A petrolífera francesa TotalEnergies classificou de “infundadas” as acusações de cumplicidade em crimes de guerra e torturas relacionadas com as suas operações em Moçambique, especialmente na região de Cabo Delgado, onde está a desenvolver um projecto de gás natural.
A empresa reagiu a uma queixa formal apresentada em Paris na última segunda-feira, que alega um massacre numa das suas instalações de gás em Moçambique, revelada inicialmente pelo Centro Europeu para os Direitos Constitucionais e Humanos (ECCHR).
“No seguimento da queixa apresentada à Procuradoria Nacional Antiterrorista (PNAT) em Paris contra pessoas desconhecidas e contra a TotalEnergies por ‘cumplicidade em crimes de guerra, tortura e desaparecimentos forçados’ entre Julho e Setembro de 2021, a empresa rejeita veementemente todas estas acusações, uma vez que não foi formalmente notificada sobre a queixa”, pode ler-se em um comunicado ao qual o MZNews teve acesso.
A TotalEnergies argumenta que durante o período em que ocorreram os ataques terroristas mortais de Março de 2021, reivindicados pelo grupo jihadista Al-Shabab, os seus funcionários não estavam presentes no local, uma vez que foram evacuados no início de Abril desse ano. A empresa sublinha que, após o ataque em Palma, todos os seus trabalhadores foram retirados da área e o exército moçambicano assumiu o controlo da instalação em Afungi, do aeroporto e do porto, com o intuito de restabelecer a segurança na região.
Adicionalmente, a petrolífera acusou o jornal Politico de distorcer as suas respostas, seleccionando apenas as informações que lhe interessavam, e de não apresentar factos que comprovem a alegação de violação de direitos humanos no seu megaprojecto.
Vale recordar que esta denúncia, submetida ao Tribunal Europeu dos Direitos Humanos (TEDH), representa a segunda acção judicial contra a operação da TotalEnergies em Moçambique apenas este ano. Em Março, o Ministério Público francês anunciou uma investigação criminal formal contra a empresa, relacionada com alegações de homicídio e omissão de socorro, no que diz respeito à morte de 55 dos seus contratados da construção civil em um ataque do Daesh na cidade de Palma.















