Jovem suicida-se ao atirar-se para um autocarro de passageiros
Um jovem de pouco mais de 25 anos morreu, na manhã desta quinta-feira 11, após atirar-se contra um autocarro de transporte público de passageiros, no prolongamento da avenida Vlademir Lenine, na zona do Instituto Superior Maria Mãe de África (Saul), em Maputo.
Testemunhas suspeitam que o jovem tenha problemas mentais. O jovem morreu no local do acidente.
Pandemia sacode o mercado internacional do tráfico de drogas
Assim como aconteceu com o comércio internacional de maneira geral, fechamento das fronteiras afetou a produção e distribuição de drogas.
A pandemia do novo coronavírus e as medidas para contê-la causaram interrupções descomunais no comércio internacional e foram inúmeros os setores que sofreram com isso. Com o tráfico internacional de drogas, não poderia ser diferente.
Os bloqueios de transporte e as fronteiras fechadas tiveram consequências em todos os pontos da “cadeia produtiva” das drogas, como mostra um levantamento feito pelo jornal norte-americano Washington Post.
Segundo a reportagem, os produtores de coca na América do Sul e de papoulas no centro da Ásia estão com estoques cheios, sem poder fazer suas colheitas. Por outro lado, nos mercados consumidores como EUA e Europa, houve corte no fornecimento e os preços das drogas dispararam.
Com isso, o que pode acontecer é o que está previsto para muitos setores da economia formal: as maiores empresas podem consolidar seu domínio sobre o mercado e os pequenos produtores ou serão engolidos ou fecharão as portas.
Nas regiões mais remotas do Peru, onde o cultivo de coca sempre foi uma das atividades mais lucrativas, o fechamento das fronteiras fez com que seus principais compradores, os cartéis da Colômbia, não tivessem como buscar o produto.
Isso fez o preço da folha de coca — que também é vendida como estimulante natural e chá, mas em uma proporção muito menor e apenas para a região — despencar mais de 70%.
Outra questão é que a pandemia interrompeu outros fluxos, como os de insumos usados para a fabricação da droga, como o permanganato de potássio. Os traficantes também não conseguem atravessar a fronteira com a Venezuela para comprar o combustível local, muito mais barato.
Problemas de produção
E não apenas a produção e distribuição da cocaína foram afetados pela crise. No Afeganistão, os trabalhadores que extraem as sementes de papoula usadas na produção de ópio e heroína não conseguem trabalhar por conta da quarentena.
A interrupção no transporte de vários produtos químicos vindos da Ásia afetou a produção de metanfetamina no México e a de estimulantes no Líbano e na Síria, segundo o Post.
Em entrevista ao jornal, o ex-chefe de operações do DEA, o departamento de narcóticos dos EUA, Michael Vigil, disse que “os cartéis estão levando uma surra” da crise. “Tudo isso vai mudar o panorama do tráfico, as quadrilhas maiores e com mais recursos têm tudo para engolir as operações das menores”.
Carregamentos maiores
Há informações de que as gangues mexicanas têm grandes estoques de drogas parados ao longo da fronteira com os EUA, que eles não conseguem transportar porque ninguém passa de um lado para o outro.
Com as fronteiras fechadas, as quadrilhas internacionais mudaram de tática e têm tentado transportar quantidades maiores de entorpecentes de cada vez. Com isso, tem havido um menor número de apreensões, mas as quantidades apreendidas estão maiores.
Autoridades norte-americanas apreenderam, somente nos primeiros três meses deste ano, cerca de 17,5 toneladas de cocaína que seriam transportadas para a Europa. Um aumento de 20% em relação ao mesmo período em 2019, segundo a agência Reuters..
Mesmo com esse quadro, especialistas acreditam que o mercado pode reaquecer conforme o confinamento e isolamento entre os países seja relaxado. E com o possível aumento da influência dos grandes cartéis e a situação econômica desfavorável para os produtores, a produção de coca pode voltar a ser lucrativa em um futuro não muito distante.
Espião é condenado à morte no Irã por assassinato de Soleimani
Cidadão iraniano é acusado de trabalhar para a CIA e o serviço secreto israelense, Mossad, e teria fornecido a localização do general morto no Iraque.
Um cidadão iraniano acusado de espionagem para a Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA) e o serviço secreto israelense (Mossad) e de facilitar a localização do general iraniano assassinado Qasem Soleimani, foi condenado à morte, anunciou nesta terça-feira a Justiça do Irã.
“Mahmoud Mousavi Majd, que em troca de receber dólares dos EUA forneceu informações sobre áreas de segurança, especialmente sobre as forças armadas, incluindo a Força Quds, unidade especial dos Guardiões da Revolução Islâmica”, explicou o porta-voz do Poder Judiciário, Gholamhosein Esmaili , de acordo com a agência de notícias oficial iraniana Irna.
Mousavi Majd “forneceu informações sobre o local de permanência e os movimentos do general mártir Qasem Soleimani a estrangeiros”, uma atividade pela qual “ele foi condenado à morte por ordem judicial, que foi confirmada pelo Supremo Tribunal. A sentença será executada muito em breve”, destacou Esmaili.
