O conflito no Sudão continua a intensificar-se, mergulhando o país numa espiral de violência e destruição.
As forças armadas sudanesas e as Forças de Apoio Rápido (FAR) estão a reivindicar vitórias em diversos pontos do território, com o exército a tentar recuperar o controlo sobre a capital, Cartum, enquanto as FAR mantêm um cerco rigoroso à cidade de El-Fasher, no oeste.
Apesar dos avanços relatados pelo exército, a perspectiva de uma vitória definitiva parece remota, com ambos os lados a infligirem pesadas perdas às infraestruturas e à população civil. Mercados e hospitais têm sido reduzidos a escombros, enquanto o número de mortos e a miséria da população aumentam a cada dia que passa.
Abdel-Fattah al Burhan, o general que liderou um golpe militar em 2021 e que desfez a transição para um governo civil prometida após a revolução de 2019, mantém-se firme na sua posição de que é o líder legítimo do Sudão e que a vitória do exército é iminente.
Por outro lado, Mohammed Hamdan Dagalo, conhecido como Hemedti, inicialmente aliado, agora se apresenta como um adversário decidido, simulando abertura para negociações enquanto persegue uma vitória militar.
Enquanto isso, a comunidade internacional tem sido criticada por não agir de forma mais decisiva. Vários países, incluindo os Emirados Árabes Unidos, o Egipto, a Etiópia, a Arábia Saudita e a Rússia, têm sido acusados de apoiar uma ou outra facção, contribuindo para a prolongação do conflito em busca de influência regional e ganhos económicos.
A situação é ainda agravada pela passividade dos Estados Unidos e da União Europeia, que, embora tenham apelado pelo fim das hostilidades, poderiam intensificar esforços para interromper o fluxo de armamento e financiamento que alimenta a guerra.
O Sudão enfrenta agora a sua maior crise de fome e deslocação, e, apesar das reclamações sobre a indiferença global, a verdade é que o conflito teve origem nas disputas internas entre Burhan e Hemedti sobre o controlo político e militar do país, bem como os benefícios económicos daí decorrentes.
Com a situação a deteriorar-se, torna-se claro que o Sudão não é grande o suficiente para acomodar ambos os líderes e, assim, as negociações para uma partilha de poder parecem cada vez mais inviáveis. Burhan, sensível à fragilidade da soberania do seu governo, vê a mediação externa como uma violação da autonomia nacional, enquanto se agarra à esperança de uma vitória total, mesmo sabendo que ainda está longe de recuperar o controlo absoluto sobre o país.
A comunidade internacional observa ansiosamente, mas a verdadeira solução para este conflito reside nas mãos dos próprios sudaneses e na sua capacidade de encontrar um consenso que preserve a vida e a dignidade dos civis no meio deste caos.















