A cidade de Quelimane tem estado a registar uma fraca recolha de resíduos sólidos por parte da edilidade, na sequência de falta de meios para o efeito. Este facto pode perigar a saúde dos munícipes daquela urbe, tendo em conta o nível acentuado de vulnerabilidade que a cidade apresenta no que tange a doenças endémicas, designadamente diarreias agudas e cólera.

Um pouco pelos cinco bairros da cidade de Quelimane, são visíveis os perigos que os resíduos sólidos representam, caso não seja invertido o cenário por parte da edilidade liderada por Manuel de Araújo. Aliás, De Araújo, quando chegou ao poder, a sete de Dezembro do ano passado, depois de vencer as eleições intercalares, garantiu prestar maior atenção à recolha de lixo,  de forma a colocar cada vez mais longe os problemas de saúde que muitos munícipes enfrentavam devido àquela problemática.

Contra todas as promessas, a realidade no terreno mostra que  muito deve ser feito para inverter a situação de lixo em Quelimane. De acordo com Joaquim Maloa, vereador para a área de meio ambiente, Jardins, saneamento e Cemitérios naquela autarquia, o lixo crescente que se verifica nas últimas semanas deve-se sobretudo à exiguidade de meios circulantes para a sua recolha.

Maloa explicou ao nosso jornal que a empresa Emusa, que funciona com fundos do Município na ordem de 700 mil meticais mensais, responsável pela recolha de lixo na urbe, não dispõe de meios suficientes para garantir a recolha permanente, de forma a descongestionar as lixeiras dos bairros. Ou seja, dos quatro camiões basculantes, dois estão operacionais e outros dois avariados. Igualmente, dos cinco tractores disponíveis, três é que estão em funcionamento, e os restantes dois avariados.

No entanto, por aquilo que a nossa reportagem constatou no parque da empresa Emusa, existem muitos meios circulantes – dentre eles tractores e camiões basculantes – que se encontram avariados há já bastante tempo devido à falta de manutenção.

O nosso jornal quis saber do vereador Joaquim Maloa se dois camiões basculantes e três tractores que se encontram em funcionamento não eram suficientes para manter a cidade de Quelimane limpa, ao que Maloa explicou que “não basta apenas os meios serem suficientes quando os munícipes não cumprem com as regras de deitar o lixo por volta das 17h30, horário estabelecido pela edilidade e que não está a ser cumprido pelos munícipes”.

 Neste sentido, o Conselho Municipal da cidade de Quelimane garante que vai proferir, ao nível dos bairros, palestras com vista a consciencializar os munícipes sobre o horário em que devem depositar os resíduos sólidos nas  lixeiras, de forma a garantir a recolha no tempo certo.

Mercados não escapam do mal

Os mercados Central e Brandão, na cidade de Quelimane, são, dentre vários, que apresentam fraca recolha de resíduos sólidos. Vendedores destes e outros mercados comercializam os seus produtos ladeados de quantidades enormes de lixo que chegam a produzir cheiro nauseabundo, e um volume considerável de moscas pousa nos produtos da primeira necessidade aí comercializados.

No Mercado Central, por exemplo, a equipa do nosso jornal conversou com Fátima Lourenço e Ricardo Fernando, que confeccionam e vendem alimentos em condições que atentam à saúde das populações, tudo devido ao lixo e circulação de águas negras lá existentes. Os nossos entrevistados lamentaram o facto de o processo de recolha de lixo nos mercados da cidade de Quelimane ainda ser lamentável. “Tal como estão a ver, nós os vendedores de comida confeccionamos alimentos em volta de quantidades de resíduos sólidos que igualmente têm estado a provocar cheiro desagradável, convidando, deste modo, muitas moscas que certamente vão pousando na comida dos clientes”,  disse Fátima Lourenço, reconhecendo os perigos que corre no meio de tanta imundície.

Mesmo posicionamento foi defendido por Ricardo Fernando, outro comerciante que contou ao nosso jornal que a edilidade de Quelimane pouco faz para a recolha do lixo nos mercados “mesmo sabendo que, diariamente, colectam receitas através de senha de mercados”.

Reconhecendo o problema e a falta da incapacidade da empresa Emusa fazer a recolha do lixo no tempo certo, Joaquim Maloa disse que a edilidade vai trabalhar em coordenação com comissões de mercados para encontrar formas de ultrapassar o assunto.