Morte de Soleimani piorou relação EUA x Irã
No mês de janeiro, os EUA mataram o general Soleimani, comandante da Força Quds, em um atentado à bomba em Bagdá que causou uma grave escalada de tensão na região.
O Irã respondeu dias depois com ataques de mísseis contra duas bases militares iraquianas que abrigavam tropas americanas.
O general Soleimani estava encarregado das operações dos Guardiões da Revolução Islâmica fora do Irã e esteve presente na Síria e no Iraque, supervisionando as milícias apoiadas por Teerã nos dois países árabes.
Candidata a ‘Miss Hitler’ é presa por fazer parte de grupo neonazista
Uma candidata ao concurso de beleza “Miss Hitler” e o namorado foram presos nesta terça-feira (9) por fazerem parte do grupo neonazista britânico National Action.
Alice Cutter, de 24 anos, e o namorado, Mark Jones, de 25 anos, foram condenados por participarem do grupo em um julgamento em março com mais dois membros do grupo.
A jovem foi condenada a 3 anos de prisão e o namorado vai cumprir pena de 5 anos e meio. Os outros membros ficarão presos por 4 anos e meio e 18 meses, respectivamente, segundo informações da polícia. Outro membro o grupo, Daniel Ward, havia sido condenado a 3 anos de prisão no ano passado.
Apesar da condenação e das provas de que havia participado do concurso “Miss Hitler” com o apelido Miss Buchenwald, fazendo menção a um dos campos de concentração nazistas, além de ter participado de reuniões anteriores, Cutter negou pertencer ao grupo nazista terrorista.
Todos os réus negaram participarem do grupo, mas participaram de uma reunião com líderes seniores do National Action depois que o grupo foi banido com base nas leis antiterrorismo do Reino Unido, em 2016.
Grupo neonazista banido
O National Action era um grupo neonazista de ultradireita e foi banido do Reino Unido em 2016 por terrorismo. É crime no país ser membro do grupo, conhecido por ser extremamente racista, antissemita e homofóbico.
Mesmo com a expulsão e dissolução do grupo, os 4 presos se reuniam regularmente para reuniões e discutir a ideologia extremista. Segundo a polícia britânica, o grupo ainda realizava reuniões secretas depois do banimento e tentavam recrutar pessoas mais jovens.
Japão disponibiliza 745 mil dólares para apoiar Moçambique
O Governo do Japão disponibilizou, através do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), 745 mil dólares para Moçambique, um montante que vai servir para o combate à covid-19.
“Estamos muito felizes com este apoio do Governo do Japão para mitigar o impacto da covid-19 nas comunidades moçambicanas e, em particular, suas crianças”, disse Katarina Johansson, representante do Unicef em Moçambique, citada num comunicado.
O apoio anunciado chega em resposta ao apelo das autoridades moçambicanas e vai “responder às prioridades identificadas no Plano de Resposta à covid-19 em Moçambique”.
O valor vai ser destinado, entre outros pontos, à obtenção de material médico, de saneamento e higiene, reforço da comunicação de riscos, envolvendo a comunidade, assim como apoiar perto de 250 famílias através de “transferências monetárias multissetoriais”.
Para o Unicef, o impacto da pandemia vai criar “também uma crise de direitos da criança” e, por isso, é preciso “agir agora para que (as crianças) não se tornem vítimas ocultas” da doença.
“Os casos de covid-19 em Moçambique continuam a aumentar, elevando o total para 66 casos pediátricos no país”, lê-se na nota. Moçambique conta com 453 casos de covid-19, dois óbitos e 136 recuperados.
No mundo, há mais de 7.2 milhões de infectados (7 218 406), dos quais 115 133 são novos casos. Do global de infectados, 409 111 morreram. Só de segunda para esta sexta-feira houve 2748 mortes. Os que superaram a doença são 3.5 milhões de pessoas (3 554 603).
Especialistas “espantados” com declaração da OMS sobre assintomático
Especialistas em doenças transmissíveis questionaram o comentário da Organização Mundial da Saúde (OMS) de que a transmissão da Covid-19 por parte de pessoas sem sintomas é “muito rara”, e que que esta orientação poderia criar problemas à medida que países tentam sair de isolamentos.
Maria van Kerkhove, epidemiologista e principal técnica da OMS para a pandemia de coronavírus, disse ontem que muitos países que realizam o rastreamento de contatos identificaram casos assintomáticos, mas não descobriram que eles aumentaram a disseminação do vírus.
“É muito raro”, disse na altura.
Liam Smeeth, professor de epidemiologia clínica da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, reagiu dizendo ter ficado “bastante surpreso com o comunicado da OMS”, e reiterou que essa opinião vai contra as impressões “dos indícios científicos até agora, que apontam que pessoas assintomáticas e pessoas pré-sintomáticas são uma fonte importante de infecção de outras”.
Smeeth e outros especialistas disseram que entender os riscos de transmissão entre pessoas com pouco ou nenhum sintoma é crucial agora que governos comecem a amenizar as medidas de isolamento que impuseram para tentar reduzir a propagação da pandemia e substituí-las gradualmente pelo rastreamento de caso e por planos de confinamento.
