John Turmel é um canadiano de 67 anos, de Ontário, que já concorreu 95 vezes em eleições e está no livro do Guinness. Prepara agora a 96ª eleição, desta vez, para a câmara municipal da cidade onde mora.

John “O Engenheiro” Turmel, como gosta de ser chamado, começou na corrida às eleições em 1979 e, desde então, nunca mais parou. Participou em 95 eleições, todas elas perdidas, excepto uma que foi anulada, em Setembro de 2008. Actualmente, está a concorrer à 96ª eleição, desta vez, para presidente de câmara de Brantford, a cidade onde reside e que tem cerca de 99 mil habitantes.

Veste-se regularmente com uma gravata da sorte e um capacete de construção branco que diz: “Turmel, o Engenheiro”, referindo-se ao diploma de bacharel em engenharia eléctrica. Turmel refere-se a si próprio como o “mais inteligente homem na Terra” e descreve as massas como “retardadas”, segundo conta o jornal “The Guardian”.

Os cargos a que concorreu variam de vereador a deputado, em eleições federais, provinciais ou municipais. John Turmel entra na corrida às eleições, muitas vezes, como independente, sendo que os seus votos tanto totalizam 11, como 4500.

Tudo começou em 1979 e com o vício pelo jogo. Turmel foi detido várias vezes por promover – “debaixo da mesa” – o jogo “Blackjack” (ou “Vinte e um”, um jogo de azar, de cartas que, normalmente, se joga em casinos), em Otava. “Então, eu concorri ao parlamento em 1979 para legalizar os jogos de apostas e para que eu parasse de ser apanhado”, explicou ao “The Guardian”.

Na altura, a sua plataforma defendia também a legalização das drogas e da prostituição.

O canadiano descreve-se como um apostador profissional e acredita que as eleições não são feitas para ganhar ou para perder, mas sim como um meio de baixo custo para promover ideias.

Desde 1997 que Turmel aparece no livro do Guinness como o candidato com o maior número de derrotas do mundo, de acordo com o jornal “El País”.

Turmel diz que não faz campanha. “Inscrevo-me, divulgo um comunicado e promovo uma conferência de imprensa e depois vou para casa. E se houver um debate, eu apareço”, disse. Aliás, o candidato marca presença em todos os debates, mesmo naqueles para os quais não é convidado, acabando por ser escoltado pela polícia, na maior parte das vezes.

Os gastos que John Turmel tem nas candidaturas são pagos com aquilo que ganha no jogo, embora tenha parado de jogar ao ritmo que fazia antes. Agora recebe uma pensão que diz ser mais alta do que aquilo que conseguia juntar com as apostas.

“Não tenho arrependimentos. Para um homem sem recursos, fazendo tudo com os meus ganhos, principalmente de jogos ilegais, do que tenho que me envergonhar?”, referiu.

JN