A crise humanitária que assola o Sudão tem se agravado com o reporte de pelo menos 646 mortes por fome em abrigos destinados a pessoas que fogem dos intensos combates entre o exército sudanês e as Forças de Apoio Rápido (RSF) nos Montes Nuba.
As informações foram confirmadas por autoridades locais do Movimento Popular de Libertação do Sudão-Norte (SPLM-N), um proeminente grupo armado que opera nesta região montanhosa do Estado do Cordofão do Sul.
Segundo o SPLM-N, mais de 52.000 pessoas enfrentam um quadro alarmante de subnutrição, tanto no Cordofão do Sul como no estado vizinho do Nilo Azul, área onde o movimento também mantém uma significativa presença. O primeiro secretário da Autoridade Civil do SPLM-N, Arno Ngutulu Lodi, alertou que a situação sanitária “está a deteriorar-se rapidamente”, com um aumento contínuo dos casos de subnutrição e, consequentemente, do número de mortes.
A região de New Fung, no estado do Nilo Azul, é uma das mais afectadas pelo desastre. As autoridades locais confirmaram até à data pelo menos 404 mortes e 1.223 casos de subnutrição severa. Estima-se que cinco milhões de pessoas estejam a sofrer as consequências da guerra, incluindo 4,4 milhões de residentes e 770.000 deslocados, dos quais meio milhão se encontra apenas em New Fung.
A guerra, que iniciou em Abril de 2023 devido a desavenças entre o exército e os paramilitares sobre a partilha do poder após o golpe de Estado de 2021, devastou o sistema de saúde do país. O acesso a alimentos e medicamentos tem sido drasticamente afectado, com alguns suprimentos a chegarem lentamente à zona de desembarque de Porto Sudão.
Na passada quarta-feira, o Comité de Direcção do Sindicato dos Médicos sudaneses denunciou a discrepância nos números das mortes causadas pela dengue na cidade de Omdurman. Enquanto o Ministério da Saúde sudanês reportou apenas nove mortes a nível nacional, os médicos locais afirmam que o número real pode ultrapassar as 250 mortes, com mais de 7.600 infecções registadas.
Desde o início do conflito, as Nações Unidas estimam que cerca de 20 mil pessoas morreram, 33 mil ficaram feridas, 7,9 milhões foram deslocadas internamente e 2,1 milhões procuraram refúgio em países vizinhos, revelando a extensão devastadora da crise que afecta o Sudão.