“Isto tem implicações importantes para medidas de rastreamento/detecção/confinamento sendo instituídas em muitos países”, sulbinhou Babak Javid, consultor de doenças infecciosas dos Hospitais da Universidade de Cambridge.
Alguns especialistas dizem que não é incomum pessoas infectadas não mostrarem sintomas.
Um estudo da Alemanha feito em maio com base em 919 pessoas do distrito de Heinsberg, que ainda não foi submetido à comunidade científica, revelou que cerca de um de cada cinco infectados é assintomático, mas os dados que mostram a probabilidade de eles transmitirem a doença são escassos.
Keith Neal, professor de epidemiologia de doenças infecciosas da Universidade de Nottingham, no Reino Unido, disse que, embora não se saiba com clareza que papel a transmissão assintomática desempenha em novas infecções, o que se sabe é que pessoas com sintomas são responsáveis pela maior parte da disseminação da doença.
Comissão Europeia diz ter “provas suficientes” de desinformação chinesa sobre surto
A Comissão Europeia afirma ter “provas suficientes” da existência de propaganda chinesa na Europa relativa ao surto de covid-19, um “novo fenómeno” que se junta à desinformação russa e à propagação de informação falsa por “atores europeus”.
“Temos provas suficientes para perceber como é que a propaganda chinesa funciona e como tem funcionado nesta crise da covid-19 e, devido a essas provas, penso que é altura de dizermos a verdade, de informar as pessoas”, declarou a vice-presidente da Comissão Europeia com a pasta dos Valores e Transparência, Vera Jourová.
Guterres lamenta fim de comunicação entre Coreia do Norte e Coreia do Sul
O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, lamentou a decisão da Coreia do Norte de cortar as linhas de comunicação com a Coreia do Sul, alertando que esses canais são “necessários”.
Areação da ONU surgiu depois de, na terça-feira, a agência noticiosa estatal da Coreia do Norte, KCNA, ter divulgado a decisão de Pyongyang, aparentemente em resposta ao envio de panfletos para o território do norte da península coreana por parte de militantes contra o regime de Kim Jong-un.
António Guterres, através do seu porta-voz, salientou que esses canais de comunicação são essenciais para “evitar mal entendidos ou erros de cálculo”.
Stéphane Dujarric recordou que junho é um mês simbólico para a península coreana, visto que na sexta-feira se assinala o segundo aniversário da primeira reunião entre Kim Jong-un e o presidente norte-americano, Donald Trump, e na segunda-feira se comemoram os 20 anos desde o primeiro encontro entre os líderes das duas Coreias.
“O secretário-geral acredita que todas as partes utilizarão os aniversários de junho para redobrar esforços a fim de regressar às negociações para alcançar a paz sustentável e a completa desnuclearização da península”, afirmou Stéphane Dujarric.
A Coreia do Norte anunciou na terça-feira que tencionava cortar os seus canais de comunicação, nomeadamente militares, com o “inimigo” sul-coreano.
Pyongyang “vai cortar completamente a ligação entre as autoridades do Norte e do Sul”, bem como outros canais de comunicação, nomeadamente entre as forças armadas dos dois Estados ou entre os partidos políticos governantes em Seul e Pyongyang, detalhou a KCNA.
Além de cortar os canais de comunicação militar e do governo, o regime norte-coreano ameaçou igualmente fechar permanentemente um ponto de ligação e um parque fabril na cidade fronteiriça de Kaesong, apontados como dois dos principais símbolos da reconciliação entre as duas coreias.
A ameaça foi feita quando as relações entre os dois países estão num impasse, apesar de três cimeiras em 2018 entre o dirigente norte-coreano Kim Jong Un e o presidente sul-coreano, Moon Jae-in.
A Coreia do Norte ameaçou na semana passada fechar o gabinete de ligação com a Coreia do Sul e tomar medidas suplementares para fazer “sofrer” Seul.
A influente irmã de Kim Jong Un, Kim Yo Jong, também já ameaçou tornar caduco o acordo militar entre os dois Estados, se Seul não impedir os militantes de enviar os panfletos anti-Pyongyang.
A Coreia do Norte acabou com a maior parte dos seus contactos com o Sul depois do fracasso da cimeira de Kim com Donald Trump, em 2019, em Hanói, que deixou as negociações sobre o nuclear norte-coreano em ponto morto.
Entretanto, a Coreia do Sul anunciou que vai apresentar queixa contra dois grupos ativistas que estão a enviar folhetos e garrafas cheias de arroz para a Coreia do Norte, em ações contra o regime de Pyongyang.
O porta-voz do ministério da Unificação de Seul, Yoh Sang-key, disse aos jornalistas que as duas organizações ativistas “criaram tensões entre o sul e o norte e colocaram em perigo a vida e a segurança dos residentes (sul-coreanos) nas áreas de fronteira”.
Um dos ativistas citados pela AP condenou a posição do Governo sul-coreano, descrevendo-a como “movimento traiçoeiro”, e prometeu lançar ainda mais folhetos através da fronteira nas próximas semanas, usando não apenas balões, mas também drones.
