O Presidente Armando Guebuza garante que o Governo moçambicano vai continuar a mobilizar investimentos para todas as regiões do país, incluindo o posto administrativo de Muxúnguè, no distrito de Chibabava, província central de Sofala.
Guebuza cita como exemplo uma fábrica de cimento com capacidade anual para a produção de 500 mil toneladas que será construída na zona de Estaquinha, nas proximidades de Muxúnguè e de outros pontos que albergam homens armados da Renamo, o maior partido da oposição em Moçambique, e que tem sido foco da instabilidade política e militar no país.
Falando Terça-feira última em Maxixe, num encontro com a sociedade civil baseada neste município da província de Inhambane, Guebuza disse que se não fosse o problema da disponibilidade de energia eléctrica, a fábrica, resultado da cooperação com a China, já teria sido instalada naquela região.
“Naquela zona abunda o calcário que é a principal matéria-prima usada para fabricar o cimento, faltando apenas a disponibilidade de energia”, afirmou Guebuza.
O estadista moçambicano avançou com a hipótese de se poder construir um gasoduto a partir dos campos de gás natural de Temane, na província meridional de Inhambane, para alimentar o novo empreendimento.
Outra preocupação do governo, segundo o Presidente, é fazer que os residentes daquela região percebam que estes e outros investimentos são mobilizados com o intuito de criar emprego e melhorar a sua qualidade de vida, bem como de todos os moçambicanos.
“A proposta é correcta. As pessoas devem ter emprego. Mas há o problema de como levar as pessoas que lá vivem a compreender que aquilo é para ajudar a resolver os seus próprios problemas”, referiu Armando Guebuza.
As declarações de Guebuza surgem em resposta a uma questão colocada por membros da sociedade civil.
Hortência Langa, pastora de uma congregação religiosa, sugeriu a mobilização de investimentos para a região de Muxúnguè. Os investimentos haveriam de criar oportunidades de emprego para os residentes, incluindo os homens armados da Renamo, e assim convencê-los a abandonar as armas porque existem melhores formas de garantir o seu sustento e de suas famílias.
Langa disse acreditar que muitos dos homens armados têm dificuldades de se inserir na sociedade, “porque apenas sabem manipular armas e sem nenhuma ideia do que fazer se um dia tiverem que abandoná-las”.
Na ocasião, o Presidente Guebuza deixou claro que esta também é uma das preocupações do governo porque um dos grandes problemas que o país enfrenta é “a nossa atitude perante desafios como a manutenção da paz e combate a pobreza”.
Segundo o Presidente, desafios como estes, incluindo a unidade nacional, se não forem bem equacionados podem por em causa a moçambicanidade.
Guebuza aproveitou a oportunidade para abordar a questão das pensões que são atribuídas aos desmobilizados de guerra, que também beneficiam os ex-militares da Renamo.
“Há desmobilizados da Renamo que recebem as suas pensões. Os que ainda não recebem podem se aproximar ao Ministério dos Combatentes para regularizarem a sua situação”, esclareceu o estadista moçambicano.
“É Ministério dos Combatentes porque tem a missão de abraçar todos os filhos desta pátria”, sublinhou Guebuza, que se encontra de presidência aberta e inclusiva de quatro dias a província Inhambane, iniciada na segunda-feira.

















