A Conferência Episcopal Venezuelana (CEV) pediu a realização de eleições livres e democráticas no país, apelando para que se encontre uma saída democrática que origine uma mudança de governo.

“Perante a progressiva deterioração da situação política venezuelana (…) é necessária a saída do atual Governo e a realização de eleições presidenciais limpas, em condições de transparência e equidade”, refere um comunicado da CEV.

O documento foi apresentado numa conferência de imprensa virtual, no âmbito da Assembleia Plenária do Episcopado Venezuelano.

“Estamos conscientes, e reafirmamos hoje, de que os graves problemas do país só se solucionam com mudanças substanciais que respeitem a lei, as instituições e a autonomia dos poderes”, adianta.

No documento, os bispos sublinham que não podem ficar de braços cruzados e que “os venezuelanos querem viver em democracia”, pelo que “é necessário realizar eleições de modo imparcial para todos os partidos políticos e respeitar o voto dos cidadãos”.

“O regime, mais preocupado em manter-se no poder do que com o bem-estar do povo, convocou eleições parlamentares (para 06 de dezembro), valendo-se de um Supremo Tribunal de Justiça submisso ao executivo, um Conselho Nacional Eleitoral ilegítimo e confiscou alguns partidos políticos (opositores)”, destaca.

Segundo a CEV, o regime também “realizou ameaças e perseguições a líderes políticos, tentando comprar consciências”.

“Tudo isso, além de gerar ilegitimidade, provocará abstenção e a falta de confiança nessas incertas eleições parlamentares”, alerta.

“Denunciamos como imoral qualquer manobra que obstaculize a solução social e política dos verdadeiros problemas, assim como o cinismo” de alguns atores políticos que “se prestam a esse jogo desavergonhado, com o qual o regime se consolida como um Governo totalitário, justificando não poder entregar o poder para alguém que pense diferente”, acrescenta o documento.

Para a Igreja Católica venezuelana, “a recusa do ministro da defesa (Vladimir Padrino López) em aceitar uma mudança de governo é totalmente inconstitucional e, portanto, inaceitável”.

“À medida que as diretrizes ditatoriais endurecem, as pessoas sofrem. A oposição é perseguida como nunca antes”, destaca.

“É por isso que exigimos, mais uma vez, eleições livres e democráticas autênticas, para construir o país que todos queremos. Vemos com grande preocupação como as Forças Armadas, longe de estarem ao serviço e defesa do povo, decidiram seguir uma parcialidade política. Isso faz com que cresça a desconfiança das pessoas com relação a elas e que cada dia mais fiquem desprestigiadas”, afirma a CEV.

No domingo, o ministro da Defesa da Venezuela advertiu que a oposição deve entender que jamais será um poder político no país.

“Enquanto houver umas Forças Armadas como as que hoje temos, anti-imperialistas, revolucionárias, bolivarianas, nunca poderão exercer o poder político na Venezuela”, disse Vladimir Padrino Lopez.

“Acho que é bom que entendam isso”, frisou o ministro, que se referiu à oposição como uma “fação de bandidos, politiqueiros, que têm ousado exigir um maior compromisso” das Forças Armadas.

Em 12 de junho, o Supremo Tribunal de Justiça (STJ) nomeou novas autoridades do Conselho Nacional Eleitoral da Venezuela, uma semana depois de retirar os poderes da Assembleia Nacional para as eleger e depois de anunciar que assumiria o processo.

Na última terça-feira, o STJ suspendeu a direção do partido Vontade Popular, depois de em 16 de junho ter suspendido também as dos partidos Primeiro Justiça e Ação Democrática. O STJ ordenou que sejam reestruturados e nomeou uma direção para as três organizações.