológico após as análises laboratoriais confirmarem os casos. O hantavírus é transmitido pelo contacto com a urina, fezes e saliva de roedores infectados e pode ser letal. Os sintomas iniciais assemelham-se aos de uma gripe, podendo evoluir para complicações pulmonares e renais. Destaca-se a cepa Andes, que possui a capacidade de transmissão entre humanos.
Actualmente, não existem vacinas ou medicamentos antivirais específicos para tratar a infecção, o que resulta em altas taxas de mortalidade associadas ao hantavírus.
A doença ganhou atenção internacional após um surto no navio de cruzeiro MV Hondius, que partiu da Argentina no início de abril. A Organização Mundial de Saúde (OMS) relatou que três pessoas a bordo adoeceram, com três delas testando positivo para hantavírus. Lamentavelmente, três tripulantes, incluindo um casal de holandeses e um cidadão alemão, faleceram.
Uma operação de resgate para os passageiros do navio, que se encontrava atracado em uma ilha da Espanha, iniciou no domingo (10), envolvendo a colaboração de mais de 20 países. Ao todo, mais de 100 pessoas foram resgatadas e repatriadas, enquanto 27 permaneceram a bordo do MV Hondius, que prosseguirá a viagem até a Holanda, onde será submetido a um processo de descontaminação.
Após o surto, pelo menos seis países registaram casos suspeitos ou confirmados de hantavírus, incluindo Espanha, Estados Unidos, Holanda, África do Sul, Singapura e França.
Outros países, como Chile, Argentina e Israel, também confirmaram infecções por hantavírus, mas sem ligação com a crise no MV Hondius, considerando esses casos como situações endémicas anteriores aos contágios no navio de cruzeiro.
No Brasil, oito infecções de hantavírus foram registradas por autoridades locais em 2026, incluindo uma morte confirmada em Minas Gerais. As autoridades de saúde continuam a monitorar a situação e a implementar medidas de prevenção.