Ao longo dos anos, grupos ativistas têm lançado balões para a Coreia do Norte com folhetos a contestarem o líder norte-coreano Kim Jong Un, pelas suas ambições nucleares e pelo não respeito pelos direitos humanos.
Agência dos Direitos da UE quer criminalização de atos preconceituosos
A Agência dos Direitos Fundamentais da União Europeia (FRA) apelou esta quarta-feira 10, aos Estados-membros para que criminalizem as decisões tomadas com base em preconceitos e tornem as sanções dissuasivas de atos de racismo e discriminação.
Num relatório publicado sobre os Direitos Fundamentais na União Europeia, a agência sublinha que “19 anos depois da adoção da diretiva sobre racismo e igualdade e 11 anos depois da adoção da lei-quadro relativa ao racismo e à xenofobia, vários Estados-membros ainda não transpuseram ou aplicam corretamente a legislação”.
De acordo com a FRA, embora tenha havido alguns desenvolvimentos políticos sobre o antissemitismo em 2019, poucos Estados abordaram o racismo e a xenofobia, sendo que as “pessoas com origem em etnias minoritária e migrantes continuam a sofrer assédio, violência e discriminação étnica e racial em diferentes áreas da vida”.
Por isso, a agência recomenda aos Estados da UE que transponham e apliquem “total e corretamente as disposições relativas à luta contra o racismo e xenofobia” e “tomem as medidas necessárias para criminalizar decisões motivadas por preconceitos”.
Para a instituição, os Estados da UE “devem melhorar significativamente a eficácia das suas medidas para fazer cumprir a legislação antidiscriminação, nomeadamente garantir que as sanções são eficazes, proporcionais e dissuasivas”.
Por outro lado, a FRA defende que os Estados devem “garantir que qualquer alegado crime de ódio é efetivamente registado, investigado, processado e julgado”.
Os Estados-membros da UE devem ainda, segundo as recomendações desta agência, “envidar mais esforços para sistematizar dados sobre crimes de ódio e publicá–los anualmente para permitir desenvolver políticas legais e eficazes”.
Todas estas medidas podem reduzir as barreiras que as minorias étnicas e os imigrantes enfrentam no acesso à educação, emprego e habitação, alega a FRA, avançando com exemplos como a introdução de políticas de recrutamento sem identificação ou a sensibilização de vários setores, como a polícia, para os preconceitos inconscientes.
“Os Estados-membros da UE devem desenvolver práticas específicas para garantir que a polícia não faz perfis étnicos discriminatórios”, sublinha a agência, acrescentando que “essa orientação deve ser incluída nos procedimentos operacionais padrão da polícia e nos códigos de conduta”.
Numa altura em que no mundo se multiplicam as manifestações contra o racismo e a violência policial, na sequência da morte do afro-americano George Floyd por um polícia branco, a agência dos Direitos Fundamentais alerta que o racismo e os preconceitos continuam a representar sérios desafios em toda a UE.
“Várias pessoas foram assassinadas em crimes de ódio em 2019 e várias sondagens de opinião apontam para um crescimento do racismo e da extrema direita”, avisa a agência no seu relatório anual, dando alguns exemplos.
“Cerca de um em cada três letões não deseja trabalhar ao lado ciganos (33%)” e outras etnias são também desprezadas, já que 30% da população da Letónia não quer ser colega de trabalho de afegãos, de paquistaneses (29%), de sírios (26%) ou de africanos (25%).
Na Áustria, quase metade (45%) dos 1.200 entrevistados acreditam que os muçulmanos não devem ter os mesmos direitos que as outras pessoas.
Na Alemanha, uma sondagem a 31.192 vítimas maiores de 16 anos revelou que apenas 1,5% já tinham revelado terem sido vítimas de ataques físicos motivados por preconceitos.
Os principais motivos alegados para os ataques são a “origem”, o “género e identidade de género”, a “idade”, a “orientação sexual” e a “deficiência”, diz a FRA, adiantando que, em 2019, vários incidentes colocaram o racismo na agenda política dos Estados-membros.
A FRA refere ainda que o relatório anual de 2019 da Europol sobre tendências do terrorismo destaca a escalada de sentimentos de extrema-direita e intolerância em toda a UE.
Segundo a Europol, lembra a agência, os extremistas de direita exploram medos e queixas relacionadas com a perceção de ameaça do Islão e com a suposta perda de identidade nacional e tanto os discursos racistas e xenófobos como os crimes de ódio estão a aumentar.
As preocupações com este aumento do racismo e xenofobia levou a Comissão Europeia a pedir à FRA para liderar um grupo de trabalho sobre ódio, registo de crimes e recolha de dados, que deverá estudar as várias situações nos países da EU e avançar recomendações em 2021.
PGR guineense adverte que prazo para devolução de dinheiro desviado do Estado está a esgotar
O Procurador-Geral da República (PGR) da Guiné-Bissau alertou que falta menos de 70 dias para o fim do período de graça concedido às pessoas que eventualmente desviaram bens ou valores do Estado para devolvê-los.
