Capa Corte de apoios externos aumenta risco no combate ao HIV/Sida em Manica

Corte de apoios externos aumenta risco no combate ao HIV/Sida em Manica

Os deputados da Assembleia da República de Moçambique evidenciaram a necessidade urgente da implementação de mecanismos adequados para mitigar o sofrimento da população, face à redução dos apoios externos destinados ao sector da saúde. 

Esta situação é particularmente preocupante nas políticas de prevenção e combate ao HIV/Sida, tanto na província central de Manica como em todo o país.

Durante uma recente visita ao gabinete provincial de Combate ao HIV/Sida e encontros com associações locais envolvidas na luta contra a doença, os deputados sublinharam que as organizações que combatem o HIV/Sida devem adoptar alternativas internas devido ao corte de financiamento, o qual tem comprometido a continuidade de diversas acções comunitárias.

O relator do gabinete parlamentar de combate ao HIV/Sida, Leonel Namuquita, reiterou que a solução passa pela conjugação de esforços entre todos os intervenientes da sociedade em busca de respostas efectivas. Muitas instituições, que tradicionalmente dependiam de ajuda internacional, agora são obrigadas a operar com recursos limitados, a fim de evitar mortes causadas pelo vírus.

“Temos conhecimento de que as organizações enfrentam múltiplas dificuldades devido à falta de apoios internacionais. É imperativo encontrarmos formas internas de recuperação e reafirmação como povo, trazendo soluções para esta problemática. Queremos assegurar que não se perca nada”, assinalou Namuquita.

A sua intervenção sublinhou que o problema do HIV/Sida não é exclusivo do sector da saúde, mas um desafio geral que envolve a sociedade. Ele apelou à mobilização na busca de soluções internas para garantir que todos os pacientes continuem a receber tratamento e que mais pessoas sejam incentivadas a realizar testes e, se necessário, iniciar terapia.

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Namuquita expressou a confiança de que o governo está empenhado na busca de soluções para esta crise. O Plano Económico e Social, segundo ele, demonstra que a questão está a ser tratada com a seriedade que merece e que alternativas estão a ser exploradas para salvar vidas.

“O nosso desejo é que os programas de assistência às comunidades sejam sustentados, beneficiando a população. É essencial que estas iniciativas se mantenham em vigor em todo o território nacional, assegurando o acesso a consumíveis, medicamentos e campanhas de sensibilização a todos os níveis. O nosso objectivo é que, até 2030, o HIV/Sida deixe de ser um problema de saúde pública”, acrescentou.

A reunião com as organizações teve como principal finalidade avaliar as acções em curso e as condições operacionais das instituições envolvidas no combate à doença. Actualmente, a província de Manica apresenta uma taxa de prevalência de HIV/Sida de 7,9%, afetando cerca de 160 mil pessoas. Entre essas, 140 mil estão em tratamento anti-retroviral, com a taxa de prevalência sendo de 7,7% nos homens e 8% nas mulheres.