O processo de selecção do próximo secretário-geral das Nações Unidas (ONU) foi oficialmente inaugurado, com a emissão de um apelo dirigido aos Estados-membros para a apresentação de candidaturas ao cargo que será deixado por António Guterres.
Uma carta conjunta, assinada pelo embaixador de Serra Leoa, Michael Imran Kanu, actual presidente do Conselho de Segurança, e pela presidente da Assembleia-Geral, Annalena Baerbock, marcou o início deste processo. Nela, os líderes solicitam a indicação de candidatos qualificados para desempenhar um papel crucial na diplomacia internacional.
A missiva sublinha que o cargo de secretário-geral exige padrões elevados de eficiência, competência e integridade, bem como uma dedicação firme aos objectivos e princípios consagrados na Carta das Nações Unidas. Os candidatos devem possuir, igualmente, considerável experiência em relações internacionais, habilidades diplomáticas e proficiência em várias línguas.
Embora existe uma corrente de apoio à nomeação de uma mulher para este cargo, essa posição não é consensual entre os Estados-membros. A carta destaca, com preocupação, que até à data nenhuma mulher ocupou o cargo de secretário-geral e incentiva os Estados a ponderar a nomeação de candidatas do sexo feminino.
Cada candidato deverá ser oficialmente indicado por um Estado ou um grupo de Estados e será solicitado a apresentar a sua visão e fontes de financiamento. Nomes conhecidos no actual cenário político internacional estão já a emergir como potenciais candidatos, incluindo a ex-presidente chilena, Michelle Bachelet, o director da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), Rafael Grossi, e Rebeca Grynspan, actual directora da Agência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (UNCTAD).
O processo de selecção, que ocorrerá conforme uma tradição de rotação geográfica que nem sempre é respeitada, parece estar revestido de um forte apelo por maior diversidade. Embora a carta mencione a importância de um leque diversificado de representantes, não faz referência a uma região específica que deva ser privilegiada nesta ocasião.
Além disso, a Assembleia-Geral e o Conselho de Segurança poderão realizar audições públicas dos candidatos, um procedimento de transparência que foi introduzido durante a seleção de 2016. Contudo, cabe ao Conselho de Segurança, em especial aos seus cinco membros permanentes (Estados Unidos, China, Rússia, Reino Unido e França), iniciar o processo de seleção até ao final de Julho, detendo, assim, a influência decisiva sobre o futuro dos candidatos.
A eleição do novo secretário-geral será posteriormente realizada pela Assembleia, com um mandato inicial de cinco anos, que pode ser renovado para um segundo período. António Guterres assumiu a liderança da ONU em Janeiro de 2017 e foi reconduzido para um segundo mandato, que se findará no final de 2026.
















