Residentes do posto administrativo de Vunduzi, distrito de Gorongosa, na província de Sofala, pedem ao líder da Renamo, Afonso Dhlakama e seus homens armados para saírem das matas e se juntarem ao processo de desenvolvimento de Moçambique.
O pedido foi formulado na quinta-feira, na região de Satungira, arredores da Serra da Gorongosa, a um grupo de jornalistas que escalou aquela região para acompanhar o processo de retirada das Forças Defesa e Segurança (FDS) das posições criadas durante o recente conflito político-militar.
A retirada de oito posições militares que cercavam a Serra da Gorongosa é fruto do diálogo entre o Presidente da República, Filipe Nyusi e o líder da Renamo, Afonso Dhlakama, para a busca de uma paz afectiva em Moçambique.
Um grupo de jornalistas moçambicanos, que durante dois dias escalou a zona da Serra de Gorongosa, testemunhou que todas oito posições militares foram efectivamente desactivadas, restando apenas alguns vestígios da presença deixados pelos elementos das FDS.
Por isso, olhando para o actual clima de tranquilidade que se vive em Gorongosa e noutras da região, os residentes de Vunduzi pedem a retirada imediata de Dhlakama e seus homens armados das matas para que a paz efectiva seja uma realidade.
Manuel Bosque, 45 anos, residente em Satungira há mais de duas décadas manifestou a sua preocupação à reportagem da AIM com a presença do líder da Renamo e seus homens nas matas, porque continuam a semear um clima de insegurança para a população.
Segundo Bosque, o líder da Renamo deveria sair do local onde se encontra refugiado, juntamente com os seus seguidores, e juntar-se a outros moçambicanos que dia e noite trabalham para desenvolver o país.
“O governo está interessado em trazer a paz efectiva. Vemos que depois do anúncio da trégua, muitos militares saíram das posições e regressaram aos quartéis de origem. O mesmo devia acontecer com a Renamo, sair das matas porque só assim é que havemos de acreditar que estamos em paz”, disse a fonte.
“Se isso não acontecer continuaremos com medo porque não sabemos o que eles estão a pensar e o que vai acontecer”, acrescentou.
Disse que na presente campanha agrícola a região produziu muita comida. “Conforme estão a ver este ano produzimos cereais, feijões e mandioca. Isso mostra que queremos trabalhar, mas o clima de insegurança é que nos preocupa bastante. Ainda sentimos a dor da guerra, por isso não queremos voltar a viver a mesma situação. Pedimos paz para conseguirmos tomar conta dos nossos filhos e produzir para desenvolver nossa zona e o país em geral”.
O mesmo sentimento é partilhado por Zerinha Baptista, também residente de Satungira. Baptista defende que o líder da Renamo deveria sair imediatamente das matas.
“Dhlakama deve entregar as armas porque nós queremos paz. Enquanto tiver armas vão continuar a ser uma ameaça principalmente para nós que vivemos nesta zona. Os nossos filhos querem estudar e nós queremos produzir mais comida. Isso só será possível se estivermos em paz”, sublinhou Baptista.
Entretanto, o comandante das FDS estacionadas no distrito de Gorongosa, Wendy Wan Bedford, disse que a retirada dos seus homens das oito posições para outras unidades constitui um grande ganho para a população, pois estão criadas condições para que país volte a conhecer uma paz efectiva.
“Vocês viram esta manhã que as posições estão todas abandonadas. No total são oito posições encerradas. Os militares voltaram aos quartéis. Estamos a cumprir as orientações dadas pelo Comandante-em-Chefe das FDS. O que resta é apenas ver qual será a atitude da Renamo para o alcance da paz. Estamos a fazer nossa parte”, afirmou.
Explicou que o militares foram transferidos para o quartel de Satungira e outras unidades de origem.
Os militares não saíram para zonas próximas. Isso é mentira. Foram para os quartéis que não estão a ser reivindicados pela Renamo. Estamos a falar de Satungira que não consta do rol das reclamações de Afonso Dhlakama. A Renamo quer a retirada definitiva das posições de instaladas durante os últimos acontecimentos militares terminados em princípios deste anos.
Refira-se que as oito posições mencionadas por Dhlakama são Nharirosa, Lourenço, Mapanga-panga, Nhauchegue, Nhamadjiwa, Nhantaca, Mucoza e Satungira, criadas a partir de Maio de 2016 durante a perseguição aos homens armados da Renamo.
AIM

















