O escritor moçambicano, Francisco Esaú Cossa, mais conhecido nos meandros literários por Ungulani Ba Ka Khola, lançou ao princípio da noite desta quinta-feira em Maputo, a sua mais recente obra, intitulada “Entre as Memórias Silenciadas”.

Explica este título, as memórias que o autor apresenta na capa um olhar de tristeza, de memórias sentenciadas, momentos de desespero, de uma vedação de arame que não é, um soldado em sentinela atrás desse olhar de indignação”entre o período e espaço.

Com a chancela da Alcance Editores e patrocínio da empresa de telefonia móvel Moçambique Celular (mCel), o autor entra num mundo imaginário, falando do encanto das noites africanas por pirilampos, animais de brilho intermitente, descontínuo e fugaz.

Na obra, o escritor narra as árvores deslumbradas, versando por outro lado da luz ténue que dá outra cor a savana.

Para o autor, são momentos fascinantes nas noites, segundos que ficam na retina da memória.

Segundo Ungulani Ba Ka Khossa, depois do súbito, vem a escuridão, as trevas ou seja momentos de incerteza e de receio.

O autor do livro, questiona se “nós não assistimos, apavorados, ao acender e apagar das nossas independências?”.

O livro e’ uma obra cujo objectivo e’ ficcionar, dai o titulo “”Entre as Memórias Silenciadas”. Por isso monta na obra uma orquestra denominada Ngodo, que em língua Chope, etnia que cobre parte sul de Moçambique leva marimbas e dançarinos e o respectivo coro e eles próprio o apelidam de Msaho.

O autor explica no livro que o “Ngodo, tal como o Msaho, comporta em geral onze andamentos distribuídos em Mutsitso (introdução orquestral), o Mutsitso com duas ou três introduções, Ngweniso (entrada dos dançarinos), Ndano (chamada dos dançarinos), Doinya (dança), Chibudo (dança), Mzeno (dança), Nsumeto (preparação para os conselheiros), Mabandhla (os conselheiros), Njiriri (final dos dançarinos) e Mutsitso (final orquestral).

Uma obra para rir, fala igualmente de “um grito amordaçado de gozo sofrido que abriu as portas da noite”.

De 56 anos, Ungulani Ba Ka Khossa, nasceu no dia 1 de Agosto de 1957 no distrito de Inhaminga, na província de Sofala.
Tem entre outras obras, o “Ualalapi”, a “Orgia dos loucos”, “Choriro”.

O representante da Mcel, Claudio Xixi, sublinhou a importância que esta empresa dá ao apoio aos desafios culturais, sobretudo a literatura, devido ao legado que tal deixa.
Do primeiro ao nono número do livro, o leitor pode viajar rindo até ao fim, nesta ficção que bem vista, roça um pouco nos vários momentos políticos, culturais entre outros.

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