O Procurador-Geral da República (PGR) de Angola, Hélder Pitta Groz, expressou a sua desapontamento face à ausência de resposta por parte das autoridades judiciais e políticas dos Emirados Árabes Unidos (EAU) em relação ao pedido de extradição da empresária Isabel dos Santos, que enfrenta 12 acusações de crimes relacionados com a sua gestão na petrolífera estatal Sonangol entre 2016 e 2017.
Durante uma conferência de imprensa realizada em Lisboa após uma visita ao seu homólogo português, Amadeu Guerra, Pitta Groz afirmou: “Remetemos toda a documentação necessária ao Dubai, aos Emirados Árabes Unidos, e aguardamos que eles cumpram.” A expectativa do PGR é que as autoridades dos EAU tomem uma posição a respeito do caso, uma vez que “já não depende de nós”.
Isabel dos Santos, filha do falecido Presidente angolano José Eduardo dos Santos, tem repetidamente defendido a sua inocência, classificando as acusações como um ataque político.
Apesar das alegações, o PGR angolano sublinhou a importância de que a empresária se apresente à justiça, afirmando que “o importante é que se ponha à nossa disposição para que o processo seja concluído, seja por detenção ou por apresentação de sua livre e espontânea vontade”.
O PGR recordou ainda que a ausência da empresária em Angola está a dificultar a conclusão dos processos judiciais em que ela está implicada. “Enquanto isso não acontecer, é difícil os processos ficarem concluídos”, lamentou.
O encontro entre Pitta Groz e Guerra, segundo o PGR angolano, foi de natureza cortês e não incluiu discussões sobre os casos relacionados com Isabel dos Santos. A empresária, que vive fora de Angola há vários anos, é frequentemente associada a investigações de corrupção, especialmente após a revelação, em 2020, de documentos no âmbito do projecto Luanda Leaks, que alegam irregularidades financeiras em que Isabel dos Santos e o seu falecido marido, Sindika Dokolo, teriam envolvido recursos do Estado angolano.
Até ao momento, Isabel dos Santos e a sua defesa não se pronunciaram sobre as declarações do PGR. A situação permanece em aberto, com Angola a aguardar uma resposta das autoridades dos Emirados Árabes Unidos.















