Politica Diálogo com a Renamo: Governo com aptidão para esgotar a agenda

Diálogo com a Renamo: Governo com aptidão para esgotar a agenda


O Governo ainda possui capacidade para esgotar, na mesa, a agenda do diálogo político com a Renamo. A reafirmação foi feita ontem pelo chefe da delegação governamental, José Pacheco, no final da 19.ª ronda.

Assim, o Governo considera que ainda não é momento de incluir no diálogo em curso facilitadores nacionais e observadores estrangeiros. José Pacheco reagia, deste modo, à exigência da Renamo de que, face ao que considera crise político-eleitoral, se torna fundamental a presença na sala onde decorre o diálogo de facilitadores nacionais e observadores estrangeiros.

Falando a jornalistas sobre os resultados da ronda realizada ontem, José Pacheco afirmou que a Renamo voltou à ribalta com o interesse de ter no diálogo facilitadores nacionais e observadores internacionais. Segundo o chefe da delegação governamental, seria com a presença destes que se poderia superar o impasse que prevalece sobre a Lei Eleitoral, fundamentalmente no que diz respeito à paridade na Comissão Nacional de Eleições (CNE) e no Secretariado Técnico de Administração Eleitoral (STAE), bem como nos seus órgãos de apoio.

José Pacheco recordou os avanços que foram conseguidos sobre algumas questões que constituem a agenda do diálogo e outras colocadas pela Renamo como prévias, nomeadamente a retirada imediata das forças de defesa e segurança de Satungira, a libertação incondicional dos 15 homens que haviam sido detidos na sequência do ataque perpetrado pelos seus homens a um posto policial em Muxúnguè, entre outras, avanços sobre os parâmetros em que devia decorrer o diálogo e sobre a necessidade urgente de a “perdiz” desarmar-se.

O Governo voltou a recordar a Renamo o interesse que foi manifestado pelo Chefe do Estado, Armando Guebuza, em se encontrar com Afonso Dhlakama, encontro que devia ser preparado conjuntamente pelas delegações em diálogo, e referiu-se à questão sobre a Lei Eleitoral como matéria que poderia ser tratada no encontro ao mais alto nível.

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Pacheco reafirmou que não há comandos específicos na legislação eleitoral em vigor que preconizam paridade na composição dos órgãos eleitorais. Preconiza sim o princípio da representação proporcional.

Explicou que a Lei Eleitoral em vigor foi debatida a nível nacional antes da sua aprovação pela Assembleia da República, processo de que a Renamo se apartou. Disse que apesar de se ter afastado da votação da Lei Eleitoral, a Renamo tem nela o seu espaço, cabendo a si indicar os seus representantes na Comissão Nacional de Eleições para defesa dos seus próprios interesses.

José Pacheco recordou, por outro lado, que a Renamo sempre contestou a legislação eleitoral, mas em algum momento já ganhou alguns municípios. Indicou que em 2011, com a mesma Lei Eleitoral contestada pelo maior partido da oposição, o MDM ganhou a eleição intercalar no Município de Quelimane.

Postas assim as coisas, segundo o chefe da delegação governamental, nada mais há a considerar senão afirmar-se que se está perante uma atitude obstrucionista da Renamo. O Governo chegou a propor que a questão sobre a Lei Eleitoral fosse congelada e avançar-se para outras matérias, mas a Renamo continua a condicionar.

Por seu turno, o chefe da delegação da Renamo, Saimone Macuiana, explicou que a presença de facilitadores e observadores no diálogo visa ultrapassar-se a não conclusão do ponto sobre a Lei Eleitoral. Entre os facilitadores nacionais, a Renamo propõe a inclusão no diálogo do Prof. Doutor Lourenço do Rosário, o Bispo Dinis Sengulane, entre outras figuras que, segundo Saimone Macuiana, podem ser propostas pelo Governo.

Recorde-se que Dom Dinis Sengulane e o Prof. Doutor Lourenço do Rosário já foram recebidos em Satungira pelo líder da Renamo, depois do desencadeamento de ataques na zona centro.

Macuiana disse que a Renamo é flexível e está pronta para que a qualquer momento possa ser ultrapassada a “crise político-eleitoral”.

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