O facto é que o Governo, através do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), tem vindo a implementar iniciativas diversas com o objectivo de garantir que, até 2025, a Ciência e a Tecnologia sejam usadas de forma integral para inovações que contribuam para o crescimento económico e alívio da pobreza no país.

Com base na implementação destas iniciativas, o Fundo Nacional de Investigação (FNI), durante os oito anos de sua existência, anunciou cinco chamadas para a submissão de projectos de investigação, inovação e transferência de tecnologias, tendo sido submetidos 590 e aprovados 174 que produziram ideias que precisam de ser acarinhadas.

É assim que o Coordenador Nacional de Programas MCT, António Leão, lança um alerta dizendo que em Moçambique há falta de empresas que se interessam em melhorar os produtos dos inovadores nacionais que lhes são apresentados como soluções de vários problemas.

“Temos que passar a tomar decisões com base no conhecimento, em evidências e em conjunto, através de uma interacção entre os sectores Público/Privado/Academia, num processo em que cada instituição conheça muito bem o seu papel”, defendeu Leão.

A fonte fez saber que o MCT dá o seu total apoio aos inovadores e ou investigadores a partir da concepção da ideia até à produção do protótipo, mas faltam empresas interessadas em melhorar esses produtos para que possam virar soluções.

O director de programas avançou que na prossecução da ideia de tornar a ciência e a tecnologia alavanca para o desenvolvimento, o MCT esta a implementar, desde 2010, o Programa de Cooperação em Ciência e Tecnologia e Inovação (STIFINO), com apoio financeiro da Finlândia até 2014.

O programa conta com um financiamento global 22 milhões de Euros, dos quais 16,7 milhões são canalizados para o Sistema de Administração de Finanças do Estado (SISTAFE) e os restantes 5,3 milhões em espécie.

Queixando-se de um excesso de burocracia na disponibilização de fundos no âmbito desta iniciativa, disse que Moçambique recebeu 8,6 milhões de Euros, dos quais foram gastos 4,9 milhões, cerca de metade, devido a limitações impostas pelo doador.

“Nos enveredamos por esta via porque, há 50 anos, a Finlândia era assim como nós, mas descobriu que através do conhecimento e da inovação era possível mudar o cenário e apostou seriamente nesta área e conseguiu livrar-se da pobreza”, explicou.

Defendeu que os moçambicanos precisam de saber enveredar por uma abordagem mais participativa porque o isolamento não leva ao desenvolvimento e e imprescindível que haja cooperação e interacção entre os sectores, publico, privado e a academia.

Para o alcance das soluções para o desenvolvimento, Leão defende ainda que a academia tem que se inserir na sociedade e os cursos que lecciona devem ter em conta as necessidades das comunidades locais.
“Tem que haver uma colaboração proactiva na busca de soluções porque as ideias dos inovadores tem que ser acarinhadas pelo sector privado e pela academia”, frisou António Leão.

“A colaboração deve passar a ser a regra do jogo em todos os sentidos tanto e que agora para financiar um projecto se exige que o proponente do mesmo não apareça sozinho. Ele tem que ter um colaborador”, especificou.

Para que Moçambique possa avançar nesta área, segundo Leão, e preciso trabalhar-se mais na atitude para que os moçambicanos possam deixar de tentar avançar isoladamente.

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