Fernando Gomes advertiu que findo o prazo, o Ministério Público vai atuar de forma legal e coercitiva para recuperar o dinheiro desviado do Estado.
O PGR reiterou que o anúncio feito por ele a 15 de maio “não foi propaganda” e nesta quarta-feira, 10, apresentou ao Presidente da República, Úmaro Sissoco Embaló o “desenvolvimento dos trabalhos”.
Também hoje Embaló prolongou o estado de emergência até 25 de junho.
Misa-Moçambique suspeita “manipulação” na detenção de jornalistas
O Instituto da Comunicação Social da África Austral (Misa-Moçambique) suspeita ter havido “manipulação, encenação e abuso de poder” na detenção de jornalistas indiciados de corrupção passiva, na cidade da Beira.
Em comunicado, o Misa diz que os jornalistas Arcénio Sebastião e Jorge Malangaze foram detidos, nesta semana, “acusados de extorsão” para abortar uma reportagem sobre a violação das regras do Estado de Emergência num estabelecimento hoteleiro.
Os jornalistas “terão fotografado e filmado o estabelecimento repleto de pessoas a consumirem bebidas alcoólicas”.
Dono do estabelecimento é deputado da Frelimo
O Gabinete Provincial de Combate à Corrupção de Sofala acusa os jornalistas de terem cobrado dinheiro ao proprietário do estabelecimento para não publicar a reportagem.
O estabelecimento em causa é de Manuel Ramissone, que é também deputado da Assembleia da República pela bancada do partido Frelimo.
O Misa diz ter ouvido duas versões, sendo a primeira “das autoridades, que afirmam terem-se feito ao local a partir da denúncia feita pelo senhor Manuel Ramissone; e a segunda, dos jornalistas, que refere que os mesmos se fizeram ao local para obter o contraditório, não para receber qualquer suborno”.
As autoridades dizem que os jornalistas foram detidos “em flagrante” por “crime de corrupção passiva para ato ilícito”. Terão recebido cinco mil meticais, equivalente a 71 dólares americanos.
Os jornalistas disseram ao canal televisivo STV que não exigiram nenhum dinheiro, mas o proprietário do estabelecimento “meteu a mão no bolso e entregou o valor”, tendo sido detidos no momento de retirada.
Violação do Estado de Emergência marginalizada
Tendo em conta o relatado, o Misa diz que “mesmo tendo havido troca de valores, o que constituiria um caso grave de ética por parte dos jornalistas, caso tal venha a ser provado, existem fortes indícios de manipulação, encenação, mau uso do poder do Estado, assim como uma ligação ilícita entre os procuradores envolvidos e o senhor Manuel Ramissone”.
O Misa argumenta que há elementos que “mostram que o senhor Manuel Ramissone estava em busca de alterar o rumo dos acontecimentos sobre os problemas que enfrentava com as autoridades, pois, sabia-se, publicamente que o seu estabelecimento estava sob investigação devido à violação do Estado de Emergência”.
A violação das normas previstas no Estado de Emergência, após a detenção dos dois jornalistas, passou para um plano marginal, denuncia o Misa.
A organização de defesa de liberdade de imprensa recorda que “em lógica e em processos normais, não pode haver um corrupto passivo, sem o ativo”, daí que “os jornalistas deveriam ter sido recolhidos juntamente com o senhor Manuel Ramissone, enquanto participantes do mesmo crime de corrupção”.
Entre outros pontos, o Misa, acreditado que a detenção dos jornalistas tem outras motivações que devem ser investigadas, apela a Procuradoria da República para “abrir um inquérito interno para averiguar a genuinidade deste caso e o nível de envolvimento dos seus agentes; assim como o deve fazer o Conselho Superior da Magistratura do Ministério Público”.
Moçambique poderá reabrir as escolas em Julho
A pensar no final de mais um mês de estado de emergência, o governo e as instituições de ensino já equacionam o regresso às aulas. Uma das propostas em cima da mesa aponta para um regresso faseado, com as classes com exame a serem as primeiras, na primeira quinzena de Julho.
O ministério da Educação e Desenvolvimento Humano diz que, apesar de não haver ainda qualquer definição, as condições das escolas públicas, serão um desafio, em qualquer momento de regresso das aulas.
“Temos escolas sem água corrente, que recorrem a cisternas, baldes ou tambores para a lavagem das mãos. Mas também não podemos nos esquecer que temos escolas que estão, por exemplo, debaixo de uma árvore ou em salas precárias”, diz Gina Guibunda, porta-voz daquele ministério.
Ela acrescenta que “mesmo em salas convencionais, a quantidade de alunos, em condições normais, não pode ser a mesma caso cheguemos ao ponto de retoma das aula”.
A Universidade Eduardo Mondlane (UEM), a mais antiga instituição de ensino superior público, reconhece que nada será igual no regresso e já faz a sua equação.
“Num eventual regresso a breve trecho, nós vamos continuar a privilegiar um modelo híbrido, ou seja, uma parte presencial e outra a distância, porque acredito que não teremos, a breve trecho, condições para observar questões de distanciamento social, por exemplo,” afirma Orlando Quilambo, Reitor da UEM.
