Abdul Gafar Gulam, um dos principais arguidos da Operação Branqueamento de Capitais, chegou esta manhã ao aeroporto de Maputo, proveniente de Portugal, onde foi detido.
A sua extradição foi aprovada pelas autoridades portuguesas, na sequência de mandados de captura internacional emitidos pelas autoridades moçambicanas e de um alerta vermelho lançado pela INTERPOL.
Gulam será ouvido no Tribunal da Instrução Criminal na quinta-feira, onde ocorrerá o seu primeiro interrogatório judicial, no âmbito do processo número 3/GCCCOT/22, conhecido como Operação Stop BC. Este processo envolve um total de 40 indivíduos e 32 sociedades comerciais acusados de crimes diversos, como branqueamento de capitais, fraude fiscal, associação criminosa, falsificação e uso de documentos falsos.
De acordo com informações apuradas, Gulam terá criado, entre 2019 e 2022, cerca de oito empresas de fachada, utilizando pessoas terceras para a sua constituição. As referidas empresas, sem atividade comercial legítima, abriram contas bancárias através das quais movimentaram quantias elevadas, principalmente em depósitos em numerário e cheques.
As transferências realizadas, que totalizam cerca de 140 milhões de dólares americanos, visaram alegadas compras de mercadorias não desembaraçadas em território moçambicano, causando assim prejuízos significativos ao Estado moçambicano, ao impedir a arrecadação de impostos devidos.
Para dissimular a falta de entrada das mercadorias, Gulam, com o auxílio de despachantes aduaneiros e colaboradores bancários, forjou documentação que foi apresentada junto a bancos e entidades públicas, dando a entender que as transações eram legítimas.
O caso levanta questões sobre a integridade do sistema financeiro nacional e a segurança económica do país, uma vez que práticas desta índole comprometem a estabilidade do sector.













