Número de jovens que querem ser padres está a aumentar
Os seminários católicos moçambicanos estão a receber cada vez mais jovens, cujo principal intuito é tornarem-se sacerdotes, e já se sonha com o dia em que a História se inverta e seja África a evangelizar a Europa.

No Seminário Teológico Pio X, em Maputo, que nesta altura tem cerca de 80 seminaristas em fase final de formação para se tornarem sacerdotes, a mensagem parece ser unânime: todos os alunos que ali estão querem “servir Deus e a igreja” católica.

Inaugurado em 1968, o edifício foi nacionalizado pelo Governo moçambicano no período de pós-independência, tendo regressado “ao serviço da igreja” em 1993.

Para os jovens moçambicanos que frequentam os seminários propedêuticos do país – nove no total – o Pio X é a última etapa que encontram antes de alcançarem o que dizem ser o seu grande propósito de vida: a resposta ao “chamamento de Deus”.

“Na minha vida, sinto que Deus me chama para uma outra realidade: servir-lhe como padre. Comecei a sentir isto desde criança, porque sempre frequentei a igreja. Sentia-me animado com os padres que lá estavam e quis seguir o mesmo caminho deles”, diz à Agência Agnano Caetano, 27 anos.

Depois de ter “escapado” ao massacre de 1992 em Guiúa, localidade da província de Inhambane, que vitimou cerca de 23 catequistas, Nelton Macamo, hoje com 28 anos, decidiu atender aos “sinais de Deus”, ingressando num seminário local.

“A partir daquele momento, e embora ainda infantil, pensava que seriam alguns sinais que me levavam a estar lá. Estando (também) no altar a servir como acólito, despertou esta vocação em mim.”, justifica Macamo.

Oriundo de uma zona rural da província de Nampula, norte de Moçambique, onde “dificilmente chegam padres”, também Cantiflas de Castro, 27 anos, afirma que a escolha de uma vida religiosa mais não é do que uma resposta ao “apelo de Deus”.

“Não é uma vontade humana que desperta este grande fluxo do despertar vocacional, mas uma matéria própria de Deus, que suscita em todos nós, e cada vez mais, que avancemos e desejemos abraçar esta causa do evangelho”, entende Castro.

Para o padre Inácio Lucas, reitor do Seminário Pio X, o incremento do número de seminaristas moçambicanos que procuram principalmente tornarem-se sacerdotes é uma realidade incontestável, justificando o facto com um trabalho que está sendo feito ao nível de base.

“Em todas as dioceses e regiões há um serviço de promoção vocacional. Isto faz com que aumentem as vocações: pelo trabalho que se faz ao nível das comunidades cristãs, das dioceses, e depois ao nível nacional. Graças a Deus o número de jovens vocacionados no nosso país está a aumentar”, congratula-se o religioso.

“Em Moçambique, e inclusivamente em África, se há um jovem que quer ser padre é por que está a ser sincero. Ele tem muitas oportunidades, sabe muito bem o sacrifício que significa ser sacerdote e a renúncia que ele tem que fazer para o ser”, acrescenta.

Questionado sobre a tendência de redução do número de jovens párocos formados na Europa – em contraposição com Moçambique – o jovem Cantinflas de Castro entende que esta realidade resulta de “uma recente evangelização” do país, afirmando que, no futuro, talvez os padres moçambicanos se transformem nos “evangelizadores da Europa”.

“Quem lá sabe: amanhã possamos ser evangelizadores da Europa, como também nós recebemos o evangelho cá em Moçambique”, conclui.

(RM/Lusa)

* Na imagem, o jovem Felizberto Rafael, natural de Angoche, que até 2011 frequentava o Seminário Teológico Pio X