Neste momento, existem apenas propostas, mas tendo em conta a subida do número de casos, vários pais e encarregados de educação dizem que não vão deixar os filhos expostos numa eventual retoma.
Com o registo de mais 19 casos, nas últimas 24 horas, Moçambique tem 472 casos de Covid-19. Os pontos críticos são Cabo Delgado, com 164; e Nampula, 144.
Bayern Munique vence Frankfurt e está na final da Taça com Bayer Leverkusen
O Bayern Munique venceu esta quarta-feira 10, por 2-1 o Eintracht Frankfurt, nas meias-finais da Taça da Alemanha de futebol, e vai defender a posse do troféu frente ao Bayer Leverkusen, em 4 de julho, em Berlim.
Numa partida que opôs os vencedores das últimas duas edições, o Bayern ergueu o troféu em 2019 e o Eintracht Frankfurt em 2018, na final disputada com os bávaros, entrou melhor a formação de Munique, com uma mão cheia de oportunidades.
O Bayern Munique chegou à vantagem pelo croata Ivan Perisic (1-0), aos 14 minutos, materializando em golo a supremacia exercida, perante um Eintracht Frankfurt algo permeável e com o português André Silva desapoiado na frente do ataque.
A praticar um futebol demolidor, que se traduz em cinco triunfos consecutivos desde o reinício da Bundesliga, que os coloca a dois triunfos do oitavo título consecutivo, o Bayern Munique esteve perto de aumentar pelo polaco Robert Lewandowski, aos 31 minutos.
Já na segunda parte, o Eintracht Frankfurt chegou ao empate por Danny Costa (1-1), aos 69 minutos, e relançou a eliminatória, mas o polaco Robert Lewandwski marcou aos 74 o seu 45.º golo da época, em todas as provas, e desfez a igualdade.
Em 04 de julho, no Estádio Olímpico de Berlim, o Bayern Munique volta a marcar presença na final, tal como fez o ano passado, em que alcançou a dobradinha, desta feita contra o Bayer Leverkusen, que na terça-feira eliminou o Saarbrüken (3-0), que fez história ao ser o primeiro clube da 4.ª divisão a atingir as meias-finais.
O médio alemão Kerem Demirbay foi a grande figura do jogo, ao fazer as três assistências para os golos do Bayer Leverkusen, que marcou por intermédio do atacante francês Moussa Diaby, aos 11 minutos, pelo avançado argentino Lucas Alario, aos 19, e pelo médio alemão Karim Bellarabi, aos 58.
Ex-guerrilheiros da Renamo devem beneficiar de iniciativas de desenvolvimento, diz o IMD
A sustentabilidade da paz em Moçambique depende da inclusão de ex-guerrilheiros da Renamo no desenvolvimento local, diz o Instituto para Democracia Multipartidária (IMD).
A posição desta organização é apresentada na sequência do reinício do processo de Desmobilização, Desarmamento e Reintegração (DDR) dos guerrilheiros da Resistência Nacional Mocambicana (RENAMO), simbolizada por uma recente entrega de armas, em Sofala.
O IMD defende a criação de iniciativas de desenvolvimento inclusivas nas zonas nas zonas afectadas pelo conflito e nas que irão receber os antigos guerrilheiros, de modo a garantir que os benefícios da paz sejam abrangentes e todos se sintam parte do processo.
Por outro lado, diz o IMD, “é necessário que se faça um mapeamento das zonas de destino dos ex-guerrilheiros e que se reforce o papel das lideranças locais na indução e sensibilização dos guerrilheiros e das comunidades, de modo a promover-se uma convivência pacífica”.
Para o IMD é importante que os guerrilheiros recebam informação sobre “os mecanismos formais de reivindicação dos seus direitos na sua vida civil no contexto de Estado de Direito Democrático”.
Nesse processo deverão ser envolvidos, na óptica do IMD, os partidos políticos, organizações da sociedade civil, organizações religiosas, entidades públicas e privadas.
Consta que o DDR deve abranger, pelo menos, cinco mil ex-guerrilheiros da Renamo.
A organização elogia o papel do presidente Filipe Nyusi e do líder da Renamo, Ossufo Mamade, mas adverte que não devem permitir que situações adversas como a Covid-19 abrandem mais “o ritmo de implementação do DDR”, o que teria impacto logístico nos centros de acantonamento.
Outra chamada de atenção é relativa à ameaça que a Junta Militar da Renamo representa para o processo.
“O sucesso deste processo vai requerer uma união de esforços para uma resolução holística e de forma inclusiva às ameaças ao processo de DDR e paz levados a cabo pela Junta Militar da Renamo, ” diz o IMD.
FC Porto vence Marítimo e está isolado na liderança da I Liga
O FC Porto venceu esta quarta-feira 10, na receção ao Marítimo, por 1-0, em jogo da 26.ª jornada da I Liga portuguesa de futebol, e assumiu a liderança isolada do campeonato, com dois pontos de vantagem sobre o Benfica.
