A presidente da Geórgia, Salome Zourabichvili, desferiu um forte golpe contra o governo do país ao considerar o actual regime como ilegítimo, assegurando que não abandonará o seu cargo ao término do mandato, previsto para o próximo mês.
As afirmações de Zourabichvili ocorreram durante uma conferência de imprensa realizada neste sábado, onde também se referiu às próximas eleições presidenciais, agendadas para 14 de Dezembro.
A controvérsia remonta às eleições legislativas, realizadas a 31 de Outubro, cujos resultados são contestados tanto pela presidente como pela oposição. O partido Sonho Georgiano, que se alinha com a Rússia, obteve 54% dos votos, mas Zourabichvili denunciou fraudes eleitorais, considerando o parlamento actual como ilegítimo. “Não há parlamento legítimo; portanto, um parlamento ilegítimo não pode eleger um novo presidente. Assim, nenhuma posse pode ocorrer, e meu mandato continua até que um parlamento legitimamente eleito seja formado”, afirmou a presidente.
A situação política na Geórgia tornou-se ainda mais volátil quando Salome Zourabichvili anunciou que irá recorrer à Justiça para contestar os resultados das eleições. O pleito foi marcado por episódios de violência, incluindo um incidente em que David Kirtadze, um político da oposição, lançou tinta preta no rosto do chefe da comissão eleitoral, resultando em uma lesão ocular.
A crise política atingiu um novo pico na quinta-feira, 28 de Novembro, após o primeiro-ministro do Sonho Georgiano, Irakli Kobakhidze, ter decidido interromper as negociações para a adesão da Geórgia à União Europeia por um período de quatro anos. Kobakhidze justificou a decisão alegando “chantagem” por parte do bloco europeu.
A adesão à UE é amplamente apoiada pela população georgiana, levando a protestos massivos que resultaram na detenção de pelo menos 107 pessoas. Os manifestantes ergueram barricadas e confrontaram a polícia de choque na capital, Tbilisi, utilizando fogos de artifício como forma de resistência.
Kobakhidze também dirigiu acusações à oposição, insinuando que esta estaria a orquestrar planos para uma revolução semelhante à que ocorreu em Maidan, na Ucrânia, em 2014. “Algumas pessoas querem uma repetição desse cenário na Geórgia. Mas não haverá Maidan na Geórgia”, enfatizou o primeiro-ministro.

















