Familiares de Rodrigo Cabezas, economista, ex-ministro e professor universitário, denunciaram que desconhecem o paradeiro do mesmo após a sua detenção pelo Serviço Bolivariano de Inteligência (SEBIN), os serviços de informações da Venezuela.
A filha de Rodrigo Cabezas, Rodna Cabezas, expressou profunda preocupação com o estado de saúde do pai. “Não sei o paradeiro do meu pai (…) temo muito pela sua saúde, pois é um doente cardíaco, que faz um tratamento cardiovascular que deve cumprir diariamente por ter um estenose [estreitamento anormal de um vaso sanguíneo] e ser paciente hipertenso”, denunciou na sexta-feira.
Num vídeo divulgado nas redes sociais, a filha do ex-ministro dirigiu-se ao procurador-geral da Venezuela, Tarek William Saab, solicitando “uma prova de vida” do pai, e exigindo que lhe sejam garantidos o devido processo legal e os direitos humanos.
Rodrigo Cabezas, de 68 anos, foi ministro das Finanças do falecido presidente Hugo Chávez (1999-2013) entre 2007 e 2008. Contudo, segundo o Programa Venezuelano de Ação e Educação em Direitos Humanos (Provea), Cabezas tem sido um “crítico ferrenho da política económica e do autoritarismo de [o Presidente] Nicolás Maduro”.
“A sua detenção ocorre em meio da incessante escalada repressiva do Estado, que agora se volta contra os críticos da grave crise económica que o país atravessa”, explicou o Provea na rede social X (anteriormente Twitter).
A líder da oposição, Maria Corina Machado, também reagiu à notícia nas redes sociais, denunciando a inexistência de uma ordem judicial para a detenção de Cabezas e afirmando que “nas últimas horas se intensificou o terrorismo de Estado” no país. “Economistas são presos por alertar sobre o aumento descontrolado da inflação e vendedores ambulantes por venderem em dólares ao preço de mercado. Na sua loucura delirante, [o regime] acredita que reprimindo o dólar e negando a inflação vão impedir que a realidade se imponha”, sublinhou Machado.
O Observatório Venezuelano de Finanças (OVF) manifestou, num comunicado, “a mais veemente condenação à perseguição, ao assédio e à criminalização de pessoas que recolhem, analisam e divulgam dados estatísticos relevantes para a compreensão da economia venezuelana”. O OVF acrescentou que “Atacar quem gera e compartilha dados económicos confiáveis não só viola princípios democráticos fundamentais, mas também limita a compreensão colectiva da realidade nacional”.
Em fevereiro de 2022, Rodrigo Cabezas apoiou publicamente o opositor e ex-presidente do parlamento Juan Guaidó, que, três anos antes, se tinha declarado presidente interino da Venezuela com o objetivo de afastar Nicolás Maduro.

