Os ‘dragões’ que vinham de uma derrota na última jornada, frente ao Famalicão, por 2-1, regressaram às vitórias, no Estádio do Dragão, com um golo madrugador de Corona (06 minutos).
Sérgio Conceição, para este encontro, já pôde contar com Alex Telles, que esteve afastado devido a castigo, e fez outra alteração no ‘onze, ao tirar, por opção, Soares, substituindo por Zé Luís.
Por outro lado, no Marítimo, José Gomes não teve à sua disposição Correa e Rodrigo Pinho, que cumprem castigo.
O FC Porto entrou melhor no jogo e, os 06 minutos, inaugurou o marcador com um golo de belo efeito de Corona. Após um alívio para a entrada da área, depois de um canto a favor dos ‘azuis e brancos’, Corona rematou de primeira à meia-volta, fazendo a bola entrar na baliza, sem dar qualquer hipótese a Charles.
Apesar do ascendente da formação portista, o Marítimo conseguiu criar algumas oportunidades de golo. A primeira aconteceu aos 17 minutos, com Maeda, depois de um cruzamento, a surgir ao segundo poste, mas a falhar a finalização.
Os insulares intensificaram a pressão e aos 23 minutos tiveram nova oportunidade para chegar ao empate. Um cabeceamento muito forte de Joel Tagueu obrigou Marchesín a uma defesa por instinto para evitar o golo.
O tento madrugador dos portistas desequilibrou o jogo dos insulares que, apesar de conseguirem criar algumas situações de perigo, falharam na finalização.
Ainda antes do intervalo, o FC Porto esteve perto de chegar novamente ao golo, desta feita, por intermédio de Sérgio Oliveira que disparou à baliza, mas Charles defendeu para canto.
No segundo tempo, a partida equilibrou, mas o jogo tornou-se mais lento e com pouca história.
Vigília em Paris pela morte de George Floyd
A Place de la République, em Paris, ficou mergulhada em oito minutos e 46 segundos de silêncio. Foi o tempo que George Floyd passou debaixo do joelho do polícia Derek Chauvin, em Mineápolis, nos Estados Unidos, antes de morrer.
Esta vigília lembrou que os casos de racismo e violência policial também acontecem em França e foi organizada pela SOS Racisme.
Os manifestantes fizeram um paralelo entre a morte de Floyd e a de Adama Traoré, um negro de 24 anos que morreu sob custódia policial há quatro anos.
O caso Floyd relançou o debate sobre a violência perpetrada por aqueles que supostamente deveriam proteger o cidadão.
“Ouvimos na televisão e noutros meios os políticos e muitas pessoas dizer que é um problema de “certos indivíduos”, de ovelhas ranhosas que devem ser eliminadas. Tenho a impressão de que – nesta escala – não se trata de um problema de ovelhas ranhosas. Se está a acontecer em todos os países, em diferentes regiões… é porque há um problema no sistema, na forma como o Estado funciona”, diz um manifestante.
O Ministro do Interior francês Christophe Castaner anunciou que a imobilização por asfixia, como foi usada em Floyd, seria proibida na polícia francesa e prometeu “tolerância zero” para o racismo e para os abusos na aplicação da lei, mas muitos dos que saíram à rua pedem mudanças ainda mais profundas.
Benfica empata em Portimão e oferece liderança isolada ao FC Porto
O Benfica empatou esta quarta-feira 10, por 2-2 na deslocação ao Portimonense, em jogo da 26.ª jornada da I Liga portuguesa de futebol, numa partida em que os ‘encarnados’ desperdiçaram uma vantagem de dois golos.
O Benfica, que na jornada de retoma empatou em casa com o Tondela (0-0), adiantou-se no marcador por Pizzi, aos 18 minutos, com André Almeida a ampliar a vantagem aos 31, mas o Portimonense respondeu na segunda parte, com golos de Dener, aos 66, e de Júnior Tavares, aos 76.
Os ‘encarnados’, que somaram o quarto empate consecutivo no campeonato, lideram a I Liga com 61 pontos, mais um que o FC Porto, que joga hoje com o Marítimo, enquanto o Portimonense continua em 17.ª, com 20, a cinco pontos das primeiras equipas acima da ‘linha de água’, que ainda não jogaram esta jornada.
Detidos dois jornalistas indiciados no crime de corrupção passiva
As autoridades moçambicanas detiveram na segunda-feira (08)dois jornalistas na província de Sofala, centro do país, indiciados no crime de corrupção passiva, informou o Gabinete de Combate à Corrupção na província.
Segundo Anastácio Matsinhe, porta-voz do Gabinete de Combate à Corrupção na província, trata-se de Arsénio Sebastião, correspondente da Deutsche Welle (DW), e de Jorge Malangaze, um ‘freelancer’, acusados de terem recebido subornos para não publicarem uma matéria relacionada à violação das regras do estado de emergência num estabelecimento hoteleiro em Sofala.
“Eles contactaram o proprietário do estabelecimento e cobraram valores monetários para que não fossem exibidas as peças feitas sobre o estabelecimento, e o proprietário fez uma denúncia ao gabinete. Trata-se um crime de corrupção passiva para ato ilícito”, disse Anastácio Matsinhe.
