Os residentes do distrito municipal KaTembe, na cidade de Maputo, apresentaram ao Presidente da República, Armando Guebuza, as suas inquietações com relação aos projectos de desenvolvimento em curso e outros ainda em projecção para serem implementados naquela parcela de Moçambique.
Num comício popular orientado pelo Chefe do Estado no âmbito da Presidência Aberta que realiza desde quinta-feira a cidade de Maputo, a capital moçambicana, os populares disseram que estes projectos obrigam a transferência de famílias e perca de machambas facto que contribui para perpetuar a pobreza.
Esta preocupação surge em resposta aos projectos de construção da ponte Maputo-KaTembe ora em fase inicial de implementação, o projecto da estrada Maputo-Ponta do Ouro, entre outras iniciativas de desenvolvimento, que resultam no reassentamento de alguns dos residentes das zonas abrangidas.
“Estamos satisfeitos com a construção da ponte e estradas mas, há pessoas que chegam as nossas casas e perguntam se queremos dinheiro ou casa para sair. A ponte é boa, mas trouxe um pouco de pobreza. Há muito tempo que vivemos aqui”, disse Filipe Juma, um dos populares que falou no encontro.
O projecto da ponte, assim como o da estrada abrange também algumas machambas, disse David Tembe, outro residente, adiantando que houve um encontro com um vereador que prometeu atribuir outras terras para a produção agrária mas até hoje essas terras não foram entregues a ninguém.
“Tem que haver respeito pelos nativos quando se trata de movimentá-los para outros lugares para dar lugar a projectos de desenvolvimento como é o caso da ponte e da estrada”, pediu Alfredo Tembe ao Presidente Guebuza.
Em resposta a estas preocupações, o Chefe do Estado, pediu uma maior interacção entre as autoridades governamentais e os munícipes, explicando aos presentes que a movimentação de pessoas quando se fala de desenvolvimento significa que a vida de todos vai mudar para o melhor.
“Se mudar para o pior, isso vai favorecer algumas pessoas. Esse não é o desenvolvimento que queremos. O desenvolvimento que queremos tem que ser para todos”, disse o Chefe do Estado, avançando que para construir estradas é preciso cortar árvores e se necessário destruir casas.
Por isso, é impossível construir estradas e pontes sem mudar nada, explicou o Presidente Guebuza, adiantando que há coisas inevitáveis e esse é o preço do desenvolvimento.
Guebuza explica que não é possível aceitar o desenvolvimento sem mudanças. Contudo, é preciso que dirigentes trabalhem para que a vida das populações não seja afectada em demasia. Por isso, o processo tem que ser feito de uma forma organizada e, para o efeito, existe um plano de ordenamento que vai à consulta popular antes de ser aprovado.
“Não é possível dizer façam a ponte quando eu não quero sair da minha casa. Vale a pena alterar para melhorar as coisas em benefício de todos e não de alguns. O desenvolvimento que queremos traz mudanças que vale a pena fazer”, realçou o Chefe do Estado moçambicano.
Na mensagem apresentada ao Presidente os populares pediram a expansão da rede de energia eléctrica, água, estradas, e outros serviços.
Ao Presidente da República os residentes de KaTembe pediram ainda, uma morgue, estradas, mais autocarros para o transporte público, mais água potável, mais postos de trabalho, medicamentos e postos de saúde, mais escolas, casa de idosos e crianças desamparadas.

















