A falta de infra-estruturas como laboratórios, equipamento diverso e reagentes utilizados nos estudos científicos integram a lista dos principais obstáculos que enfrentam os investigadores moçambicanos nas suas jornadas laborais.
Falta de laboratórios limita investigações na área de produção de alimentos

O problema não é novo, mas foi mais uma vez destacado por investigadores ontem, em Maputo, durante a primeira conferência de alimentação e nutrição que decorreu sob o lema “Produção de Alimentos e Boas Práticas de Alimentação”.

Mário Mungoi, docente e investigador da Academia de Ciências de Moçambique, explicou, a-propósito que Moçambique ainda não dispõe de infra-estruturas suficientes para as necessidades dos investigadores que tendem a aumentar, nos últimos anos. “Ainda é preciso desenvolver e apetrechar os laboratórios, pois são determinantes no trabalho investigativo”, disse Mungoi.

Devido àquela fragilidade, investigadores dos países vizinhos têm se posicionado em melhor lugar que os moçambicanos, sempre que houver concursos internacionais de estudos na área de alimentos e não só.

Porém, o cientista reconheceu que há um esforço do sector público e privado em investir na área de laboratórios. A título de exemplo falou da existência dos laboratórios do Centro de Biotecnologias, das faculdades de Agronomia e de Veterinária da Universidade Eduardo Mondlane (UEM).

No entender de Mungoi, a questão da insegurança alimentar resulta do desconhecimento das técnicas de produção bem como do não uso das tecnologias da área agrária.

Assim sendo, é preciso potenciar o uso de produtos locais que são ricos em nutrientes e minerais que possam complementar a dieta alimentar.

Este conhecimento pode ser passado através da alfabetização que é feita em quase todo o país.

Para Mungoi, aos cientistas não se coloca apenas a falta de fundos para realizar investigações, pois o governo, através de várias iniciativas como o Fundo Nacional de Investigação (FNI) abre, anualmente, janelas de financiamentos.

Orlando Quilambo, reitor da UEM que interveio na qualidade de presidente da Academia de Ciências de Moçambique, convidou aos investigadores e todos os presentes para darem o seu máximo em prol da produção de alimentos que possam aliviar o país da insegurança alimentar.

A primeira conferência da Academia de Ciências de Moçambique contou com a presença de 80 pessoas que se juntaram para apresentar reflexões sobre os melhores caminhos, do ponto de vista científico, para acabar com a insegurança alimentar.