Os dois repórteres teriam fotografado e filmado o estabelecimento “abarrotado e com pessoas a consumir álcool durante a noite”, violando as regras do estado de emergência, segundo Arsénio Sebastião, correspondente da DW e um dos indiciados.
Os jornalistas foram pedir esclarecimentos à gerente do estabelecimento, que recomendou que falassem com o proprietário: Manuel Ramissane, um deputado da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), partido no poder.
De acordo com o porta-voz do Gabinete de Combate à Corrupção em Sofala, os repórteres chantagearam Manuel Ramissane, que foi alegadamente orientado pelas autoridades a fingir que aceitava subornar os dois para evitar a divulgação do material.
Os jornalistas terão recebido cinco mil meticais e foram detidos em flagrante, segundo o porta-voz do Gabinete de Combate à Corrupção em Sofala.
Falando à comunicação social a partir do posto policial onde está detido, o correspondente da DW afirmou que foi o proprietário do estabelecimento quem tomou a iniciativa, considerando ter sido alvo de uma “emboscada”.
“Ele meteu a mão no bolso e entregou-nos o valor para que não publicássemos a informação. Aceitamos pensando que era o ‘Nelinho’ de antes e de repente, à saída, apareceram 12 agentes”, declarou o jornalista, aludindo conhecer o proprietário do estabelecimento.
Moçambique vive em estado de emergência desde 01 de abril, tendo sido prorrogado por duas vezes, até 29 de junho.
Durante esse período, o país vive com várias restrições: todas as escolas estão encerradas, espaços de diversão e lazer também estão fechados, estão proibidos todo o tipo de eventos e de aglomerações, recomendando-se à população que fique em casa, se não tiver motivos de trabalho ou outros essenciais para tratar.
Moçambique conta com 453 casos de COVID-19, dois óbitos e 131 recuperados.
A pandemia de COVID-19 já provocou mais de 406 mil mortos e infetou mais de 7,1 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo o balanço feito pela agência francesa AFP.
A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.
MP pede “condenação exemplar” para polícias acusados de roubo de casino em Maputo
O Ministério Público pediu uma “condenação exemplar” aos agentes da polícia que estão entre os sete acusados de roubo de dez milhões de meticais de um casino em Maputo.
Durante as alegações finais no Tribunal Judicial da cidade de Maputo, o Ministério Público (MP) pediu a condenação exemplar dos oito arguidos, com destaque para os cinco polícias, apontando como “agravante o facto de serem servidores públicos”.
“Os agentes da polícia que deviam zelar pela ordem e segurança pública, mas, pautaram por comportamento criminoso”, refere a acusação do MP.
Além dos cinco polícias, há mais dois funcionários do casino acusados no processo.
O assalto aconteceu em 31 de Julho de 2019 na cidade de Maputo, após o gerente do Casino Marina ter levantado 10 milhões de meticais num dos bancos comerciais da mesma urbe.
O gerente estava na companhia de um dos motoristas do casino, hoje no banco dos réus, quando a viatura em que seguiam foi bloqueada por outras duas.
Das duas viaturas saíram dois indivíduos e apresentaram-se como agentes da polícia.
Segundo a acusação, o motorista do casino não ofereceu resistência e destrancou o carro, desobedecendo ao gerente e facilitando o processo para os assaltantes, que se apoderaram do montante total de 10 milhões de meticais.
O gerente ordenou que o motorista do casino perseguisse as viaturas dos polícias, mas o motorista declinou mais uma vez.
O MP entende que o comportamento do motorista “visava facilitar a fuga dos assaltantes”, o que prova o seu envolvimento no caso.
A acusação diz ainda que o motorista é o mentor do assalto, citando uma confissão obtida numa das esquadras da polícia na altura.
O motorista e sua defesa assumiram a confissão, mas alegaram que a mesma foi conseguida sob tortura e ameaças da polícia.
Segundo o despacho da acusação, os cinco membros da polícia terão visitado o casino no mês anterior, com uma falsa notificação e solicitado informações contabilísticas, mas a verdadeira intenção era “reconhecer o local” para o posterior assalto.
Foi mesmo através das imagens gravadas pelas câmaras de segurança do casino que o gerente assaltado conseguiu reconhecer um dos indiciados.
O grupo que se apresentou ao tribunal é composto por cinco elementos, dos quais quatro polícias e o motorista do casino.
Outros dois, nomeadamente a administrativa do casino e mais um agente da polícia, estão foragidos.
Todos são acusados de crime de roubo qualificado, associação para delinquir, uso de armas proibidas, tendo como agravante a o facto de serem servidores públicos para o caso dos polícias.
Os indiciados negam todas as acusações e pediram um final favorável no processo número 76/2019.
Os advogados dizem que o MP ainda não apresentou uma prova que indica a culpa dos seus clientes e pedem restituição da liberdade.
“Há alguma penumbra neste processo. Faltam provas claras porque não existe nenhuma ligação entre a ida ao casino e o assalto referenciado”, disse à comunicação social Cristiano Machava, um dos advogados de defesa do caso.























