A Primeira-dama de Moçambique, Maria da Luz Guebuza, alertou os residentes do distrito de Mueda, na provincia de Cabo Delgado, para se manterem vigilantes contra as diversas formas de crime que, além de afectar a tranquilidade distrital, podem tornar o país num refúgio para os criminosos fugitivos.
A esposa do estadista moçambicano reiterou o apelo no encontro que manteve durante a tarde desta terça-feira com uma parte da população do distrito situado no planalto de Mueda, no âmbito da visita que está a efectuar à província de Cabo Delgado, norte do país, no quadro das actividades levadas a cabo pelo seu gabinete.
O advento dos hidrocarbonetos no distrito de Palma, um dos quatro da zona do planalto, a existência de variados recursos minerais no subsolo de diversos distritos da província constituem realidades que, além de expor a região à “fome” dos investimentos, também colocam-na à “cobiça” de muitas pessoas cujas intenções em nada têm a ver com o desiderato do desenvolvimento de Moçambique.
O distrito, a semelhança de tantos outros da província, continua a registar elevadas taxas de casamentos precoces, consentidos pelos pais das raparigas desposadas na expectativa de ver melhorada a condição de vida, na sequência do dote que é entregue aos pais pela família do futuro genro.
A situação torna Moçambique, segundo os dados do UNICEF, país com uma das mais elevadas taxas do mundo de fertilidade na adolescência, com 179 partos por 1000 raparigas no escalão etário entre os 15 e 18 anos, o quadro que surge como um dos maiores obstáculos à educação contínua da rapariga.
A realidade tornou-se mais preocupante no país, em Cabo Delgado em particular, porque os futuros genros são pessoas vindas de vários países, que usam a falsa vontade de noivado para adquirir nada mais, nada menos a nacionalidade moçambicana e, de seguida, romper o casamento para se dedicarem a actividades, muitas vezes, criminais.
No entanto, para conseguir a nacionalidade enganam os pais das noivas com “presentes envenenados”, como geradores de corrente eléctrica, motorizadas e viaturas oferecidas às famílias das raparigas pretendidas, como sinais de um amor que vai durar para sempre, mas não passam de formas cuja finalidade é facilitar, na verdade, a consumação das suas intenções.
Após a atribuição da nacionalidade moçambicana, essas pessoas ficam a desenvolver actividades muitas vezes de natureza criminal e outros, segundo Maria da Luz, são pessoas procuradas pela justiça nos países de origem, mas que ao ostentar a nova identidade passam a ser tratados como “filhos” do país.
“Moçambique não pode ser um campo de refúgio para todo o tipo de criminosos, daí que temos de nos mantermos vigilantes contra essas pessoas”, disse a primeira-dama, anotando que mesmo os presentes que essas pessoas trazem devem ser sempre questionados.
Os pais, segundo a fonte, devem incentivar as raparigas a abraçar a sua formação escolar, porque só ela pode ajudar a resolver as várias manifestações de pobreza abjecta que milhares de moçambicanos ainda se encontram mergulhados.
Aliás, um dos aspectos de relevo que avultou no encontro se prende com a falta de escolas técnicas no distrito que, na óptica dos residentes, ajudaria a formar quadros profissionais preparados para melhor aproveitar os dividendos da exploração de hidrocarbonetos na Bacia do Rovuma, mais a norte.
Maria da Luz Guebuza reconheceu a relevância da sugestão avançada, mas afirmou que uma vez não havendo um estabelecimento de ensino técnico em Mueda, os filhos dos residentes podem ser enviados para os distritos vizinhos que as possuem, onde podem ser formados.
Os pais, segundo a primeira-dama, devem engajar-se também nos vários programas de alfabetização de adultos que o governo coloca em prática, para melhor interpretarem os fenómenos de desenvolvimento que antes não existiam e assim participar no processo de crescimento que o país a atravessar.
A primeira-dama manifestou-se preocupada com o facto de Cabo Delgado figurar na lista de províncias do país com elevados índices de analfabetismo, devendo os residentes dos vários distritos procurar ter uma formação escolar.
Aos jovens a frequentar o ensino secundário, ela reiterou o apelo para que auxiliem os pais, tios e avós que em tempos não puderam estudar a adquirir conhecimentos que lhes permitem ler e escrever, pois a iliteracia constitui um obstáculo ao desenvolvimento.
Maria da Luz orientou hoje uma reunião envolvendo as organizações sociais, visitou uma associação de mulheres “Twigwane”, vocacionada a formação em corte e costura, bem como a alfabetização de todas as mulheres interessadas.
Na quarta-feira, ela vai escalar o distrito meridional de Chiúre, penúltima escala da sua visita a província de Cabo Delgado.

















