Robert Badura, infecciologista do Hospital de Santa Maria, declarou ao CM que a transmissão do hantavírus entre humanos é “rara”, embora a estirpe dos Andes, identificada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) em contágios analisados a bordo do MV Hondius, possa aumentar essa probabilidade.
Segundo Badura, essa variante do vírus afecta os pulmões de forma mais intensa, provocando hemorragias que podem resultar em secreções durante a tosse, potencialmente contagiando outras pessoas.
O médico comentou sobre os oito casos confirmados do vírus, dos quais três resultaram em morte, e indicou que a transmissão humano-humano ocorre geralmente através de contacto muito próximo, como beijos ou a partilha de camas. A hipótese mais aceita até o momento aponta para um casal neerlandês como ‘paciente-zero’, que contraiu o vírus após visitar um aterro para observação de aves.
Com mais de uma centena de pessoas a bordo do navio, cinco casos de hantavírus foram confirmados. Apesar da gravidade da situação, o infecciologista evita especulações sobre a possibilidade de uma nova pandemia, como a vivida durante a covid-19. “Creio que o vírus não tem essa capacidade, é um risco baixo. É importante compreender como estes casos ocorreram”, afirmou.
A OMS continua a monitorar a situação, que até agora está restrita ao MV Hondius. Nesta quarta-feira, três pessoas, incluindo dois tripulantes, foram retiradas do navio em Cabo Verde e transportadas ao aeroporto da Praia, com destino aos Países Baixos. Uma das aeronaves fez uma paragem nas Canárias, Espanha, para abastecimento.
A bordo do navio, encontram-se cerca de 150 pessoas originárias de 23 países diferentes, e as autoridades de saúde mantêm vigilância sobre o estado de saúde dos passageiros e tripulação.














