Um novo laboratório regional destinado à produção de predadores da mosca da fruta vai ser edificado a partir deste ano na província de Manica.
Em edificação laboratório de combate à mosca da fruta

O empreendimento, cuja primeira pedra foi lançada semana finda pela governadora, Ana Comoane, visa operacionalizar o programa de multiplicação de predadores da mosca da fruta, como uma das medidas visando o combate à praga que afecta as regiões norte e centro do país, e com base na qual vigora, desde há mais de seis anos, um embargo generalizado do mercado da fruta, sobretudo da província central de Manica.

Na sequência deste embargo, a fruta produzida na província de Manica não pode ser vendida no sul do Save e muito menos ser exportada para a vizinha República da África do Sul. O projecto de edificação do referido laboratório está a ser financiado pelo Banco Mundial e a execução decorre em pareceria com a Universidade Eduardo Mondlane.

Com esta iniciativa, o Executivo pretende minimizar a disseminação da praga. Com efeito, segundo uma fonte da direcção provincial da Agricultura de Manica, o laboratório destina-se à produção e multiplicação dos referidos inimigos naturais da mosca da fruta, contribuindo assim para a redução da população destes insectos devastadores da produção frutícola.

A iniciativa, de acordo com a fonte, já está a ser implementada na província de Nampula onde já foi edificado um laboratório do género, representando a região norte, por sinal uma das mais flageladas pela praga ao nível nacional.

Através destes inimigos naturais, cujo nome não foi revelado, Moçambique pretende reduzir os machos da mosca da fruta e, desta forma, afectar a reprodução destes insectos, facto que irá contribuir para o controlo da praga que prevalece mais nas províncias de Manica, Sofala, Tete e Zambézia, onde está a afectar grandemente a economia dos camponeses que, em consequência, já não encontram mercado para a colocação da sua produção.

Ao nível das províncias afectadas, estão em curso programas integrados de controlo da doença, que inclui a inibição da circulação da fruta para as regiões não afectadas, como forma de evitar que a praga se espalhe por todo o país, tornando-se mais danosa ainda.

A integração das medidas de controlo da circulação dos produtos frutícolas constitui uma das alternativas eficazes encontradas até aqui para evitar que o problema se alastre pelo país todo. O agro-processamento, o recurso a mercados locais e regionais como o Zimbabwe foi outra alternativa pensada pelo Governo para dar vazão à produção, por exemplo, da província de Manica.

Na província de Manica, o embargo da fruta afectou significativamente o empenho dos camponeses na produção agrícola, havendo registo do apodrecimento de elevadas quantidades de mangas e bananas devido à falta de mercado e a desistência de operadores empresariais e familiares de produzir fruta.

O assunto de mosca da fruta tem vindo a ser tema de debates em vários fóruns, alimentando comentários inesgotáveis, não só entre os próprios técnicos do sector agrário, como e sobretudo no seio daqueles que se afirmam espantados pelas consequências do embargo, questionando se não haveria tanta ciência para tanta desestabilização da actividade produtiva.

Mais do que simples coro de lamentações, vários sectores da província têm defendido o empenho das autoridades do sector da Agricultura no país, com vista ao esclarecimento do caso, visando o levantamento do referido embargo ou o combate à praga, cujas consequências, extremamente dramáticas, afectam sobretudo as culturas de banana, manga e citrinos.