Politica Presidência aberta e inclusiva: Inhambane apela à paz

Presidência aberta e inclusiva: Inhambane apela à paz

Organizações da sociedade civil na província de Inhambane defendem com firmeza e determinação a necessidade de o Governo prosseguir com as acções tendentes à manutenção e consolidação da paz e da unidade nacional bem como o aprofundamento da democracia, a bem do desenvolvimento do país.

Interpeladas pela nossa fonte, a propósito da visita que o Chefe do Estado, Armando Guebuza, efectua desde ontem à província, no quadro da Presidência Aberta e Inclusiva, estas organizações prometeram apresentar os seus pontos de vista sobre o “estado geral da nação”, em geral, e da província, em particular, no decorrer da visita que tem como pontos de escala os distritos de Zavala, cidade da Maxixe, Funhalouro e Govuro.

O que as organizações da sociedade civil e a população em geral vão pedir ao Chefe do Estado é o aprofundamento do diálogo com todas as forças políticas e com outras agremiações, tendo como horizonte o não regresso às hostilidades.

Ainda amargurados, os nossos interlocutores lembram os dias de tensão vividos pelos moçambicanos quando a Renamo, sob pretextos infundados, decidiu levar a cabo ataques contra civis indefesos ao longo da EN1, o que culminou com a perda de vidas humanas e com a destruição de importantes infra-estruturas económicas e sociais, retardando ainda mais o tão almejado desenvolvimento nacional.

O Presidente do Conselho Provincial da Juventude (CPJ) e o Secretário Provincial da Organização da Juventude Moçambicana (OJM), Arnaldo Chambe e Valdemiro da Georgina Nhachengo, respectivamente, desencorajaram a camada juvenil a aderir a qualquer tipo de violência para alterar a ordem política, económica e social do país, defendendo, para o efeito, a Constituição da República e demais legislação.

“Nós, jovens, recusamo-nos a pegar em armas para destruir o nosso próprio país. Somos, por consequência, amantes da paz. Queremos participar nas acções de desenvolvimento guiados pelo espírito de empreendedorismo juvenil”, defendem aqueles dois líderes juvenis que esperam transmitir ao Presidente da República uma mensagem de paz e de desenvolvimento.

“Não queremos guerra, mas também não permitiremos que o nosso país seja alvo de indivíduos que agem com base em agendas ocultas. Somos contra todos os que lutam por emperrar o desenvolvimento nacional. Pela pátria, tal como no passado, estamos prontos para defender as nossas conquistas. O nosso sonho em Inhambane é manter o ritmo do crescimento económico, fragilizando cada vez mais a pobreza, daí que pretendamos dizer ao Presidente da República que estamos do seu lado e que continue a dirigir o país rumo ao progresso”, disseram.

Por seu turno, a pastora da Igreja Presbiteriana – Paróquia de Inhambane, Marta Milagrosa Mungói, defendeu que o Governo e a Renamo devem sentar à mesma para que, tal como no passado, saibam ultrapassar as suas diferenças em benefício do povo. É que de contrário, segundo defendeu, o país corre risco de mergulhar num caos sem precedentes. O diálogo é a única alternativa para ultrapassar qualquer impasse que se verifique no processo de implementação da democracia multipartidária em Moçambique.

Para José Picado, secretário provincial da Associação dos Combatentes da Luta de Libertação Nacional (ACLLN), o Governo está a dirigir como deve ser o diálogo com a Renamo, daí que promete encorajar o Chefe do Estado para que nas suas funções de mais alto magistrado da nação continue a defender a Constituição e que não se deixe desviar por agendas obscuras.

“Em toda parte do mundo obedece-se a regras de convivência democrática e o nosso país não pode e nem deve ser excepção quanto ao cumprimento escrupuloso de tais regras. Ou seja, a Renamo não deve pretender ser excepção no jogo democrático em Moçambique. As regras são iguais para todos e todos devem cumpri-las para que o nosso país possa avançar”, disse José Picado.

ECONOMIA ATINGE OITO POR CENTO

Para além das mensagens de apoio ao Governo nas acções de consolidação da paz, da unidade nacional e do aprofundamento da democracia vindas da população, a província de Inhambane vai apresentar ao Chefe do Estado um relativo progresso socioeconómico, avaliado em cerca de oito por cento do Produto Interno Bruto (PIB), um desempenho assegurado pelos sectores de Indústria e Comércio, Turismo, Agricultura e Recursos Minerais.

Todavia, a falta de cobertura para a implementação de um conjunto de 14 projectos-âncora, figura no pacote dos constrangimentos que fragilizam o governo provincial para continuar a dinamizar o progresso de Inhambane.

Apesar de o Governo local ter apresentado esta necessidade aos investidores durante a quadragésima nona edição da FACIM, o governo de Inhambane vai solicitar a intervenção do Presidente da República não só na dotação orçamental para a implementação dessas iniciativas, mas também para dirigir os investidores que procuraram oportunidades de negócio em Moçambique.

Construção de supermercados nas chamadas Zonas Económicas Especiais como Praia do Tofo, a construção das fábricas de cimento em Vilankulo, a exploração do Guano de Morcego para fabricar fertilizantes orgânicos, a construção da ponte na baía de Inhambane ligando as cidades da Maxixe e Inhambane, a exploração de negócio na electrificação rural com recurso a gás natural produzido no norte da província, a instalação das fábricas de processamento de mandioca, madeira bem como para o aproveitamento da fruta, manga, tangerina e ananás, constituem parte das preocupações que Inhambane vai apresentar ao Presidente da República visando um apoio para o desenvolvimento destes sectores.

Tirando estas preocupações, o executivo de Agostinho Trinta vai reportar ao Chefe do Estado a necessidade da expansão da energia eléctrica para as zonas produtivas de forma a dinamizar a processamento de recursos locais.

No distrito de Govuro, a população local vai agradecer ao Presidente da República pela reabilitação, ampliação e modernização do regadio de Chimunda, uma infra-estrutura hidráulica que vai dinamizar a revolução verde na província de Inhambane em geral.

Expansão da energia eléctrica, dos pequenos sistemas de irrigação como alternativa à escassez de chuva na região do interior, o melhoramento das vias de acesso para facilitar o escoamento da produção agrícola para os centros comerciais, entre outras dificuldades, vão dominar os pedidos da população ao Chefe do Estado, solicitações que têm a ver com a necessidade de melhoramento das condições básicas das comunidades.

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