O Presidente moçambicano, Daniel Chapo, anunciou a entrega de 200 autocarros destinados a mitigar o impacto do aumento dos preços dos principais combustíveis líquidos. Esta medida surge após a recente comunicação da Autoridade Reguladora de Energia (ARENE), que anunciou um aumento dos preços de combustíveis que pode chegar até 45,5%.
Os novos preços entraram em vigor na passada quinta-feira, agravando as dificuldades de abastecimento no país, evidenciadas pelo encerramento de estações de serviços, longas filas e restrições na compra de gasóleo e gasolina.
Durante um comício público no distrito de Mágoè, na província central de Tete, Chapo revelou que os autocarros serão entregues já na próxima segunda-feira, com o objetivo de aliviar a crise no transporte na cidade de Maputo e na sua província. O Presidente afirmou que, para reduzir a cátastrofe de combustíveis, o país irá lançar projetos de gás veicular, bem como aumentar a capacidade de armazenamento nacional.
Chapo sublinhou que a questão do preço dos combustíveis não é exclusiva de Moçambique, considerando-a um problema global. O país conseguiu atenuar alguns dos efeitos graças às reservas estratégicas armazenadas nos seus portos nacionais. No entanto, a guerra atual na região – referindo-se ao conflito entre os Estados Unidos e Israel contra o Irão – exige medidas adicionais de contenção.
“Com a guerra naquela área e a destruição de refinarias, o mundo já não dispõe da mesma quantidade de combustível que tinha há dois meses”, acrescentou Chapo. Cerca de 80% das importações de combustíveis de Moçambique transitam por rotas ligadas ao Estreito de Hormuz, o que torna o impacto da guerra no Médio Oriente potencialmente desastroso para a economia do país.
“Vamos entregar 200 autocarros para servir o povo, facilitar o transporte e minimizar o impacto desta crise. Chegou a hora de o nosso gás servir a população, por isso iremos lançar, este ano, projetos de gás veicular, inicialmente em Inhambane”, declarou o Presidente.
Chapo reiterou que o governo está a implementar várias medidas para diminuir o impacto dos aumentos dos preços dos combustíveis na vida dos moçambicanos. A administração reconheceu, além disso, que a crise de combustíveis no país está relacionada com a escassez de moeda estrangeira, particularmente dólares norte-americanos, o que dificulta o transporte de combustíveis desde os portos até às bombas, visto que as empresas que operam as estações de serviço enfrentam problemas de tesouraria.
(AIM)














